Poucos e Tudo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fahrenheit 451

"Primeiro, os nazistas vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, eu me calei. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, eu não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, eu me calei. Então, eles vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu me calei. Então, quando vieram me buscar... Já não restava ninguém para protestar". - Martin Niemoller

A temperatura a que um livro se inflama e consome: Fahrenheit 451
As pessoas altamente hipnotizadas por um aparelho conhecido, a televisão. Livros fazem mal, jogam idéias. Opiniões próprias são consideradas anti-sociais e hedonistas, e o pensamento crítico é suprimido.
Este é o ponto de partida do livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451. Escrito após a segunda guerra mundial, ainda sob os efeitos do nazismo. Tem como enredo uma sociedade futura em que os livros são contra a lei e quem os lê é perseguido e preso. Os bombeiros não apagam fogo e sim vivem para queimar os livros.
Romance de várias interpretações, mas a meu ver, uma critica ao nazismo e à sociedade autoritária que ele produz pela supressão de idéias dissidentes, formando, assim, um mundo vazio, sem conteúdo interior e com medo de questionar seu próprio ambiente. As conversas são inexpressivas e sem sentido. As pessoas tentam alcançar o estado de felicidade sem ao menos saber o que ela é ou o que significa, tornando-se meros fantoches nas mãos dos poderosos. Na realidade pessoas infelizes, sem emoção, incapazes de produzir amor, portanto incapazes de encaminhar sua própria história.


“Era um prazer muito especial ver as coisas arderem, vê-las calcinar-se e mudar.
Punho de cobre na mão, armado desse imensos, que cuspia o veneno da sua gasolina sobre o mundo, sentia o sangue bater-lhe nas têmporas e as suas mãos tornavam-se as mãos de uma espécie de maestro prodigioso dirigindo todas as sinfonias do fogo e do incêndio, ao ritmo das quais se desmoronavam os farrapos e as ruínas carbonizadas da história.
Avançou, entre um fulgor de pirilampos.
Teria gostado acima de tudo, segundo a velha tradição, de mergulhar no braseiro uma alcachofra presa na ponta de um pau, enquanto os livros, com um bater de asas, morriam no umbral da casa e no jardim. Enquanto os livros se estorciam entre nuvens de fagulhas e partiam, calcinados, com o vento.
Montag sorriu, com o áspero sorriso de todos os homens chamuscados e repelidos pelas chamas”. 

2 comentários:

Mônica disse...

Dan
Que vontade de le-lo.
Um abraço carinhoso

E. SANCHES disse...

Grande Post
Parabéns pela abordagem a esse tema.
Conheça o meu blog e abaixe-se para não ser baleano.
Veja as entrevistas exclusivas.

www.bangbangitaliana.blogspot.com

Abração e sucesso.

Edelzio Sanches