Existem momentos no futebol que são ricos, extremos, conflitantes, contraditórios e inesquecíveis, por isso a Copa do Mundo de 1978 não acabou...
Pena que em nosso imaginário não foi por nenhum jogo memorável e sim por uma acusação de fraude. Futebol não é isolado; uma coisa amada pelos fãs e detestada por quem não gosta. Futebol faz parte do social, portanto relaciona-se com todos os segmentos de nossa vida.
“Futebol e Ditadura”, que livro fascinante seria; como regimes totalitários se serviram da nobre arte. Claro que podemos relacionar o esporte em geral com política, mas este artigo é sobre a Copa do Mundo de 1978 de Futebol.
Escândalos não faltaram, com denuncias de suborno e pressões, tudo preparado para a Argentina ser Campeã. Não, não estou sendo ufanista ou chorando pela derrota de nossa seleção. Naquela época se a Copa fosse no Brasil as pressões e subornos seriam para nosso lado. As ditaduras da América Latina passavam por um declínio e logicamente tentavam se segurar com musicas e filmes ufanistas e principalmente com o futebol, paixão em quase todo o continente. Assim os regimes militares usavam o futebol como instrumento político. O ápice disso ocorreu na Argentina em 1978, com o jogo Argentina Seis Peru Zero, resultado que prejudicou a seleção brasileira, que ficou fora da final contra a Holanda. Aqui um parêntese; como já disse não estou chorando, acredito que apesar de invicta no torneio, aquela seleção de 78 foi uma das piores que formamos e em minha opinião mal treinada pelo técnico Cláudio Coutinho, mas ficou claro que os peruanos entregaram o jogo.
Na Argentina, desde o ano passado o juiz Norberto Oyarbide abriu um processo de investigação contra o ex-ditador peruano Francisco Morales Bermudez, pedindo sua prisão por crimes de tortura, sequestros e assassinatos, isso desencadeou a volta da discussão sobre aquela partida, sustentando a tese de que seu resultado foi um pacto político entre as ditaduras argentina e peruana. Assunto fascinante para um historiador analisar.
Uma testemunha chave é o ex-senador peruano de oposição, Genaro Ledesma que afirma saber detalhes da História, pois foi um dos pontos chaves da conspiração.
Futebol faz parte da vida de várias pessoas em todo mundo, está no cerne da cultural, despertando paixões e ódios, portanto é usado como instrumento político. Acredito que a discussão destes assuntos sobre a Copa na Argentina são importantes para compreendermos e analisarmos o Momento Histórico que abalou o mundo sul-americano. Não como revanchismo ou choradeira, mas como ciência.


1 comentários:
Dan, ótimo texto.
Futebol e política correm juntos desde que o primeiro foi inventado.
São vários livros que falam sobre o tema. Entre eles gosto muito de "Como o Futebol Explica o Mundo" do jornalista Franklin Foer.
Se você ainda não leu, procure, tenho certeza que irá gostar.
Abraço
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