Poucos e Tudo

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Pecuária

A pecuária foi introduzida no Brasil, no inicio da colonização, as primeiras cabeças de gado, trazidas da ilha de Cabo Verde, vieram com Tomé de Souza. Eram de grande importância para os engenhos, pois serviam como força motora dos moinhos, e como meio de transporte da cana, dos canaviais para os moinhos, através dos carros de boi e para o fornecimento de carne e leite para o consumo.
No inicio era criado no próprio engenho, mas com o passar do tempo tornou –se inviável sua criação nestes locais, pois à medida que o gado crescia, destruía os currais e atacava as plantações. Assim era necessário, afastar o gado do engenho e transporta – lo para o interior, deveria ser criado fora do engenho, mas seria consumido no próprio engenho. Muitos homens ligados ao engenho, como agregados, receberam a tarefa de levar o gado para o interior e cria – lo no interior. Neste sentido a pecuária, vai se tornar fator de expansão do território brasileiro. As boiadas penetravam em direção ao sertão nordestino, desbravando – o e seguindo o curso do rio São Francisco que se tornará o local mais importante da criação, pois fornecia água e pastagens, sendo conhecido como rio do gado. A partir de seu vale o gado também se expandia para outras regiões da colônia, chegando a Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Água Corrente
( Sá e Guarabyra )
água corrente, pedra rolante
o desce contigo o meu coração
leito de rio, esconderijo e
doce, doce prisão
deixa eu molhar minha voz
e repetir a canção
água corrente, pedra redonda
onde os segredos se vão afogar
leva a saudade pra quem me
o espera longe, junto
do
mar
que nenhum desvio te possa
de ter
por entre os barrancos palavras
de amor
lá se vão na corrente
( Sá e Guarabyra. Água Corrente. CD. Pirão de Peixe com Pimenta, Som Livre )



O gado não foi só elemento de expansão territorial, também foi importante na luta contra os índios, já que estes apresentavam grande resistência, pois eram expulsos de sua terra e representou um fator de integração entre o litoral e o interior, o gado era criado no interior e vendido no litoral.
Existe um ditado popular que diz: “Do Boi Só Se Perde o Berro”, anunciando que tudo nele é aproveitado, o sangue para fazer o chouriço, a carne, os ossos, seu couro, etc., assim a carne era vendida no litoral do Brasil, mas os outros produtos eram exportados para a metrópole.
As fazendas de gado, passam a proliferar no nordeste brasileiro, seguindo os engenhos também constituíam – se em grandes propriedades, mas a semelhança para por ai, a casa do proprietário não era tão suntuosa como a do senhor de engenho, o trabalho era realizado por homens livres e não escravos, chamados de vaqueiros, a densidade populacional era baixa, pois poucos homens davam conta da criação e o trabalho é realizado por todos. Patrões e empregados eram vistos juntos, queimando os campos, ferrando os bezerros, tratando das doenças da criação, abrindo bebedouros e conduzindo o gado.
O gado foi penetrando no território brasileiro, em 1644, foi levado para a ilha de Marajó, durante o século XVII, com a descoberta do ouro, foi introduzido nas regiões das Minas Gerais e daí para o sudeste e sul do país. Foi fator de colonização da região sul, principalmente do Rio Grande do Sul onde as fazendas de gado são chamadas de estâncias, o gado era criado para ser vendido nas regiões de extração de minérios.
Sobre a introdução do gado no Rio Grande do Sul, temos duas versões, a primeira relata que os jesuítas iniciaram nas missões sua criação, eram de origem espanhola, utilizando o trabalho dos índios . A Segunda diz que o gado foi introduzido por um aventureiro chamado Gaeta, que trouxe para o Rio Grande, sete vacas e um touro de São Vicente. De qualquer modo, as duas versões dizem que existia gado em torno das missões jesuíticas, em virtude dos pastos planos e fartos, do clima ameno e da quantidade de água.
A atividade criadora foi impulsionada no século XVIII, pela atividade mineradora em Minas, Mato Grosso e Goiás, aumentado o mercado consumidor de carne. Assim muitos paulistas levaram o gado para as pastagens virgens do Rio Grande do Sul, onde o gado era aprisionado, amansado e engordado. Assim foram formadas as estâncias, grandes fazendas criadoras de gado, com trabalho livre do peão.

1 comentários:

Mônica disse...

Dan
O papai adorava estes cantores sertanejos.
Nós viajavamos ao som de radio e papai procurava só radios que tinham musica caipira.
No inicio eu detestava mas depois sou uma verdadeira apaixonada pelas musicas caipiras do tempo do papai.
Hoje elas estão muito instrumentalizadas.
com amizade e carinho d e Monica
A história é uma grande história e cultura