Poucos e Tudo

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Alice

Alice caiu por um burraco!
Desceu, desceu e desceu...
Foi dar numa toca. Entrada de um tunel, um caminho. Para onde?
Mundo novo. Alice nao conhecia.
Tinha robô, tinha computador, tinha telefone celular, tinha televisão que parecia cinema. Muitos acontecimentos passaram a se encadear. Estava cansada de tanta monotonia, todo dia reclamava de fazer a mesma coisa. E de repente coisas rápidas, que nem teve tempo de pensar.
Alice que estava acostumada com o tempo do vento, da chuva, da neve e do sol, agora tinha de viver com o tempo do relógio.
Alice se desesperou. Chorou. O que fazer? Quero voltar para a realidade. Minha realidade.
Sempre foi mandona.
Sempre foi criativa.
Sempre foi tagarela.
Sempre foi alegre.
Agora infeliz, nao consegue criar.
A um tempo atrás conversava com os bichos, adora seu gatinho, agora não tem bichos ao natural, só de lata, animais criados pelo homem, mas não consebidos.
Alice do espelho.
Passava os dias e ela não sorria mais. Entrou em profunda tristeza. Lembrava dos tempos dos peixinhos no aquário. Alice desolada.
Precisava descobrir a melhor maneira de viver.
Ficava sentada, de olhos fechados, pensava que queria voltar para os tempo das maravilhas. Queria sair de sua realidade sem graça, cheia de máquinas. Queria o capim agitado. O cheiro do ar. Queria ouvir os choros do bebê. Queria passear pelo quintal da fazenda, ouvir o mugido da vaca. O clamor confuso de seus sonhos. Ter o coração simples e carinhoso de sua infância.
Alice da imaginação...
Alice brilhante e curiosa.
Alice com muitas histórias estranhas.
Alice que queria a volta dos dias felizes do verão.

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