Uma vez assisti a uma entrevista de João Marcelo Bôscoli, filho de Elis Regina, dizendo mais ou menos assim, “para os artistas, às vezes era bom morrerem cedo, pois não entrariam em decadência”, citando o caso de sua mãe. Lógico que escrevo mais como fã, não a conheci pessoalmente, mas acho que a decadência nunca viria para Elis. Explico: seu apelido era pimentinha, e como pimenta iria arder para sempre, sempre se renovando e evoluindo, como sempre aconteceu em sua carreira, tinha espírito transformador e na minha analise de fã, saberia acompanhar o desenvolvimento do mundo. Acredito que não iria se acomodar. Mas isso é apenas elucubração, pois a maior cantora brasileira morreu em 1982 aos 37 anos de idade.
Na quinta-feira passada, dia 19 de janeiro de 2011, a morte de Elis Regina completou 30 anos.
Elis era completa, atrevida e extremamente transformadora, nunca houve no Brasil, cantora como ela, aventurou-se por muitos gêneros; da MPB, passando pela bossa nova, o samba, o rock ao jazz. Surgiu dos festivais de música na década de 1960 e mostrava interesse em desenvolver seu talento através de apresentações dramáticas. Seu estilo era altamente influenciado pelos cantores do rádio, especialmente Ângela Maria, e a fez ser a grande revelação do festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou "Arrastão" de Vinicius de Moraes e Edu Lobo. Tal feito lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da TV. Enquanto outras cantoras contemporâneas como Maria Bethânia haviam se especializado e surgido em teatros, ela deu preferência aos rádios e televisões.
Lembro dela no show do antigo Teatro Bandeirantes, “Falso Brilhante”, assisti uma pancada de vezes e seu disco foi furado pela minha vitrola. Ao longo de toda sua carreira registrou momentos de felicidade, amor, tristeza, patriotismo e ditadura militar no país. Lançou compositores novos como: Guilherme Arantes, Ivan Lins, Renato Teixeira, Aldir Blanc, João Bosco e Milton Nascimento, impulsionando-os no cenário musical brasileiro.
Faleceu devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, e bebida alcoólica. O laudo médico foi elaborado por José Luiz Lourenço e Chibly Hadad, sendo o diretor do IML Harry Shibata, médico conhecido por seu envolvimento no caso do jornalista Vladimir Herzog .



2 comentários:
Pois é para quem a conheceu é de ficar realmente na lembrança e curtir a saudade, o que foi declarado pelo filho realmente é de se refletir, pois sempre são esquecidos e caem em decadências os famosos que ficam velhos.
O povo deixa as margens do esquecimento.
Parabéns pela boa matéria.
Lá no Lu Cidreira também deixei minha homenagem a Elis e a Nara Leão que nasceu neste dia.
Abraço
Oi Dan! Sem dúvida, a Elis Regina foi uma grande estrela. Não acompanhei sua carreira, justamente no ano em que ela morreu eu tinha apenas cinco anos. Eu lembro de meu pai ter comprado a revista sobre a sua precoce ida para o andar de cima. Bela homenagem. Abraços e ótima semana!
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