Poucos e Tudo

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Onde Está?

- Mãe, você viu meu estojo?
- Biê, você precisa cuidar de suas coisas!
- Como posso ir para a escola sem o estojo?
- Procure meu filho. Você vive largando as coisas por ai!
- Porcaria! Quando preciso de alguma coisa, eu não acho.
- Se você tivesse ordem, isso não acontecia.
- Totó você pegou meu estojo?
- Não!
- Totó não minta!
- Por que eu iria pegar aquela porcaria?
- Porcaria nada! É do Corinthians.
- Aquele timinho! Bom é o Palmeiras.
- Totó vou te dar um soco.
- Biê para com isso! Não brigue com seu irmão.
- Foi ele mãe. Foi ele que pegou meu estojo. Só porque o time dele não ganha nada, tem ciúmes do meu.
- Tenho não e não pequei aquela droga de estojo.
- Pegou sim.
- Pequei não.
- Os dois querem ir para a escola levando umas palmadas?
- Foi o Biê que começou!
- Biê, fique calmo, assim você não vai achar nada.
- Mas mãe, ele estava aqui.
- Biê você precisa tomar conta de suas coisas.
- Eu tomo mãe. Juro que tomo.
- Não sei não meu filho, ontem foi o apontador, hoje o estojo.
- E também me culpou.
- CALA A BOCA!
- E estava jogado num canto do quarto.
- Foi você que jogou ele lá.
- Mentira!
- Vem Biê vamos procurar seu estojo.
- Oh mãe, obrigado.
E procura, procura, procura...
- Tá vendo mãe, o Totô escondeu.
- Não escondi.
- Desculpe dona Márcia, mas vocês estão procurando aquele estojo do glorioso Corinthians.
- É Lola! Mas o Totô escondeu.
- Escondeu nada, Biê, o estojo está comigo.
- O que?
- É estava jogado na casinha do cachorro. Fui limpar o terraço e achei.
- Meu Deus! Lembrei! Fui brincar com o Tommy e levei o estojo.
- Biê, você arma uma confusão, culpa seu irmão e agora faz essa cara de besta.
- Puxa mãe! Desculpa!
- Desculpa! Você tem de ser mais calmo e organizado. Dá próxima vez Lola, não pegue o estojo ou qualquer outra coisa do Biê, ele vai procurar sozinho, sem nenhuma ajuda.
- Pô mãe, não precisa ficar brava.
- Precisa sim. De agora em diante ou você vai se organizar ou vai perder todas as suas coisas. E eu não vou comprar outras.
- Mãe!
- Você está de castigo, depois da escola!
- Não!
- Sim! Se não vai por bem, vai por mal. 


sábado, 26 de novembro de 2011

Sentimental

Um dia meu pai me disse:
Você é muito sentimental
Assim você vai sofrer muito
Nesta vida
Fui embora
Caminhei o mundo
Vi grandes injustiças
Sofri...

a vida sentimental...
tom sentimental...
dada ao sentimentalismo...
sentimentalista de profissão...

Caminhei o mundo
Abri caminhos
Encontrei pessoas
Sofri...
Engoli tradições
Andei na diagonal
Trabalho intelectual, mental
DDA

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dois idiotas sentados cada qual no seu barril...

Quando dava aula em colégios, eu sempre costumava dizer que o mundo nas vésperas da primeira guerra mundial estava sentado num barril de pólvoras...
...encontrei este livro que mostra isso para as crianças...




quarta-feira, 23 de novembro de 2011

DIA DO MÚSICO

A música é feita por músicos e ontem foi o dia deles. Parabéns!


Os músicos ou musicistas são artistas, eles têm o dom de tocar instrumentos, compor melodias, harmonias e de fazer canções que durante toda a nossa vida serão muito importantes.
Meu netinho adora música, é só tocar e ele abre aqueles olhões, que só ele tem, faz cara de malandro e acompanha...



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cavalo de Tróia

Tempo dos homens e tempo dos deuses. 
A guerra já se arrastava por dez anos.
As muralhas de Tróia eram intransponíveis, os gregos desanimados. Então Ulisses, o mais inteligente dos generais, pensou num plano...
Dos muros da cidade, os troianos viram a esquadra grega se afastando, iam embora, desistiram, a paz se anunciava, de novo a vida normal. De repente notaram o presente de grego, o enorme cavalo de madeira. As portas foram abertas, enquanto os homens puxavam a estátua, mulheres e crianças entoavam hinos aos deuses. O cavalo foi colocado bem no centro da cidade. Comemoraram, se embriagaram com a vitória, dormiram rapidamente.
Na calada da noite a esquadra grega volta. Os homens escondidos dentro da estatua de madeira, abrem as portas da cidade, o exercito grego entra antes dos troianos se darem conta da situação, tomando habitação por habitação. Por fim o palácio do rei foi invadido e incendiado.
Os gregos com sua astúcia venceram. A Tróia somente a dor da derrota. Depois de tantos anos de cerco e combates, finalmente a cidade caiu. Os vencedores não se contentam em derrotá-la e assaltá-la. Queimam tudo que vem pela frente, matam os homens, escravizam as mulheres.
Agora sim; estava terminada a mais longa, desastrosa e violenta guerra daqueles tempos, uma guerra que acabou com uma das mais importantes civilizações, para dar florescimento às cidades gregas. 
Mas os deuses de Tróia tinham planos de vingança...


domingo, 20 de novembro de 2011

Uma idéia anarquista

Edgar Rodrigues é lembrado por sua ampla militância em favor da preservação da memória e das biografias no âmbito do movimento anarquista. Um dos principais responsáveis pela documentação e publicação de boa parte da história recente do sindicalismo e anarquismo em Portugal e no Brasil. Nascido em Portugal e radicado no Brasil desde 1951, ano em que deixou seu país natal escapando da perseguição ditatorial de Salazar.

“Pensar é um direito intransferível e inalienável do ser humano, e é baseado nessa premissa que certo filósofo preconizava viver numa sociedade de homens capazes de se autodirigirem, de se autogovernarem pela união das forças intelectuais, trabalhadores e criadores de uma nova ordem social com liberdade.
A sua doutrina, catecismo do "imaginário paraíso", segundo a sua concepção, não aceitava o princípio do assalariado e da mais-valia. Tão pouco permitia a existência de trabalhadores e patrões, dirigentes e dirigidos, mandantes e mandados, senhores e escravos. Todos seriam auto-suficientes, produtores e consumidores, livres, iguais!
Os princípios fundamentais, as idéias mestras do filósofo, sobre as quais construiria a nova sociedade, baseavam-se numa ordem generosa e positiva, com sentimentos e ações, de equilíbrio nos movimentos e atitudes, na harmonia que funde o homem e a natureza, que humaniza e forma personalidades retas, caracteres e cidadãos justos, capazes de produzir e participar, dar e receber.
Era uma filosofia sem vínculos religiosos nem político, partia das premissas de renovação, libertárias e antidogmáticas. Para esse "sonhador", as idéias tinham que ser provadas, e a vida era o exemplo de uma lição no seu mais amplo e puro sentido. Não aceitava conceitos aprioristicos, e descria da infalibilidade. Para ele tudo era relativo. Sua fundamental razão doutrinária apoiava-se na liberdade com responsabilidade, conceito humanista de vida, feito pacto consciente à margem da tutela de qualquer espécie, partindo do indivíduo, da associação voluntária, para atingir a sociedade de autogestão, livre de falsos intermediários. O filósofo aceitava a transformação bem acabada como fonte de sabedoria, manancial da bondade; a história pela importância de recolher e analisar as experiências vividas, e como guia admirável, a razão na busca da verdade.
O individuo era a base fundamental da sua sociedade! A convivência social e fraterna processava-se pelo livre-acordo, e a proteção recíproca, pelo apoio e ajuda mútuos, veículo conservador e propulsor da espécie. A união das energias e o entendimento dos homens da comunidade, residiam no esforço que garantia a sobrevivência, e que defendia os direitos de cada individuo em participar, e da sociedade em geral. A idéia mestra da "Nova Sociedade", partia da natureza, princípio e fim de todas as coisas, consubstanciadas pela liberdade, pelo livre-acordo, verdadeira razão da vida. Segundo sua filosofia, o homem é um atleta sempre em luta por melhores dias no sentido evolutivo, e jamais deixará de ser, daí o não admitir a regressão por desejar sempre mais além da liberdade, a liberdade!
Entendia que o ser humano é um ser sociável e como tal propende a unir-se, a associar-se, porque só unido e associado, se sente seguro. O homem jamais desejou viver isolado, nem fora do seu mundo porque faz parte dele. E por ser um componente da sociedade, o individuo tende, fatalmente a ser um associado da comunidade humana.
Sem deixar de ser um mundo de idéias "novas" humanitaristas, uma corrente científica, intelectual e ética, perfeitamente definidas doutrinariamente, a sociedade ou organização, isto é, a "Nova Sociedade" do filósofo, prevê uma nova concepção econômico-social que estabelece a livre associação dos organismos naturais do trabalho. Suas tarefas quotidianas processar-se-iam por meio da cooperação voluntária, da responsabilidade individual e coletiva, isso é, por meio de uma coordenação e administração do esforço manual e intelectual objetivando produzir com o máximo da perfeição e da beleza.
Propõe-se o nosso filósofo restabelecer a felicidade dos povos, instaurando uma Federação de Comunidades Livres, unidas por interesses sociais, econômicos, artísticos e culturais, sempre resolvidos mediante acordos mútuos, sem imposições nem intenções dominantes. O livre contrato, a tolerância recíproca e o desejo de auto-gestão, seriam princípios e finalidades convertidas em táticas de luta pela conquista das riquezas naturais e da produção que o trabalho livre proporcionaria. E as riquezas resultantes desse esforço conjunto, coletivo, de produtores, seriam postas a disposição da nova sociedade, isso é, dos seus mutuários que distribuiriam a cada um dos seus membros e segundo as suas necessidades.
Em cada fase da nova comunidade, para o futuro progressivo resultante dos periódicos acordos mútuos, o filósofo apunha que "tudo dependia da capacidade e da visão dos seus componentes unidos num ideal universalista!"
Sem riquezas nem patrimônios individuais, a comunidade não permitiria que em nome do maior saber ou da esperteza, nem mesmo de organismos de trabalho livre e federado, pudesse um dos membros explorar outro. A sociedade cuidaria desses problemas como da saúde dos mutualistas, para garantir o princípio racional da igualdade de direitos e de idênticos propósitos de deveres de todos e de cada um.
Em síntese: não cria um sistema perfeito, já que por princípio rechaçava todos os esquemas e conceitos de caráter absoluto, mas seria a doutrina constante do aperfeiçoamento. Não teria uma meta definitiva, porque percebia a variedade da natureza, a necessidade do progresso, do aprimoramento de todos os campos do conhecimento humano e da busca de novas formas de vida. Mas era uma permanente perspectiva aberta de dia-a-dia, ao viver humano, sem formas dogmáticas, sujeita à liberdade não tinha o sabor do abstrato, mas do zarcão (?) social só podem ser transitórias, porque tudo é mutável, menos a vida, que se transmite de gerações para gerações. Evoluir até alcançar um estágio amplo, dentro da liberdade, da igualdade e do amor fraterno, era a sua obsessão. Para o filósofo, a liberdade não tinha o sabor do abstrato mas do concreto, que permitia o desenvolvimento da capacidade na criatura humana, que fomenta e desperta a grandeza dos sentimentos de solidariedade entre os povos, que modela o caráter e cultiva o amor ao próximo como a si mesmo! Só a liberdade, segundo a sua concepção ideológica, movimenta os homens no sentido de buscar belos e harmoniosos estágios de justiça social, porque liberdade era a alma, era a luz da sua idéia”.
(Edgar Rodrigues - texto extraído de ABC do Anarquismo, Edição:Assírio/Alvim)

sábado, 19 de novembro de 2011

Lambuzados

- Vocês estão todos lambuzados.
- Hum! Bom mesmo vô!
- Tem chocolate pela cozinha toda!
- Estamos fazendo e comendo brigadeiro!
- Só se for briga de brigadeiros. Que bagunça!
- Não foi briga não! Foi guerra! A gente fez e jogou.
- Olhem para a Nanda, toda sujinha.
- Vô ela é pequena, foi a que mais levou!
- Mas vô, ela gostou, veja como está contente.
- Esse brigadeiro tava bom.
- Ai meu Deus! Eu só fui tirar um cochilo!
- Vamos fazer mais!
- Não! Eu só quero limpar essa bagunça, antes da sua vó chegar, senão...
- Pode deixar vô, nós ajudamos. E vai rapidinho.
Depois de um tempo...
- Agora todo mundo pro chuveiro. Tenho de limpar vocês!
- Oba guerra no chuveiro!
- Vamos turma!
- Não, todo mundo em fila. Atrás do vovô. Não quero bagunça no banheiro.
- Depois a gente limpa.
- É vô, somos grandes limpadores.
- São grandes bagunceiros! Isso sim!
Depois de um tempo...
- Pronto todo mundo cheirosinho. Agora vamos pra sala.
- Fazer o que?
- Esperar a vovó. Todo mundo quietinho.
- Ah que droga.
- É vô, queremos brincar.
- Quero me sujar mais!
- Depois do banho?
- Gosto de ficar sujo!
- Não, não, vamos à sala e conto uma História.
- Hum! Quero brincar!
- Isso vamos pisar na lama!
- Gente, por favor, o vovô tá velhinho, não pode correr atrás da gente.
- Velhinho é a vó! Vamos andar de bicicleta!
- Oba!
Depois de um tempo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

L'univers, les dieux, les hommes

Jean-Pierre Vernant foi antes de qualquer coisa um pensador ligado no seu tempo, historiador e antropólogo francês, especialista na Grécia Antiga, particularmente na mitologia grega. Foi professor honorário do Collège de France. “O Universo, os deuses e os homens”, reúne algumas das histórias mais belas a Antiguidade grega. Um livro especial que nos leva a um mundo fantástico cheio de vida e cores.


“Era uma vez... Esse era o título que inicialmente pensei em dar a este livro. Afinal, preferi substituí-lo por outro mais explícito. Mas, no início desta obra, não posso deixar de mencionar a recordação que o primeiro título evocava e que está na origem dos textos que se seguem.
Há um quarto de século, quando meu neto era criança e passava férias com minha mulher e comigo, estabeleceu-se entre nós uma regra tão imperiosa quanto o banho e as refeições: toda noite, quando chegava a hora de Julien ir para a cama, eu o ouvia me chamar de seu quarto, quase sempre com impaciência: "Jipé, a história, a história!': Eu ia me sentar perto dele e lhe contava uma lenda grega. Encontrava-a facilmente no repertório de mitos que eu passava meu tempo a analisar, destrinchar, comparar, interpretar, a fim de tentar compreendê-los. Mas os transmitia de outra forma, de chofre, como me vinham à cabeça, à maneira de um conto de fadas, sem outra preocupação além de seguir o curso de minha narrativa do início ao fim, o fio do relato em sua tensão dramática: era uma vez... Julien parecia feliz. Eu também. Alegrava-me passar-lhe diretamente um pouco desse universo grego ao qual sou afeiçoado e cuja sobrevivência em cada um de nós me parece, no mundo de hoje, mais que nunca necessária. Também me alegrava que essa herança chegasse até ele oralmente, na forma do que Platão chama de fábulas de ama-de-leite, como aquilo que se passa de uma geração a outra, fora de qualquer ensino oficial, sem transitar pelos livros, para formar uma bagagem de comportamentos e saberes "fora do texto": regras de boa conduta para falar e agir, bons costumes, técnicas corporais, estilos de marcha, corrida, nado, bicicleta,escalada...”
(Jean-Pierre Vernant - O Universo, os deuses e os homens – Companhia das Letras).

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Vincent...

Um pintor genial cuja criatividade só foi reconhecida após sua morte. Passou fome, frio, viveu em barracos, conhecendo a miséria. 
Em maio de 1990, uma de suas mais conhecidas obras, "O Retrato de Dr. Gachet", pintado um século antes, justamente no ano de sua morte, foi comercializado por US$ 82,5 milhões. 
Maior expoente do pós-impressionismo, ao lado de Paul Gauguin e Paul Cézanne.
Vicent Willen Van Gogh, foi sempre sustentado pelo irmão Theodorus, com quem trocou mais de 750 correspondências, documentos fundamentais para um estudo mais aprofundado de sua arte. Na sua fase mais produtiva (1880/90), Van Gogh foi completamente ignorado pela crítica e pelos artistas. Atualmente, os seus quadros estão entre os mais caros do mundo.






terça-feira, 15 de novembro de 2011

Saudades


Existem coisas que não sabemos explicar.
Abstratas...
O ser humano inventou o abstrato e não sabe como trabalhar com ele. Confunde, embaralha, sente medo, mas a criação fica. Por si, remoendo entranhas...
Abstrato, consciência, dor, aquilo que não se tem como chegar. Aquilo que não existe, se fecha dentro dele mesmo, uma qualidade, ação, ou estado, que não se prende à representação da realidade tangível.
Saudade é uma abstração: ausência física, ausência da voz e do cheiro, das risadas e do piscar de olhos...
Saudade, abstração de minha cabeça que faz as coisas parar no tempo...
Desperdício, choro e náusea.
Outro dia a tristeza veio com ela à saudade.
Como abstrata, nem sei explicar o que é.
É simplesmente é.
Arrasa por dentro, fazendo seu trabalho de angustia, de sentimentos que não consigo explicar. Caminhar no vazio.
Recolher dentro de si. Esquecer da alegria. Desligar a luz que mora dentro de mim.
Aos olhos da saudade o mundo é pequeno, o passado nunca passou.
Enfim...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Tristeza

Como as pessoas nos magoam
Precisamos nos esconder
De vez em quando é bom
Escolher quem nos ama

Sentimentos escondidos
Que explodem
Financiando a dor
Escolher pessoas que valem a pena amar

Deixar de lado os falsos
Recolher para uma vida saudável
Esquecer a dor
Tirar do peito essa angustia

Abatimento
Aflição
Melancolia
Consternação

Vem a saudade
De dias que não voltam
De pessoas que foram embora
Coisas que passaram

Passado de alguém ou de algo
Reações físicas como depressão
Perda do que se tinha de muito valor
Impulsão do desespero

Emoção potente
Independe da vontade
Prática impossível
Como concreto armado

Saudade
Recolhimento
Desespero
Dor

Resultado da maldade
Sem fim
Escuridão...
dda

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

o ser e o não ser...

Esqueci do tempo. Das coisas que vivi, tão perto, tão longe. Esqueci do tempo, das artes de menino, do bonde, do andar de ônibus. Esqueci do tempo, perdi as horas, perdi e vivi. Tempo, inerente ao ser. Sentido, ocorrência de eventos, com variadas variáveis. Esqueci de tudo. Do seu olhar, de seu jeito, de sua forma. Esqueci de viver, procurei, mas esqueci de te encontrar. Ilusão de ótica sensação de certos dias.
Esqueci do tempo, da História. Esqueci de fazer minha Historia. No cérebro, esqueci que ainda há muito por se descobrir. Transformações de nossa percepção. Como Platão: o “ser” e o “não ser”, faz parte das sensações irracionais, porque dependem essencialmente de cada pessoa, platonicamente irreal. Processos, eventos, origem das investigações, os elementos de nossa existência, realizações dos antepassados. Registros, o que ficou na cabeça, o que foi escrito.
Esqueci de mim, esqueci do ser, esqueci de escrever para alguém. Perdi meu tempo. Divaguei, procurei o passado, perdi as respostas do presente. A História é uma simples sombra que passa, cheia de ruídos, é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo. Emoções que saem por de dentro da gente, não é mais do que um episódio na vida dos homens...
Esqueci do tempo, me perdi em devaneios...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Muro...


Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro provocou a morte a 80 pessoas identificadas, 112 ficaram feridas e milhares aprisionados nas diversas tentativas de atravessá-lo.
Durante 28 anos, de 1961 a 1989, a população de Berlim, com mais de três milhões de pessoas padeceram de uma experiência ímpar na história moderna: viu a cidade ser dividida. Situação de verdadeira esquizofrenia geopolítica que a cortou em duas partes, cada uma delas governada por regimes políticos ideologicamente inimigos. Absurdo provocado pela guerra fria. Símbolo da rivalidade entre Leste e Oeste.






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

...saudades...

O amor calcula as horas por meses, e os dias por anos; e cada pequena ausência é uma eternidade”. John Dryden

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...” Mário Quintana

Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos”. Bob Marley





Precisa dizer mais...
Tô cum saudades deste molequinho...

domingo, 6 de novembro de 2011

A Aventura de Alice...

Charles Lutwidge Dodgson, acordou naquela manhã de verão em 1862 e se preparou para um passeio de barco pelo rio Tamisa, com o amigo Robinson Duckworth, já programado, o que ele não sabia é que ele durante o passeio ia nascer um dos maiores clássicos infantis de todos os tempos. No barco encontra as filhas de Henry George Liddell, o vice-chanceler da Universidade de Oxford e decano da Igreja de Cristo, bem como diretor da escola de Westminster, Lorina Charlotte, Edith Mary e Alice Pleasance Liddell e lhes conta uma história de improviso para entretê-las. Essa história imprevista deu origem, a 26 de Novembro de 1864, ao manuscrito de Alice Debaixo da Terra (título original Alice's Adventures Under Ground) com a finalidade de oferecer a Alice Pleasance Liddell a história transcrita para o papel.
Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald (também escritor de literatura infantil), decidiu publicar o livro, sob o pseudônimo Lewis Carroll mudando a versão original, acrescentando as cenas do Gato de Cheshire e do Chapeleiro Louco (ou Chapeleiro Maluco). Em 4 de Julho de 1865 (precisamente três anos após a viagem) a história de Dodgson foi publicada na forma como é conhecida hoje. O livro revela uma lógica do absurdo característica dos sonhos. Este está repleto de alusões satíricas dirigidas tanto aos seus amigos como aos inimigos e faz uma série de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e também de referências linguísticas e matemáticas frequentemente através de enigmas que contribuíram para a sua popularidade. É assim uma obra de difícil interpretação, pois contém dois livros num só texto: um para crianças e outro para adultos.
Em 1998, a primeira impressão do livro (que fora rejeitada) foi leiloada por 1,5 milhão de dólares americanos.


"Alice estava justamente começando a pensar:
-E agora, o que é que eu faço com esta criatura, quando chegar em casa?
Nesse momento, ele grunhiu tão forte outra vez, que ela olhou assustada. Agora não podia haver dúvida: era exatamente um porco, nada mais, nada menos. E ela achou que era um absurdo total continuar a carregar um porco no colo por aí afora.
Então botou o bicho no chão, e viu, com alívio, que ele saiu trotando calmamente em direção ao bosque.
-Se tivesse crescido daquele jeito, disse ela para si mesma, ia acabar virando uma criança horrorosa. Mas acho que até que ficou um porco bem bonitinho.
E começou a pensar em outras crianças que conhecerá: que podiam muito bem virar porcos também, e estava justamente pensando "se a gente ao menos soubesse como fazer para eles se transformarem...", quando quase levou um susto, ao ver o Gato de
Cheshire sentado no galho de uma árvore a poucos metros dali.
O Gato deu um sorriso quando viu Alice. Parecia bem-humorado, pensou ela. Mas tinha garras muito longas e um montão de dentes, por isso ela achou melhor tratar com todo respeito.
-Gatinho de Cheshire... ,começou, timidamente, sem saber se ele ia gostar do nome, mas ele ainda sorriu mais.
"Bom, até agora, acho que ele está gostando", pensou ela.
E continuou:
-Por favor, poderia me dizer qual o caminho para eu sair daqui?
-Depende muito de para onde você quer ir, disse o Gato.
-Não importa muito para onde... disse Alice.
-Então não importa muito o caminho, disse o Gato.
-.... desde que eu chegue a algum lugar, acrescentou Alice, explicando.
-Ah, mas com toda a certeza, você chega, disse o Gato, se caminhar bastante.
Alice sentiu que não dava para negar isso, então tentou perguntar outra coisa:
-Que tipo de gente mora aqui por perto?"
(Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas – Editora Ática, 2010).

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um Safári na Tanzânia

Cores, luzes, desenhos, linda escrita, sol que reluz, África, Tanzânia...
Obra de Laurie Krebs e ilustrado por Julia Cairns, que leva as crianças a passearem, correrem e conhecer os campos desse país tão pouco divulgado.
Comprei uma vez para a Vera para ela ensinar aos seus alunos sobre costumes tão pouco divulgados.