Poucos e Tudo

quinta-feira, 31 de março de 2011

Tennessee Williams


"Descobri na escrita uma fuga de um mundo real no qual me sentia profundamente desconfortável".

Neste ano de 2011, estamos comemorando o centenário do dramaturgo Tennessee Williams, nascido em 26 de março de 1911, vencedor do Prêmio Pulitzer por A Streetcar Named Desire em 1948 e por Cat on a Hot Tin Roof em 1955. Suas peças The Glass Menagerie (1945) e The Night of the Iguana (1961) receberam o Prêmio New York Drama Critics' Circle. Sua peça The Rose Tattoo, de 1952, recebeu o Tony Award de melhor peça. Em 1980, foi presenteado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente Jimmy Carter. Seu verdadeiro nome era Thomas Lanier Williams e se tornou um dos mais importantes autores do teatro pós-II Guerra Mundial.
Em 1938 licencia-se em arte dramática pela Universidade de Iowa. Estréia na Broadway, em 1945, com À Margem da Vida, sobre a decadência de uma aristocrática família do sul dos EUA. Dois anos mais tarde escreve Um Bonde Chamado Desejo, que lhe vale o Prêmio Pulitzer. Com diálogos poéticos e cheios de simbolismo, explora temas como sexualidade reprimida, desejo, culpa, decadência, nostalgia e sensualidade.
Quase toda sua obra foi adaptada para o cinema. Em 1969 sofre um colapso motivado pelo alcoolismo e pelo uso exagerado de tranqüilizantes. Suas obras posteriores a esse fato não têm a mesma criatividade nem obtêm sucesso igual ao das anteriores. Williams morreu após ter se engasgado com uma tampa de garrafa em seu quarto no Hotel Elysee, em Nova York. O relatório policial sugeriu que o uso de drogas e de álcool contribui para sua morte. Drogas como barbitúricos e álcool foram encontradas em seu quarto, o que pode ter diminuído seus reflexos. O funeral de Williams foi em 3 de março de 1983, no St. Malachy's Roman Catholic Church, em Nova York, e foi enterrado no Calvary Cemetery, em St. Louis, Missouri. Williams falara diversas vezes a seus amigos que gostaria de ser sepultado no mar, aproximadamente no mesmo local do poeta Hart Crane, que considerava o seu maior influenciador.

"Todos moramos numa casa em chamas.
Não podemos ligar para os bombeiros, não temos saída...
Só podemos olhar pela janela do andar superior,
enquanto o fogo queima a casa e nós ficamos presos,,,
trancados!"


quarta-feira, 30 de março de 2011

Palmada






Não dê palmadas nas crianças,ensine inteligência emocional. Sinta deixe elas explorarerem suas razões.Os mais novos devem cumprir tarefas e sentir-se integrados no núcleo familiar. As crianças devem ser encorajadas a assumir as responsabilidades dos seus atos.Não grite, fale com as crianças muito e desde bem cedo.
Dê o exemplo, tanto nos comportamentos, como na linguagem e nas regras.
Conte histórias. 
Cure a razão, não o sintoma. A indisciplina pode ser um sinal de que algo não está bem. Proibi-los de jogar PlayStation ou ver televisão durante uma semana pode não ajudar nada. Perceba a razão por trás do comportamento. Não seja amiguinha/o, às vezes é preciso tomar decisões difíceis e impopulares.
Ouça, ouça e volte a ouvir. Seja bom ouvinte, arranje tempo para falar e sobretudo para ouvir. É uma boa forma de compreendê-los.
Ajude a lidar com a frustração. É importante ter rotinas e fazer entender que não pode ter tudo o que quer. Cuidado com as expectativas. Não compare, nem exija dos seus filhos aquilo que eles não podem dar.
Ame-os muito. O amor nunca é demais. 
Aproveite todos os bocadinhos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Criança...

Os nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais lhes cedemos, mais exigentes se tornam. A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torná-las felizes. As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo.





"É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias".
Immanuel Kant

segunda-feira, 28 de março de 2011

O Engenho

No período colonial brasileiro, no Nordeste, a figura do senhor de engenho era central do seu grupo familiar. Ele determinava as funções que cada grupo da casa-grande devia desempenhar.
Os filhos homens costumavam passar uns tempos em casas de amigos ou parentes que lhes pudessem transmitir alguns ensinamentos fundamentais. O filho mais velho era orientado para suceder o pai na chefia do engenho. Dentre os demais filhos, um geralmente se tornava padre, outro se formava em Direito pela Universidade de Coimbra em Portugal. O advogado ajudava a transformar em poder político o prestigio da família.
Nessa época, era comum o casamento de moçinhas de quinze anos com homens de cinqüenta e até mais idade. Os namoros e casamentos precisavam da autorização do pai.
Havia casos de escravas que delatavam namoros e encontros das sinhás-moças (filhas) ou sinhás-donas (esposas). Por vezes, essas histórias levavam o senhor a ordenar o assassinato da esposa ou de uma filha.




"0 engenho do açúcar, com seus vários edifícios para moradia e para instalar o aparelhamento necessário, forma um pequeno aglomerado humano, um núcleo de população. Representa a atividade sedentária que fecunda o solo, amanha a riqueza e lança as raízes da comunidade social. Inicialmente o engenho ocupava apenas uma clareira na floresta: a paisagem primitiva da zona açucareira constituía se de áreas extensas cobertas de espessa vegetação florestal que separavam pequenos espaços onde se agrupavam as construções de tijolos ou de adobe e cal circundadas pelos campos cultivados.
A casa grande, residência do senhor de engenho, é uma vasta e sólida mansão térrea ou em sobrado; distingue se pelo seu estilo arquitetônico sóbrio, mas imponente, que ainda hoje empresta majestade à paisagem rural, nas velhas fazendas de açúcar que a preservaram. Constituía o centro de irradiação de toda a atividade econômica e social da propriedade. A casa grande completava se com a capela, onde se realizavam os ofícios e as cerimônias religiosas [ ... ] Próximo se erguia a senzala, habitação dos escravos, os quais, nos grandes engenhos, podiam alcançar algumas centenas de "peças". Pouco além serpenteava o rio, traçando através da floresta uma via de comunicação vital. 0 rio e o mar se mantiveram, no período colonial, como elementos constantes de preferência para a escolha da situação da grande lavoura. Ambas constituíam as artérias vivificantes: por meio delas o engenho fazia escoar suas safras de açúcar e, por elas, singravam os barcos que conduziam as toras de madeira abatidas na floresta, que alimentavam as fornalhas do engenho, ou a variedade e a multiplicidade de gêneros e artigos manufaturados que o engenho adquiria alhures ( ... )
A casa do engenho abrigava todas as instalações necessárias ao preparo do açúcar. Muitas vezes se repartia em várias construções, algumas isoladas, outras contínuas, cada uma destinada a um ou mais conjuntos de aparelhamentos, de acordo com as funções a que se destinavam. Na casa da moenda permaneciam os tambores movidos a água ou a força animal utilizados para extrair o suco da cana de açúcar. Os engenhos d' água, de maior capacidade produtiva, eram chamados reais, "por terem a realeza de moerem com água, à diferença de outros, que moem com cavalos, e bois, e são menos providos, e aparelhados"
(Canabrava, Alice. In: História Geral da Civilização Brasileira, dir. de Sérgio Buarque de Holanda, Difusão Européia do Livro, São Paulo, 1963, tomo I, vol. 2).


A casa grande era a moradia do dono da fazenda, chamado pelos trabalhadores de senhor de engenho, e de sua família. O senhor era absoluto, tomava as decisões e chefiava toda a família, estabelecendo uma autoridade paterna, conhecida como família patriarcal. Dentro desta estrutura ele tinha o comando e todos o obedeciam. Seu poder era grande, se estendendo à parentes próximos que dependiam dele, trabalhadores livres, filhos ilegítimos, afilhados, agregados e escravos, assim a família era extensa, com um grande número de pessoas. O senhor cuidava dos negócios, era responsável pela preservação e honra familiar e pela política local. Neste sentido notamos a autoridade máxima do marido, tendo a esposa um papel submisso, mais restrito as tarefas da casa e cuidados aos filhos, que obedeciam cegamente ao pai. A filha mulher, geralmente chamada de sinhazinha, quase nunca deixava o engenho, quando chegava na idade de se casar, seu marido era escolhido pelo pai, passando da tutela do pai para a dele, nunca tendo vontade própria.
Por muito tempo os historiadores, acreditaram que este tipo de família era predominante em todo o Brasil colonial, mas estudos recentes mostram que este tipo de família coexistiu com outras e que existiam variações de acordo com as regiões, a família patriarcal predominou no nordeste, e com a situação social da família, os pobres tinham uma organização familiar diferente, menos rígida. Em São Paulo, região mais pobre, pois não estava, totalmente ligada ao comércio metropolitano, a família apresentava uma outra organização, lá não predominava as famílias extensas, compostas por muitos filhos e agregados, e o pai não tinha tanto poder sobre todos, a mulher apesar de ser tutelada, era mais livre, chegando às vezes comandar a família, na ausência do marido.

domingo, 27 de março de 2011

Pezinhos

melhor palco sonoro
medida de comprimento
valor original
polegada...
largura...
regras de calibração
edifício complicado
pé pequeno
vir de mansinho
conseguir o que deseja
pé+z+inho
dda

quarta-feira, 23 de março de 2011

Dois Novos Blogs

Acho que sou um maluco, mas depois de minha operação ganhei novo animo e estou mais ágil, com vontade de realizar coisas novas, assim criei mais dois blogs, para me dar trabalho, juntando com o trabalho que já tenho, dou aulas particulares e na escola. Os alunos particulares começam a chegar este mês e as aulas regulares sempre apresentam uma dedicação muito grande. Não estou escrevendo para me queixar, graças a Deus estou contente e com disposição, às vezes uma coisinha aparece para nos chatear, mas ainda bem que vai embora.
Convido a todos os leitores deste blog para conhecerem o Um Pouco de Clássicos e o Jazz Pouco De Tudo, são muito bons, estou esperando por todos lá.
Abraços.

domingo, 20 de março de 2011

PIERRE-JOSEPH PROUDHON


Proudhon foi precursor do anarquismo. Defendia a diminuição progressiva e sistemática da ação governamental capitalista e religiosa e a progressiva liquidação do Estado. Queria uma sociedade de pequenos produtores livres e iguais, onde os trabalhadores fariam uso do financiamento dos bancos de trocas, sem juros, para comprar os meios de produção. Em seu livro O que é a Propriedade, afirmava que a propriedade privada era um roubo. Com certeza. Divergia em alguns pontos políticos e econômicos com Karl Marx, alimentando várias discussões entre eles.




"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registrada, catalogado em censos, taxada, selada, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade humana! Como pudeste te curvar à tamanha sujeição durante sessenta séculos?"

sexta-feira, 18 de março de 2011

EGITO


Uma “Nova Onda” está acontecendo no norte da África com as revoltas populares, no Egito, na Líbia, Bahrein, Jordânia,Tunísia, Iêmen, Irã, e Iraque. Podemos estar vislumbrando uma época de liberdade. Aqui vamos tratar do caso do Egito, ficando sempre atentos que o processo de transformação ainda não acabou.
O Egito, desde 1981, era governado por Hosni Mubarak que asumiu a presidencia após o assassinato de Anwar Al Sadat, antigo presidente. No início de seu governo, Mubarak começou uma investigação sobre a origem da riqueza da família de Sadat, a fim de neutralizar o descontentamento popular, por outro lado, aprofundava a Infitah, programa de abertura econômica implantado no país a partir de 1973, estabelecendo facilidades para a instalação de empresas estrangeiras, e com isso a participação do capital estrangeiro na economia do país registrou um grande crescimento entre 1980 e 1986.
Em Janeiro de 2000, recomeçou o debate parlamentar sobre o estatuto das mulheres na sociedade egípcia. O governo havia proposto uma alteração no direito de família, que facilitava os trâmites do divórcio para as mulheres e também lhes permitia viajar para o exterior sem a permissão de seus maridos, propostas que foram consideradas não islâmicas pelos setores tradicionalistas, enquanto que grupos que defendiam os interesses das mulheres consideravam tais propostas muito limitadas, pois eram mantidas as obrigações de devolver o dinheiro, propriedades ou os presentes que receberam durante o casamento e também de renunciar à pensão alimentícia.
Em Setembro de 2005 Hosni Mubarak foi reeleito presidente com 88,6% dos votos, para um quinto mandato consecutivo, entretanto, segundo observadores, essas eleições foram marcadas pela fraude e pela intimidação contra a oposição. O Partido do Amanhã, liderado por Ayman Nour, que era considerado a principal força de oposição estava fora da disputa, e, a oposição foi liderada nesse processo pela Irmandade Muçulmana, que apoiou candidatos independentes.
Em março de 2007 foram aprovadas emendas constitucionais que, segundo os observadores, se destinavam a impedir os Irmãos Muçulmanos de ampliar sua participação no parlamento. A alteração criou mais uma barreira para a legalização dos partidos religiosos e concedeu amplos poderes às forças de segurança através de uma cláusula antiterrorismo que lhes deu poderes para controle as comunicações privadas. Em 25 de janeiro de 2011 eclodiram grandes manifestações cujo principal objetivo era a derrubada de Mubarak e no dia 11 de fevereiro de 2011, Mubarak renunciou. 


quinta-feira, 17 de março de 2011

Piratas

Como Inglaterra, França e Holanda, saíram atrasados na Expansão Marítima, o mundo já estava dividido entre Portugal e Espanha. Assim eles contestaram a legitimidade do tratado de Tordesilhas, e foram, em grande parte, responsáveis pela pirataria dos séculos XVI e XVII.
A pirataria em alto mar é uma prática que remota da antigüidade, sendo considerada um crime internacional e o pirata um inimigo comum a todos,. Na época Moderna foi utilizada por estes países, como mecanismo de exploração e de riquezas, pois Portugal e Espanha mandavam no mar. Foi a única forma encontrada para competir com o domínio destes dois países.
Os reis da Inglaterra e França, como os governantes holandeses, oficialmente repudiavam esta prática, mas nos bastidores apoiavam seus piratas.
Os mais famosos piratas da época eram o inglês Francis Drake, que prestou vários serviços à rainha Elizabeth I, sendo por ela agraciado com um titulo de nobreza em 1581, e o francês Nicolau Durand de Villegaingnon, conhecido como o “Pirata do Rei”.



"Pirata" era uma designação muito específica e a distinção entre pirata e corsário era importante, ao menos perante a lei, se não o fosse na prática. Um corsário era um navio armado, ou o comandante e tripulantes de uma embarcação que tivesse licença para atacar e apreender os navios de uma nação hostil. Essa licença assumia a forma de uma "carta de corso". No século XVI, o sistema de licenças fornecia a todas as nações européias de navegação marítima um meio barato de atacar esquadras inimigas em períodos de guerra. A carta de corso era um documento legal relevante e imponente, e o capitão corsário deveria manter um diário de bordo e entregar o navio e as mercadorias confiscadas a um tribunal da Marinha; o soberano pegaria sua parte (ou soberana, no caso da rainha Elizabeth, que sempre demonstrara interesse voraz em tais partilhas de espólio). O restante do saque era dividido entre os donos do navio, capitão e tripulação. Um "pirata", por outro lado, era legalmente definido na Inglaterra desde a época de Henrique VIII como alguém que rouba e saqueia no mar; e as leis contra a pirataria estipulavam punições por "crimes graves, roubos e assassinatos cometidos em qualquer ancoradouro, rio, enseada, ou em qualquer local sob a jurisdição do lorde comandante-chefe".
(Kenneth Maxwell – Chocolate, Piratas e Outros Malandros – Ensaios tropicais – Editora Paz e Terra – 1999). 


sábado, 12 de março de 2011

Coisas da Vida











É tudo imaginário
A concepção e a morte
aquilo que faz com ...

Existência que evolui
Sangue que mata
tragédias de cada lugar...

pressentimento...
encantamento...
sentimento...
opressão...

Inventando gente
Saindo para um passeio
passa como impressões...

Diversas definições
Metafísica
processo constante de relacionamentos...

ressentimento...
artificialmente...
bobamente...
opressão...

Inventando criando descobrindo...
dda



sexta-feira, 11 de março de 2011

Que idéia você tem da História?

A História terá sido escolhida para o currículo do Ensino Básico exatamente pela função importante que tem na orientação do jovem, na aquisição de uma consciência histórica, ou seja pela capacidade de articular o ontem , o hoje e o amanhã, sabendo, ao mesmo tempo, distinguir nesse cenário três campos: o real do imaginário, a permanência da mudança e os tempos de mudança”.
Extraído de: FÉLIX, Noémia, Competências Essenciais do Ensino Básico. O caso da História,p.29, in Competências essenciais do Ensino Básico. Visões Multidisciplinares, n.º23, Cadernos do CRIAP ASA, Abril de 2001.


Que idéia você tem da História? Se fizermos esse pergunta em um estádio de futebol lotado, antes do início de um jogo importante, com certeza a maioria das pessoas, responderia que a História é uma matéria do currículo escolar que estuda o passado. Um passado distante que nada tem a ver com nossa forma de vida.
Para a maioria das pessoas, a História se ocupa apenas do passado, de um passado morto que chega até nós através de livros que registram os fatos históricos. Os responsáveis por estes fatos são os “heróis” “os grandes homens”. Será que a História se limita só a isso? Na verdade essa visão é uma visão ultrapassada da História, quando ela era vista como algo que só dava cultura e erudição às pessoas. A História era vista como algo parado que não podia ser mudado.
Hoje em dia isso está mudando, muitos estudiosos tem uma visão diferente, entendem a História como uma espiral em movimento, que não serve apenas para lembrar fatos ocorridos no passado, mas para entender através da evolução humana nosso presente. De fato, o passado é importante para entendermos nossa vida presente. Como o homem evoluiu ?, quais os seus pensamentos ? como estes pensamentos nos influenciaram ?, etc.
Atualmente, existem concepções mais modernas de História: ela deve preocupar – se com os problemas enfrentados pelos seres humanos nos dias de hoje, para compreender e transformar o seu dia - a - dia. Neste sentido a História não será uma disciplina estática e imutável, ela tende ao movimento e à transformação.
A História se ocupa do homem, do homem em movimento, do homem em transformação, de todos os homens, e não somente dos “ grandes homens”. Todos nós fazemos História. Assim a busca pelo passado tem sentido para compreendermos o presente.
A História se ocupa do Homem, de sua evolução através do tempo; todas as nossas ações estão relacionadas ao tempo. Mas de que tempo estamos falando? Do tempo climático; vai chover ou fazer sol? Não, estamos falando do tempo que abrange a caminhada da humanidade sobre a Terra, durante a qual os seres humanos aprenderam a fabricar instrumentos de trabalho, a controlar o fogo, a domesticar animais, a aprender a plantar, trazendo muita modificação à natureza. É nesse tempo, que todos nós estamos construindo a nossa própria História.
Durante sua existência a humanidade elaborou diferentes maneiras de viver, pensar e de se relacionar. A História preocupa-se fundamentalmente com as várias transformações realizadas pela humanidade, em seu espaço social. Para isso, a História utiliza-se da cronologia, que é uma ciência que estuda as técnicas de medição do tempo e dos vários calendários existentes.


quinta-feira, 10 de março de 2011

O Ladrão de Raios


Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares de São Francisco, é também autor da epopéia literária “Percy Jackson e os Olimpianos” série de seis livros juvenis baseada na mitologia grega. Cada livro nos remete a uma ou mais características de um ou mais mitos.
No primeiro “Percy Jackson e o ladrão de Raios”, o garoto problemático de doze anos descobre ser um semideus, filho de Poseidon e sua vida se transforma da noite para o dia, vivendo uma serie de contratempos e trabalhadas, procurando o raio mestre de Zeus, que foi roubado, sempre com ajuda de seus amigos Annabeth Chase e Grover Underwood. O livro é bem escrito e uma boa iniciação aos adolescentes sobre a cultura grega.


"Olhei para Grover, que assentiu encorajadoramente.
Fácil para ele. Era a mim que Zeus queria matar.
-Está bem -disse eu. -É melhor do que ser transformado em um golfinho.
-Então é hora de você consultar o Oráculo -disse Quíron.
-Vá para cima, Percy Jackson, para o sótão. Quando descer de novo, presumindo que ainda esteja lúcido, conversaremos mais.
Quatro lances acima, a escada terminava embaixo de um alçapão verde.
Puxei o cordão. A porta se abriu e uma escada de madeira caiu ruidosamente no lugar.
O ar morno que vinha de cima cheirava a mofo, madeira podre e mais alguma coisa... um cheiro que me lembrou a aula de biologia. Répteis. O cheiro de serpentes.
Prendi a respiração e subi.
O sótão estava atulhado de sucata de heróis gregos: suportes de armaduras cobertos de teias de aranha; escudos outrora brilhantes cheios de adesivos dizendo ÍTACA, ILHA DE CIRCE e TERRA DAS AMAZONAS. Sobre uma mesa comprida estavam amontoados potes de vidro cheios de coisas em conserva -garras peludas decepadas, enormes olhos amarelos e diversas outras partes de monstros. Um troféu empoeirado na parede parecia ser uma cabeça de serpente gigante, mas com chifres e uma arcada completa de dentes de tubarão. Uma placa dizia: CABEÇA N. 1 DA HIDRA,WOODSIOCK, N. Y., 1969."

terça-feira, 8 de março de 2011

Charles Bukowski

Nascido na Alemanha, filho de um soldado americano, se mudou ainda criança para os EUA com seus pais. Foram primeiro para Baltimore em 1923, mas depois disso se mudaram para o subúrbio de Los Angeles. Foi uma criança atormentada por um pai extremamente autoritário e frustrado, que descontava os seus problemas o espancando pelos motivos mais fúteis. Quando atingiu a adolescência, somou-se a este problema o fato de ter o rosto e toda a parte superior do corpo literalmente tomada por inflamações que o obrigaram a submeter-se a tratamentos médicos no hospital público de sua cidade. Iniciou assim uma vida errante, bebendo em excesso e escrevendo alucinadamente. Os produtos destas noites e mais noites de trabalho eram enviados para as mais diversas publicações literárias independentes dos Estados Unidos, mas quase sempre recusados. A editora da revista Harlequin, Barbara Frye, no entanto, estava convencida de que Bukowski era um gênio. Bukowski tem sido erroneamente identificado com a Geração Beat, por certos temas e estilo correlatos, mas sua vida e obra nunca mostraram essa inclinação. A cidade de Los Angeles, suas ruas e atmosfera, foram sua principal influência, tratando de histórias com temas simples, misturando por exemplo corridas de cavalo, prostitutas e música clássica. Ele escreveu mais de 50 livros, sem contar milhares de publicações baratas.



Poema nos meus 43 anos

Terminar sozinho
no túmulo de um quarto
sem cigarros
nem bebida —
careca como uma lâmpada,
barrigudo,
grisalho,
e feliz por ter
um quarto.

… de manhã
eles estão lá fora
ganhando dinheiro:
juízes, carpinteiros,
encanadores, médicos,
jornaleiros, guardas,
barbeiros, lavadores de carro,
dentistas, floristas,
garçonetes, cozinheiros,
motoristas de táxi…

e você se vira
para o lado esquerdo
pra pegar o sol
nas costas
e não
direto nos olhos.


há um pássaro azul no meu coração

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?


segunda-feira, 7 de março de 2011

Carnaval

Grécia
Ano lunar
Cristianismo da Idade Média
Grande concentração
Desejos populares
Símbolo
Vida efervescente
Desfiles e fantasias
Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro
PARIS
Madrugada


O carnaval começou a se realizar na Grécia Antiga, por volta dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Posteriormente os romanos inseriram bebidas e práticas sexuais na festa, tornando-a intolerável aos olhos da Igreja, que o condenava como coisa pagã, ligado a diversão do Diabo.
Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. A partir daí  a festa passou a ser comemorada através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo, já que fugia das reais origens da festa, como o festejo pela alegria e pelas conquistas.
Em 1545, durante o Concílio de Trento, o carnaval voltou a ser uma festa popular. Em aproximadamente 1723, o carnaval chegou ao Brasil sob influência européia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas de forma semelhante à de hoje. Cada vez mais passou a fazer parte do coditiano brasileiro, sendo grandemente adotada pela população, que o que tornou uma das maiores manifestações culturais do país.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Moacyr Scliar

Morreu neste domingo, dia 27 de fevereiro, o escritor e colunista da Folha Moacyr Sclyar, aos 73 anos de idade. A morte ocorreu à 1h. Segundo o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde ele estava internado, Scliar teve falência múltipla dos órgãos. Sempre foi um dos meus escritores favoritos, dono de uma linguagem clara, criativa e envolvente. Aqui minha homenagem.




Cego e amigo Gedeão à beira da estrada
Moacyr Scliar

— Este que passou agora foi um Volkswagen 1962, não é, amigo Gedeão?
— Não, Cego. Foi um Simca Tufão.
— Um Simca Tufão? ... Ah, sim, é verdade. Um Simca potente. E muito econômico. Conheço o Simca Tufão de longe. Conheço qualquer carro pelo barulho da máquina.
Este que passou agora não foi um Ford?
— Não, Cego. Foi um caminhão Mercedinho.
— Um caminhão Mercedinho! Quem diria! Faz tempo que não passa por aqui um caminhão Mercedinho. Grande caminhão. Forte. Estável nas curvas. Conheço o Mercedinho de longe... Conheço qualquer carro. Sabe há quanto tempo sento à beira desta estrada ouvindo os motores, amigo Gedeão? Doze anos, amigo Gedeão. Doze anos.
É um bocado de tempo, não é, amigo Gedeão? Deu para aprender muita coisa. A respeito de carros, digo. Este que passou não foi um Gordini Teimoso?
— Não, Cego. Foi uma lambreta.
— Uma lambreta... Enganam a gente, estas lambretas. Principalmente quando eles deixam a descarga aberta.
Mas como eu ia dizendo, se há coisa que eu sei fazer é reconhecer automóvel pelo barulho do motor. Também, não é para menos: anos e anos ouvindo!
Esta habilidade de muito me valeu, em certa ocasião... Este que passou não foi um Mercedinho?
— Não, Cego. Foi o ônibus.
— Eu sabia: nunca passam dois Mercedinhos seguidos. Disse só pra chatear. Mas onde é que eu estava? Ah, sim.
Minha habilidade já me foi útil. Quer que eu conte, amigo Gedeão? Pois então conto. Ajuda a matar o tempo, não é? Assim o dia termina mais ligeiro. Gosto mais da noite: é fresquinha, nesta época. Mas como eu ia dizendo: há uns anos atrás mataram um homem a uns dois quilômetros daqui. Um fazendeiro muito rico. Mataram com quinze balaços. Este que passou não foi um Galaxie?
— Não. Foi um Volkswagen 1964.
— Ah, um Volkswagen... Bom carro. Muito econômico. E a caixa de mudanças muito boa. Mas, então, mataram o fazendeiro. Não ouviu falar? Foi um caso muito rumoroso. Quinze balaços! E levaram todo o dinheiro do fazendeiro. Eu, que naquela época já costumava ficar sentado aqui à beira da estrada, ouvi falar no crime, que tinha sido cometido num domingo. Na sexta-feira, o rádio dizia que a polícia nem sabia por onde começar. Este que passou não foi um Candango?
— Não, Cego, não foi um Candango.
— Eu estava certo que era um Candango... Como eu ia contando: na sexta, nem sabiam por onde começar.
Eu ficava sentado aqui, nesta mesma cadeira, pensando, pensando... A gente pensa muito. De modos que fui formando um raciocínio. E achei que devia ajudar a polícia. Pedi ao meu vizinho para avisar ao delegado que eu tinha uma comunicação a fazer. Mas este agora foi um Candango!
— Não, Cego. Foi um Gordini Teimoso.
— Eu seria capaz de jurar que era um Candango. O delegado demorou a falar comigo. De certo pensou: "Um cego? O que pode ter visto um cego?" Estas bobagens, sabe como é, amigo Gedeão. Mesmo assim, apareceu, porque estavam tão atrapalhados que iriam até falar com uma pedra. Veio o delegado e sentou bem aí onde estás, amigo Gedeão. Este agora foi o ônibus?
— Não, Cego. Foi uma camioneta Chevrolet Pavão.
— Boa, esta camioneta, antiga, mas boa. Onde é que eu estava? Ah, sim. Veio o delegado. Perguntei:
"Senhor delegado, a que horas foi cometido o crime?"
— "Mais ou menos às três da tarde, Cego" — respondeu ele. "Então" — disse eu. — "O senhor terá de procurar um Oldsmobile 1927. Este carro tem a surdina furada.
Uma vela de ignição funciona mal. Na frente, viajava um homem muito gordo. Atrás, tenho certeza, mas iam talvez duas ou três pessoas." O delegado estava assombrado. "Como sabe de tudo isto, amigo?" — era só o que ele perguntava. Este que passou não foi um DKW?
— Não, Cego. Foi um Volkswagen.
— Sim. O delegado estava assombrado. "Como sabe de tudo isto?" — "Ora, delegado" — respondi. — "Há anos que sento aqui à beira da estrada ouvindo automóveis passar. Conheço qualquer carro. Sem mais: quando o motor está mal, quando há muito peso na frente, quando há gente no banco de trás. Este carro passou para lá às quinze para as três; e voltou para a cidade às três e quinze." — "Como é que tu sabias das horas?" — perguntou o delegado. — "Ora, delegado"— respondi. — "Se há coisa que eu sei — além de reconhecer os carros pelo barulho do motor — é calcular as horas pela altura do sol." Mesmo duvidando, o delegado foi... Passou um Aero Willys?
— Não, Cego. Foi um Chevrolet.
— O delegado acabou achando o Oldsmobile 1927 com toda a turma dentro. Ficaram tão assombrados que se entregaram sem resistir. O delegado recuperou todo o dinheiro do fazendeiro, e a família me deu uma boa bolada de gratificação. Este que passou foi um Toyota?
— Não, Cego. Foi um Ford 1956.
O texto acima foi publicado no livro "Para Gostar de Ler — Volume 9 — Contos", Editora Ática — São Paulo, 1984, pág. 26.

terça-feira, 1 de março de 2011

A Questão Palestina

Desde a antiguidade, os judeus foram espalhados pelo mundo, pelos romanos, que para acabar com as rebeliões judaicas promoveram a disporá, assim eles se espalharam pelo mundo, principalmente pela Europa. Assim passaram a sofrer uma serie de preconceitos, sendo vitimas do anti – semitismo, movimento que os segregou dos pontos de vista econômico, cultural, social, político e religioso.
No século XIX, a população judaica se concentrava no Leste Europeu, principalmente na Polônia, na Lituânia, na Rússia e na Hungria. Dedicavam –se economicamente ao comercio e às atividades bancarias, emprestando dinheiro a juros. Eram aceitos por estas sociedades, vivendo em harmonia com elas. Mas com o desenvolvimento da Revolução Industrial, o anti – semitismo renasceu nestas sociedades, pois os judeus eram vistos como causa do desemprego e da concorrência entre os empresários, o que levava as populações locais a um elevado grau de miséria. Assim fugindo de perseguições promovidas pelos governantes destes paises, iniciaram um processo de imigração para a Europa Ocidental, onde concorriam com as populações locais, pelo mercado de trabalho.
A situação de andarilhos, foi causando uma certa nostalgia nos judeus e uma vontade de voltar à Palestina, berço do judaísmo, assim o jornalista judeu – austríaco, Teodhor Herzl, criou em 1896, o movimento sionista, com o objetivo de formar uma comunidade internacional neste local. Não pretendiam explorar a mão de obra nativa, mas substitui – la totalmente pela judaica. Em 1896, com a ajuda do banqueiro judeu, Barão de Rothschil, surgiram às primeiras colônias. Em 1897, foi criada na Suíça a Organização Sionista Mundial, que estabeleceu em 1920 um órgão executivo, chamado de Agencia Palestina.
Os judeus, então emigraram para a Palestina, desde o século XIX, apoiados pelos ingleses que por um decreto da Liga das Nações, eram responsáveis administrativamente pela região, mas por outro lado iniciou – se também o conflito com os palestinos, povo de origem árabe que morava na região, bem como com os demais povos árabes.
Durante a 2ª Guerra Mundial, a situação dos judeus se agravou, com a perseguição nazista gerando o Holocausto, aumentando o anseio da volta. Com o fim da Guerra, os ingleses renunciaram à sua jurisdição, deixando para a ONU a responsabilidade de resolver os problemas que existiam na região.
Em 29 de novembro de 1947, a ONU, resolveu dividir a região entre judeus e palestinos, criando na região o Estado de Israel e um Estado Palestino. No dia seguinte os palestinos, que não aceitaram esta decisão, declararam guerra aos judeus, como estavam despreparados para a luta, eles sofreram uma grande derrota, e seu Estado nunca foi fundado, passando a região ao controle e a ocupação dos judeus, iniciando a Questão Palestina.



"A 29 de novembro de 1947, sem consultar a população árabe palestina, a ONU votou um plano de partilha da Palestina em um Estado judeu e outro árabe, com Jerusalém recebendo status internacional. O momento era de especial emoção, já que o Ocidente respirava culpado a morte de 6 milhões de judeus, assassinados, diga-se de passagem, não pelos palestinos, mas pelos desenvolvidos e “civilizados” europeus.
Ben Gurion, líder da Agência Judaica, proclamou a 14 de maio de 1948 a fundação do Estado de Israel. Os árabes, sentindo-se lesados e incitados pelas lideranças feudais, demagógicas, declararam no dia seguinte guerra ao Estado sionista, embora estivessem totalmente despreparados. Mais uma vez, tentando aproveitar-se do caos para manter a influência na região, Londres apoiou os árabes no conflito, enquanto a União Soviética, que tanto combatera o sionismo, solidarizou-se com os judeus, enviando-lhes armas de fabricação tcheca. Na realidade, a preocupação de Moscou era criar um franco de oposição aos ingleses.
Mal equipados, destreinados, os exércitos árabes foram fragorosamente derrotados pelos sionistas. E o Estado de Israel, que pela partilha da ONU deveria ter 14942 km2 (com 497 mil árabes e 498 mil judeus), aumentou para 20 673 km2, ocupando 78% do território palestino (contra 56,47%, previstos pela ONU). Já o Estado palestino, programado para ter 11 203 km2 (42,88% da Palestina), com 725 mil árabes e 10 mil judeus, desapareceu do mapa, antes mesmo de se constituir oficialmente.
Israel anexou 22% a mais do território palestino, a Jordânia se apossou da margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia, com 5 295 km2 ou 20,5% da Palestina), enquanto a Faixa de Gaza (354 km2 ou 1,5%) passou para a administração egípcia. Jerusalém (com 105 mil árabes e 100 mil judeus), a cidade santa de católicos, judeus e muçulmanos, foi dividida entre a Jordânia (setor oriental) e Israel.
O “sonho de Sion” tornou-se, finalmente, realidade. Nesse exato momento começou, também, a diáspora palestina - mais conhecida como a questão palestina."
Helena Sallem - A Questão Palestina