Poucos e Tudo

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"A Bola"














A bola levou um chute, tomou um efeito radical, voou por todo o jardim e defenestrou pela janela da sala de estar.
De repente a cara do pai:
- Nando entra!
E agora, levar uma bronca, levar umas palmadas, ficar de castigo. Que vergonha! Na frente do Willy, seu melhor amigo, que tinha vindo passar com ele o fim de semana no sitio.
- Estou indo pai!
- Nando diz que fui eu!
- Não Willy, a culpa foi minha.
- É, mas comigo seu pai não vai brigar.
- Será? E se ele lhe der umas palmadas?
- Ah eu aquento!
- Apanhar por minha causa! Não! De jeito nenhum!
- Vamos os dois, os dois tem culpa.
- Mas os dois não podem chutar a bola ao mesmo tempo!
- Foi uma dividida!
Esse amor pela bola, que faz a ilusão. Bola, que encanta, redonda, gordinha e bonita. Que faz o jogo elegante quando vai para o gol. Os meninos brigam por ela, querem-na de todo jeito e, quando a possuem, dão-lhe um chute. Chute firme e forte. Chute que atravessa a janela.
- Willy vamos treinar está história direito, senão não vai dar certo!
- Nando entra!
- Tô indo pai!
A vida é como a bola e a bola tem vida. Ela é que comanda as ações. Personagem secundário que vira a principal. A luta pela sua posse. Se for jogada com força, com força agirá. Por isso cuidado! Nunca jogue a bola por sua vida, a bola nós dá o que recebe.
- Oi pai!
- Oi nada! O que é isto?
- Acho que uma bola.
- Acha?
- É tio! É redondinha, parece uma bola.
- E como que isso, que parece uma bola veio parar na sala.
- Pai posso ver? Me dê ela!
- Está aqui!
- Ah é minha bola! Aquela que você me deu. Ta vendo! Tem até o distintivo do Santos.
- É uma bola oficial tio!
- Por falar nisso pai, o Santos joga hoje com o São Paulo.
- Nando não muda de assunto, como essa bola veio parar na sala?
- É que o Willy é são-paulino e...
- Nando, não me tire do sério! Responde o que eu te perguntei!
- Sabe pai, na verdade não sei, acho que está semiviva.
- NANDO!!!!!
- É tio, ela tem reações próprias como bicho, às vezes é difícil controlá-la.
- Pelo menos vocês são criativos, mas pela mentira...
- Pai não estamos mentido. Eu chutei, mas ela tomou suas próprias decisões. Criou um efeito que eu não queria.
- Ah agora estamos chegando a um acordo!
- Espera aí tio, ela tomou um efeito diferente, porque eu dividi a bola com ele.
- E ela quebrou a janela.
- Isso aí!
- Devia por os dois de castigo.
- Tá bom pai!
- Viemos ao sitio para ficarem de castigo?
- Quebramos a janela.
A vida é um eterno jogar bola. Sem ela a vida não tem razão de ser. Lugares – comuns e frases feitas, mas é ela que dá felicidade aos meninos. E essa felicidade os adultos não devem tirar. Como não brincar com a bola?
- Vamos fazer o seguinte, vocês me ajudam a lavar o carro, dar comida para os animais e depois do almoço ajudam a mamãe a lavar os pratos e talheres. Assim pagam pela janela quebrada e estão livres de qualquer castigo.
- Puxa pai, sabia que você era legal!
- Mas vão jogar bola longe de qualquer janela, senão...
- Pode deixar papai.



Ah!Poesia de bola com menino
Ele a chuta ela vai
Ele a ama
E ela o compensa na hora do gol
Ele lhe faz embaixadinhas
E ela lhe dá a felicidade
A cada dia
Ele não cansa
E ela o adora
A bola que corre
O menino que ri
Eterna lembrança
Tempo Feliz

12 comentários:

Café com Bolo disse...

Oi Dan! Estória encantadora com sempre!
Muitos pais deviam ler isso...a gente mesmo quando é mais jovem dá tanto castigo mal dado, na hora errada...quando podia, simplesmente, ensinar de outra maneira... Grande lição de vida!
Abraços!

Cris França disse...

Dan,

Teu coração é único, posso dizer sem medo que poucas vezes li pessoas das quais eu podia sentir a generosidade apenas nas entrelinhas que escrevem.
Espero muito que você tenha sucesso nessa missão que está a sua frente.
Ensinar o amor a pais e filhos como nós.

Beijo grande!

Café com Bolo disse...

Oi Dan, obrigada pelo incentivo, mas as fotos não estão lá grande coisa...mas valeu a intenção...
Gostaria de saber fotografar melhor, mas pra isso tb teria que ter uma cãmera melhor, então....vou ficando assim mesmo, um dia, chego lá...
Abraços

Fatima disse...

Linda história Dan!
Bjs.

AFRICA EM POESIA disse...

Dan

A vida é assim
Os precipícios são constantes...temos que estar atentos.


Adorei esta bola que sabe estar viva.

Um beijito

A VIDA DE UMA TREINANTE. disse...

Oi Dan, estarei verificando com o Anderson e retorno pra vc.
Qto ao seu livro assim q eu fizer o deposito t emando email, ok!
Obrigada mais uma vez por td.
A história q escreveu é magnifica...muitas pessoas deveriam ler e aprender a ensinar seus filhos.

Beijos

Pai dos trigemeos disse...

Ola, Dan. Obrigado pela visita ao blog. Estou encantado com seu blog, muito bom.
Esse texto dos meninos eh belissimo. Me fez voltar a minha infancia...
Um grande abraco,
Octavio

A VIDA DE UMA TREINANTE. disse...

Amigo, gostaria muito de conversar com vc mais, quero saber sua opinião sobre o quero fazer.
Adicionei vc no msn, não sei se tem...se não tiver me avisa q mandarei no email.
Abs

Cris França disse...

deixei um selinho para vc no meu blog espero que aceite e que goste. beijos!

Reino da Fantasia disse...

Um show! Aplausos,muitos aplausos.bjs

Júnia L. disse...

Deixei selinho para vc no meu blog, depois pega tá!?

bjo

Flora Maria disse...

Oi, Danilo:
Fiz um comentário na sua postagem sobre Operetas.
Gostei da sua história com elas.