Poucos e Tudo

sábado, 26 de abril de 2008

"José J. Veiga"

Os livros de escola, aqueles que os professores pedem para os alunos lerem, sempre parecem chatos, mas na realidade são grandes clássicos. Foi desta forma que comecei a me interessar por Machado de Assis, Cruz e Souza, Jorge Amado, Erico Veríssimo. No primeiro colegial, tive a oportunidade de conhecer um escritor que seria meu favorito, por algum tempo: José J. Veiga, considerado um dos maiores autores em língua portuguesa do realismo fantástico. Começou a escrever com 44 anos e logo na estreia ganhou o prêmio Fábio Prado em 1959 com o livro de contos "Os cavalinhos de Platiplanto". O livro que li para a escola foi: "Sombra de Reis Barbudos", um desbunde!!!
Conta a história de uma cidade dominada por uma grande industria. Eis um trecho:“Da noite para o dia eles brotaram, dividindo as ruas ao meio, separando amigos, abafando.” Os habitantes habituam-se a olhar para o céu, onde aos poucos, às nuvens vão misturando-se urubus. Logo as aves de mau agouro, em vôos rasantes, arriscam-se a pousos por sobre os muros. Os urubus tornam-se comuns, e agora, vez por outra, vivem dentro das casas, como bichos domésticos, até que nova lei da Companhia proibindo-os, faz com que os habitantes os soltem.Outras proibições somam-se a esta: é proibido rir em público, pular muros além de algumas “bobocas, só pelo prazer de proibir”.

Um comentário:

AnaCristina disse...

Sendo professora de Biologia do 12ºano, ano pré-universitário aqui em Portugal, estive hoje a falar com a turma. Resmungavm eles por terem que ler o "Memorial do Convento" de Saramago, autor por quem tenho uma paixão séria.

Só se vai dar valor às leituras quando formos adultos. Na adolescência qualquer linha já é um esforço!