Os livros de escola, aqueles que os professores pedem para os alunos lerem, sempre parecem chatos, mas na realidade são grandes clássicos. Foi desta forma que comecei a me interessar por Machado de Assis, Cruz e Souza, Jorge Amado, Erico Veríssimo. No primeiro colegial, tive a oportunidade de conhecer um escritor que seria meu favorito, por algum tempo: José J. Veiga, considerado um dos maiores autores em língua portuguesa do realismo fantástico. Começou a escrever com 44 anos e logo na estreia ganhou o prêmio Fábio Prado em 1959 com o livro de contos "Os cavalinhos de Platiplanto". O livro que li para a escola foi: "Sombra de Reis Barbudos", um desbunde!!!Conta a história de uma cidade dominada por uma grande industria. Eis um trecho:“Da noite para o dia eles brotaram, dividindo as ruas ao meio, separando amigos, abafando.” Os habitantes habituam-se a olhar para o céu, onde aos poucos, às nuvens vão misturando-se urubus. Logo as aves de mau agouro, em vôos rasantes, arriscam-se a pousos por sobre os muros. Os urubus tornam-se comuns, e agora, vez por outra, vivem dentro das casas, como bichos domésticos, até que nova lei da Companhia proibindo-os, faz com que os habitantes os soltem.Outras proibições somam-se a esta: é proibido rir em público, pular muros além de algumas “bobocas, só pelo prazer de proibir”.
Um comentário:
Sendo professora de Biologia do 12ºano, ano pré-universitário aqui em Portugal, estive hoje a falar com a turma. Resmungavm eles por terem que ler o "Memorial do Convento" de Saramago, autor por quem tenho uma paixão séria.
Só se vai dar valor às leituras quando formos adultos. Na adolescência qualquer linha já é um esforço!
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