Terça-feira, 14 de Julho de 2009

“Tomada da Bastilha"


No dia 14 de julho de 1789, a população de Paris realizou a Tomada da Bastilha, prisão real, deposito de armas e munições. Na verdade a Bastilha, naquela época, estava praticamente desativada, mas representou a contrariedade da população contra o Absolutismo. Fora de Paris, no campo, temos várias revoltas com saques e incêndios de vários castelos, por populares.
A Tomada da Bastilha representou o fim da autoridade real, bem como o sinal para o fim do Antigo Regime na França. Nobreza e clero com medo, procuravam armarem - se ou fugirem do país, arquivos que registravam os direitos senhoriais eram queimados. Muitos historiadores chamam este momento de a fase do grande medo.
A Assembléia Constituinte, em Paris, aprovava o fim dos privilégios, a supressão dos direitos feudais, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, estabelecendo a igualdade de todos perante a lei, o direito à liberdade e a defesa das propriedade.
Foi elaborada a Constituição Civil do Clero, que regularizava a igreja francesa. Estabelecendo, que os bens da igreja fossem confiscados pelo Estado, numa tentativa de resolver os problemas financeiros. E que os membros do clero fossem convertidos em funcionários civis do Estado.

"Quando Fui Pra Minas"

Minas Terra de Drummond. Com o coração aberto em vento, por toda a eternidade, com o coração doendo,de tanta felicidade... Quando fui pra Minas, confesso tive de voltar. Minas terra linda de admirar. Terra dos Deuses. Terra de GENTE BOA. A quarta maior unidade federativa do Brasil em extensão territorial. Terra do Dirceu Lopes, que fazia o que queria com a bola nos pés. Estado, segundo mais populoso do país, tem tanta gente bonita. Em Uberlândia umas gatinhas preciosas. Quando fui pra Minas, confesso tive de voltar. Belo Horizonte, BH, Praça Israel Pinheiro, Praça do Papa. Mistura de tradição e modernidade. Barroco, art-déco, Bauhaus, Burle Marx, Niemeyer, Pampulia, Mineirão, metro, rochas cristalisnas . Terra de Fernando Brant, poeta do clube da esquina, Milton Nascimento, os Borges e Beto Guedes. Quando fui pra Minas, confesso tive de voltar. Ouro Preto, com suas Histórias e suas ladeiras, num tal de sobe e desce sem fim. Tiradentes e Marilia de Dirceu. Foi a primeira cidade brasileira a ser declarada pela UNESCO, Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Quando fui pra Minas, confesso tive de voltar. São José virou Tiradentes, centro histórico da arte barroca, lampiões, igrejas, monumentos. São João del-Rei, Guerra dos Emboabas, sangue desta terra, Comarca do Rio das Mortes. Ouro, pecuária, agricultura, diversos estilos arquitetônicos, barroco e grandes edificações. Congonhas, Profetas e Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa, Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, imagens dos Passos da Paixão, capelas, estátuas, adro da igreja, relicários. Quando fui pra Minas, confesso tive de voltar. Ai voltei com amigos, com Vera, com sobrinhos, com alunos... Minas terra do Tostão, precisa dizer mais alguma coisa... Todas as canções inutilmente, todas as canções, eternamente, jogos de criar sorte e azar...

"Saladão"

- Mamãe cheguei!
-Na cozinha Lucas.
- Oi mãe, que jogão! Ganhamos de 7 a 6. Foi duro!
- Parabéns! E você, fez algum gol?
- Quatro mamãe! Fui o artilheiro do time. Fiz o último gol, o do desempate. O que nos deu a vitória.
- Pena que não fui, mas com seu pai viajando, tinha muitos afazeres. E a Bia com a Celinha em casa, ficou difícil.
- Não tem importância, Dona Elisa! Mas Sábado que vem é a final, ai não vou perdoar!
- Pode deixar meu filho, estarei lá! E seu pai também.
- Mãe cadê as duas chatas?
- Lucas, não fale assim! Estão brincando no quarto.
- Que comida estranha, o que está preparando.
- Como hoje a noite tem churrascão na casa do tio Afonso, resolvi fazer uma coisa leve para o almoço. Um belo saladão. As meninas toparam.
- Mãe, só uma saladinha, que porcaria! Vou passar fome! Nos jogadores de futebol, temos de repor as energias.
- Lucas pare de reclamar, você não vai passar fome nada e vai repor suas energias, olhe quanta coisa boa tem aqui!
- Gosto de um carnão!
- Veja isto é um pimentão, coma um pedaço.
- Que coisa mais sem graça!
- Experimenta! O pimentão é um vegetal de sabor marcante, muito utilizado na culinária de todo o mundo, é um alimento muito apreciado, sendo rico em vitaminas e sais minerais.
- É gostoso, este é vermelho, mas já vi de outras cores...
- Sim os mais conhecidos são os vermelhos, verdes e os amarelos, mas existem outras variedades bastante exóticas, como o branco, roxo, azulado, preto e laranja.
- Ah! E isso aqui mamãe o que é ?
- Alface!
- Não mãe, alface eu conheço, não sou tão nerd assim!
- Você sabia que o alface tem quantidades razoáveis de vitamina A?
- E dai?
- A vitamina A é um elemento importante para o bom funcionamento dos órgãos da visão e conserva a saúde da pele. Com a visão boa você vai poder marcar muitos gols Sábado que vem!
- Ta bom! Ta bom! Mas o que é esta coisa esquisita aqui?
- Isto aqui Lucas é shimeji!
- O que, mãe?
- Shimeji, é uma espécie de fungo comestível, rico em vitaminas B-12, de origem oriental.
- Eu nao vou comer isso! Que nojo!
- Lucas o shimeji é uma espécie de cogumelo, muito difundido no mundo inteiro. Você gosta de cogumelo, lembra?
- Mas nunca vi este shimeji.
- Seu pai adora, assado na manteiga, com molho soyo, mas pode ser cozido e servido na salada. Experimente um pouco.
- Será! Isso não vai me envenenar
- Vamos menino!
- É gostoso, mãe!
- Viu, deixe de preconceitos e a vitaminas B-12 é necessária para uma boa manutenção do sistema nervoso.
- Assim eu fico calminho, calminho.
- E não briga com sua irmã.
- Até que comer um saladão nao é tao ruim assim.
- E de sobremesa, torta de limão.
- OOOOOOOOOOOOba! Minha preferida.
- Entao vá lavar as mãos e chamar as meninas.
- Ah mãe vamos comer sem elas, vamos comer só nos dois é mais romantico.
- Vai malandro...

"Como Nascem Os Anjos"

Eu simplesmente adoro este filme. Os dois hérois Japa e Branquinha, duas crianças do morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, são levados por um bronco marginal, chamado Maquila há uma sucessão de erros, até chegarem a casa de uma rica família americana onde encontram William, saindo para o trabalho. Maguila pede para usar o banheiro, pois, segundo Branquinha, ele foi tão bem educado pela mãe que não consegue urinar na rua. Inicia-se uma situação que de tão absurda ninguém consegue lidar com ela... "Como Nascem Os Anjos", produção de 1996, dirigida por Murilo Salles, pode ser considerado um clássico do cinema brasileiro.


Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

"Crianças e Cachorros"


Sempre gostei muito de cachorros, não que tive muitos quando menino, moravamos em apartameto e meus pais não deixavam. Mas sempre me aproveitei deles na casa de amigos, primos e de quem podia ter. Hoje posso dizer cachorros são a alegria de minha vida, acho que por isso moro em casa. Gosto de todos. No apartamento de tanto encher tive uma a Sisy, lindinha, tinha os dentes de baixo para frente, uma vira - lata super companheira.
Olhando para a foto desse menino com seu Rottweiler, não consigo ver maldade nessa raça, tive um, o Hulk, se bem que era da Vera, mas de tanta graça e tanto amigo, considero meu, davamos grandes passeios no Alto de Pinheiros, e eu não usava luva nem coleira com aquelas garras, de machucar o bichinho. Às vezes criancinhas queriam acariciá-lo, o faziam e ele gostava. Morreu de ataque do coração. Reparem no olhar carinhoso dos dois. Hulk nunca atacou ninguém, nem bandido, fico abismado quando leio noticias sobre ataques de Rottweilers, o meu era um doce, com aquele tamanhão adorava sentar no colo e chorava para ficar ao nosso lado. Cachorro depende do dono?
Alegria de segurar um cachorrinho, lembro dos olhos da Pamela irmã da naninha quando chegamos com a Mel, uma cadelinha vira-lata que fomos buscar num abrigo de cachorros para ela, eram quase iguais. Crianças se completam com cachorros. E a Mel era tão feinha quanto.
Vem cachorrinho, agora você é meu. Vamos pra casa, nos divertir.
- Mamãe, Mamãe, lhe apresento o Balthazar!
- Fernando, temos o Dunga, o Esquisito e a Estrela, mais um?
- Não mãe este é do Paulo.
-Oi Paulo, com tanta bagunça nem o tinha visto.
- Oi tia, meu pai e eu fomos buscar no abrigo, não é lindo.
- É sim!
- Meu pai disse que eu tenho de tomar conta dele, dar banho, dar comida, ensinar onde fazer xixi, coco, enfim cuidar dele. E para me dar responsabilidade.
- Isso Paulo senão sobra tudo para sua mãe. Não é Fernando?
- Ih mãe desculpa! Esqueci de dar comida pros cachorros. Tô indo! Tô indo!





FELICIDADE COISA TÃO PEQUENA

"Caio Prado Júnior"

Caio da Silva Prado Júnior, nasceu na cidade São Paulo há 11 de fevereiro de 1907, foi um historiador, geógrafo, escritor, político e editor brasileiro. As suas obras inauguraram, no país, uma tradição historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira. Em 1942 publicou o clássico "Formação do Brasil Contemporâneo -Colônia", que deveria ter sido a primeira parte de uma coletânea sobre a evolução histórica brasileira, a partir do período colonial. Entretanto, os demais volumes jamais foram escritos. Em 1945 foi eleito deputado estadual, como terceiro suplente pelo Partido Comunista Brasileiro e, em 1948 como deputado da Assembléia Nacional Constituinte. Todavia, este último mandato lhe seria cassado em 1948, na seqüência do cancelamento do registro do partido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Dirigiu o vespertino A Platéia e, em 1943, juntamente com Arthur Neves e Monteiro Lobato, fundou a Editora Brasiliense, na qual lançou, posteriormente, a Revista Brasiliense, editada entre 1956 e 1964. Sofreu novas perseguições durante o Regime Militar, após 1964. Em 1966 foi eleito o Intelectual do Ano, com a conquista do Prêmio Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores, devido à publicação, naquele ano, do polêmico A revolução brasileira, uma análise dos rumos do país após o movimento de 1964. Viveu as últimas décadas de sua vida em estado vegetativo, graças a ajuda de aparelhos. Faleceu em setembro de 1990.

Gato Preto - Do livro "Meu Amigo Que É Um Anjo" em comemoração ao lançamento do "Casa das Fadas"em Agosto

A caminho de casa, no carro, Pedro colocou um Cd dos Beatles, e ficaram ouvindo em silêncio.
Ao chegarem, Marcos foi conversar com eles.
- Dona Selma, seu Pedro, a Ângela pediu para avisá-los que já foi embora e que o Dudu está bem, eu vigiei daqui de fora e ele não saiu para rua.
- Obrigado Marcos!
Entraram em casa e nada de Dudu e Biluca.
- Ue, cadê o viãozinho e a cachorrinha?
- Deixou a lição em cima da mesa da sala de jantar para ser verificada. Vá procurá-lo, Pedro!
- Sim, minha generala!
Pedro olhou no quarto do menino, estava vazio. Foi para o seu e ouviu um som de rosnado vindo do terraço, abriu a porta e viu Dudu de quatro, rosnando para Pancho que o observava. Biluca latia e pulava em cima dele.
- O que é isso? O que você está fazendo?
- Oi papai, estou ensinando o Pancho a brigar com o gato.
- Gato, que gato?
E foi sentando ao seu lado.
- Tem um gato preto aqui! Que come a comida do Pancho e o tonto não faz nada. Eu estou ensinando ele a atacar. Faz assim Pancho: RRum, RRum, RRum, RRum, RRum, está entendo?
- Não ria que é sério! Vamos Pancho: RRum, RRum, RRum, RRum, RRum,...
E a Biluca latindo.
- Seu cachorro tonto! Você não aprende!
O menino desistiu mudou de posição e sentou–se ao lado do pai.
- Como foi com a Doutora Inês?
- Tudo bem!
- Ela não falou que eu sou um louquinho?
- Pelo contrário falou que você está muito bem! Mas depois do que vi, estou começando a duvidar.
- Ah pai! Só estou ensinando o Pancho a caçar. Vamos estraçalhar esse gato!
- Dudu, o que é isso? A gatinha da sua irmã é tão carinhosa e você gosta tanto dela.
- Mas ela não come a comida do Pancho! Papai me ajuda vamos ficar os dois em posição de cachorro, rosnando, ensinando o Pancho.
- Não Dudu, eu não! Faz você! Eu não tenho jeito. Fico observando. Você estava tão bonitinho, rosnando e balançando o bumbum!
- Você está me gozando?
- Eu? Eu nunca faria isso, filho!
Nesse momento o gato passou correndo.
- Olha o gato!
- Vamos atrás dele!
E foram, Dudu, Pedro e Biluca. Pancho também foi, só que bem mais devagar...
O gato correu e parou em cima do muro, no jardim da churrasqueira. Biluca latia sem parar.
- Sai daí seu gato sem vergonha. Pai você tinha que fazer um muro tão alto?
- Quando compramos a casa o muro já estava ai!
- Vamos jogar uma pedra nele!
- Dudu, nós não vamos machucar o bichinho!
- Mas ele é muito safado!
- Deixa esse gato pra lá! Essa corrida me deu sede, vamos tomar um refrigerante.
Sentaram-se na mesa da churrasqueira e já estavam tomando o refrigerante, quando Selma chegou com um pote de sorvete.
- Que calor! Querem um sorvete?
- Ooooooba mamãe, eu quero!
- Filho, parabéns pela lição.
Biluca ainda latia para o gato, que não estava nem ai para ela. Pancho estava deitado no chão dormindo.
- Só vocês para ficarem correndo atrás do gato!
Dudu tomou seu sorvete, sentou–se no chão ao lado Pancho, começou a fazer um carinho em sua barriga.
- Mamãe esse gato é muito folgado, olha só pra ele.
- Dudu a Inês te elogiou muito hoje, eu e seu pai ficamos muito contentes. Você é um menino especial.
- Não sou não, mamãe! Não consigo nem ensinar esse tonto do Pancho a caçar um simples gatinho.
No chão, continuou a fazer carinho na barriga do seu cachorro, que dormia tranqüilamente.





Pancho e Biluca, que na realidade são Emilio e Bituca meus dois cachorros de verdade.


“Luz No Fim Do Tunel”

De uns tempos para cá tenho freqüentado uns blogs de downloads de filmes. A grande maioria, são repetitivos com filmes super manjados e que estão nos cinemas para todos verem. Mas existem alguns que são verdadeiras luzes no fim do túnel, onde encontramos verdadeiras jóias da cinematografia mundial a muito perdidas em nossas mentes ou filmes que costumeiramente não passam por aqui ou só em sessões especiais e ficam mais accessíveis, mais fáceis para quem gosta. E aqui vai um elogio; Internet é isso, entre outras coisas, é a democratização da cultura é transmitir tudo a todos. Este é seu valor. Por isso devemos ir contra aqueles que querem fechá-la em nome do grande capital, todos devem se inserir nos novos tempos. Quanto aos blogs de cinema, há alguns em minha lista.


Domingo, 12 de Julho de 2009

"Vocação Musical"

- Dada você é muito fofo, dá vontade de beliscar!
- Mãe não dá essas idéias. Meu pai já está me beliscando!
- Jorge, quando você começa suas aulas de bateria?
- Logo depois das férias, Marquinhos.
- Que bom, no mesmo conservatório, eu piano e você bateria.
- Amigos mesmo, até na música!
- Legal! Eu posso começar minhas aulas de bateria, também papai?
- Ainda não, Dada, vamos esperar mais um pouco.
- Então você me compra um tamborzinho?
-Não pai, pelo amor de Deus. Esse menino vai me acordar todos os dias.
- Marquinhos, para com isso! Papai compra sim!
-Dada, vai ser legal! Eu com uma bateria em casa e você com outra na sua. Vamos fazer uma barulheira danada!
- E os vizinhos vão nos expulsar do Bairro!
- Não vão não, tio! Dada você podia aprender a tocar guitarra elétrica.
- Também ia ser legal! Podia aprender bateria e guitarra!
- Tô vendo tudo! Fiquei sem meu piano!
- Filho a mamãe te promete, até o ano que vem você vai ter seu piano. Talvez no natal.
- Obrigado mãe!
- Vamos formar um conjunto. Jorge e sua Gang!
- Boa Jorge, gostei!
- É, duas baterias e um piano. Tô danado!
- Vamos fazer um sucessão, as menininhas vão adorar a barulheira!
- Jorge música não e barulheira! Mesmo na bateria é preciso tocar com ritmo é necessário aprender direitinho.
- Sei Marquinhos, mas posso dar uns solos, maneiros!
- Tá bom seu anarquista!

"Por Favor...Ponha-se Em Meu Lugar Um Pouco"

Oskar é um menino de 12 anos, sensível, gosta de ler e vive entre as casas de sua mãe e de seu pai, tem problemas de relação com seus colegas na escola. Eli é uma menina que também tem 12 anos, e acaba de se mudar para o apartamento vizinho da mãe de Oskar. Uma forte relação de amizade acontece entre eles. "Låt Den Rätte Komma In", filme sueco do diretor Tomas Alfredson de 2008 é uma alegoria fantástica, uma obra poética, apesar de uma série de assassinatos sangrentos que envolve a relação dos protagonistas. O que importa e a descoberta do primeiro amor, não importa como ele é, mas o carinho da relação e não os defeitos de cada um, o ficar junto, o fazer bem e sentir-se bem. O querer proteger, o ser amado. O estar em seu lugar, nem que seja por um pouco.



Sábado, 11 de Julho de 2009

Rio São Francisco

- Vovô aqui não tem peixe não!
- Calado, senão eles não vêm mesmo.
- Mas você mesmo disse que antes tinha muito mais peixe.
- É antes mesmo de seu pai nascer, quando morávamos nas margens do rio vivíamos da pesca. Tinha peixe de montão, não é como hoje.
- Não acredito, acho que são só historias.
- Que isso menino, respeita teu avô, acha que sou mentiroso?
- Não vô, é que é duro de acreditar!
- Chiquinho, antes de você nascer, antes de construírem a Usina, vivíamos muito bem.
- Verdade vô? - Verdade, o Rio, o querido Velho Chico, de onde vem seu nome, nos fornecia peixe fresco em abundancia, água para nosso dia a dia e para irrigar as plantações.
- Vô, se era tão bom por que se mudaram pra Serra?
- Fomos obrigados, homens do governo, resolveram construir a Usina Hidrelétrica, sei lá o que! E a represa inundando nossas vilas.
- E vocês não fizeram nada?
- O que podíamos fazer? Eles chegaram com suas idéias, com suas palavras difíceis, falaram que nossa vida ia melhorar que estavam trazendo a civilização, o progresso, que o Brasil ia ser uma grande potencia mundial, e para isso era necessário desenvolver todas as regiões brasileiras, levando-as ao “progresso”.
- Puxa!
- E que devíamos nos sacrificar um pouco, mas que com o passar do tempo tudo iria melhorar.
- Puxa!
- Progresso. Ah progresso! Se soubéssemos. Ele nunca veio e ficamos longe da água.
- O que vovô?
- É Chiquinho ficamos longe da água. Éramos beraderos.- O que é beradero vovô?
- Chiquinho, beradero, é quem tira do rio seu sustento, ficávamos perto do rio. O rio nos avisava das estações do ano, nos alimentava e era nosso transporte. De repente ficamos longe da água.
- E aí vovô?
- Fomos para Serra, não gostamos, pra começar a água era saloba, suja, cheia de barro, água ruim, matou muita criancinha, muita gente adulta, foi uma mortandade danada. Tínhamos nossa lavoura, mas não conseguimos cultivá-la.
- Por que vovô?
- Por que estamos longe do rio. Quase uns 9 quilômetros, existiam os canais de irrigação, mas eles secavam logo e ficavam barreados. E a lavoura não ia pra frente, não crescia, não produzia.
- Nossa vovô!
- Ah que saudades dos nossos antigos povoados de Casa Nova, Centro Sé, Pilão Arcado, Sobradinho e Remanso! Todos cobertos pelas águas do rio.
- Rio ruim, inundou nossa morada!
- Não Chiquinho, o rio não!
- Não vô!
- Não, o rio segue seu curso, como sempre fez. Ruim é o homem do governo, o douto, que não conhece a região, seu povo e vem pra cá e quer mudar tudo.
- Chiquinho, só quero ajudar.
-Quem está aí?
- Sou eu Chiquinho, o velho Chico.
- Deus cruzes, agora rio fala!
- Não muito seu Túlio, mas não pude deixar de ouvir a conversa e resolvi participar.
- Puxa velho Chico, é uma honra conversar com você!
- Vovô não fala com ele, não! Será que não alguma feitiçaria de algum douto?
- Deixa disso Chiquinho o rio é nosso amigo.
- É Chiquinho, estou muito solitário. Desde que as pessoas foram embora fiquei muito sozinho.
- Velho Chico onde estão os peixes?
- Sabe Chiquinho, quando se constrói uma usina Hidrelétrica altera-se o meio – ambiente, mudando a forma da região, poluindo o ar que fica com uma poeirada só, através da movimentação de terras feitas pelas máquinas de terraplanagem, pela a inundação de grandes áreas,, provocados pelas mudanças sem os estudos adequados.
- Puxa!
- É Chiquinho também os peixes sofrem, pois com a criação da represa de Sobradinho e a inundação das terras, a temperatura das águas se reduz, influenciando na reprodução e no desenvolvimento de algumas espécies.
- Puxa é por isso que não tem peixe?
- É Chiquinho!
- E nos lá na vila passando fome.
-É revoltante seu Túlio. E para eu o rio, ninguém perguntou nada! A função da natureza é de ajudar as pessoas que precisam dela para viver.
- Boa, velho Chico, falou tudo!
- Sabe Chiquinho, o velho Chico sempre foi nosso amigo. E nos sempre procuramos usá-lo com sabedoria. Pois sabíamos que precisávamos dele. Antes da represa existir, ele banhava nossos vilarejos; ele participava das nossas festas, invés de andar a pé, como hoje fizemos, usávamos suas águas mansas, para nos visitar.
- Era assim vovô?
-Era, Chico.
- Sabe Chiquinho, quando tiraram as pessoas do meu convívio senti muito, perdi o Zé Sabichão que conhecia todo mundo e contava histórias, o Mane da viola que me cantava tão bonito em verso e prosa, o Padre Pedro que usava e benzia minha água limpinha, dona Sinhá que colhia seus pés de couve e tomate tão suculentos e doces, enfim perdi minha gente.
- E nos perdemos você, ficamos longe.
- É seu Túlio, tudo em nome do progresso.
- Progresso, progresso é destruição?
- Não seu Túlio o progresso é importante, é fundamental melhorar a vida das pessoas a população do planeta aumenta e é necessário acompanhar seu desenvolvimento, mas não em nome da destruição descabida...
- Como Velho Chico?
- Explico melhor seu Túlio: é preciso melhorar a vida das pessoas, mas para isso e necessário fazer um planejamento responsável, respeitando o modo de vida de cada um e a natureza para não causar nenhum desastre maior ao planeta.
- E isso pode ser feito?
- Claro seu Túlio, fazendo um estudo organizado e aprendendo com as populações locais, não se pode desprezá-las.
- Como nos fomos!
- Isso! Vocês ficaram sem eira nem beira na Serra. As novas casas não possuíam frente, As roças, as ruas não sobem, nem descem não se aproximam da beira...
- Ficamos sem nosso São Francisco...
- Não chora vô!
- Nos primeiros anos plantemos cebola, deu muito. Depois a terra colou, veio um barro esquisito, a água não entrava na terra, não molhava, dexemo de plantar não adiantava.
- Não chora, não vô!
- Pra muita gente, restou ir embora! Nos num fomos. Eu não quis. Depois sua avó adoeceu e num deu.
- Chora não, vô!
- Doidice maior nunca vi, morar longe da roça, nunca quis.
- Não chora, vô!
- Agrovila, não presta não.
- É seu Túlio e foi ficando cada vez pior!
- E como, velho Chico!
- As enchentes que antes eram recebidas com alegria, anunciadoras de fertilidade, hoje são imprevisíveis, vistas como calamidades.
- Seu Túlio a construção da represa de Sobradinho provocou desarticulações no ecossistema da região, desarticulando o equilíbrio de todo vale.
- É velho Chico, a nos restou pedir a Deus por dias melhores.
- Tudo por causa de alguns doutores, que resolveram modificar nossa vida em nome do progresso.
- Ah, Velho Chico, um dia crio coragem querendo os douto do governo ou não, pego a família e volto pra vida beradeira e trago todo mundo que restou comigo.
- É um caminho seu Túlio.
- Bom Velho Chico, ta na hora, a mãe desse menino deve estar preocupada temos de ir embora.
- Eu também estou cansado, essa conversa me emocionou muito...
- Tchau velho Chico!
- Tchau Chiquinho, seu Túlio, voltem sempre...


"Copa de 1966 - Desilusão"

Minha grande primeira desilusão com o futebol veio em 1966, quando tinha 12 anos com a Copa do Mundo da Inglaterra, lembro que estudava no primeiro ginasial, hoje o equivalente à quinta serie sexto ano, discutíamos a convocação, será que vão chamar o Bellini, o Rivelino, o Ademir da Guia, quando ela veio foi uma bagunça, a comissão técnica liderada por Vicente Feolla,convocou 44 jogadores e mais dois da Itália, naquela época não era comum chamar jogadores que não atuavam no pais; Amarildo e Jair da Costa, ninguém entendia porque.
O Brasil passava por mudanças radicais, a euforia e a ebulição cultural dos tempos de JK e Jango Goulart, tinha acabado substituído por um governo militar que subiu ao poder através de um golpe de estado, a alegria foi substituída pela sisudez. Lembro que no final de Março e começo de Abril de 1964, meu pai falava em pegar em armas para defender a legalidade. Não entendia o que era isso, mas ficava assustado só de ver o semblante do meu pai. O estado das coisas influenciou na seleção que não conseguiu se organizar e foi um fiasco.
Agora não tinha brasileiro sambando com a bola no pé. O país passava por uma tristeza muito grande, as poucas conquistas sociais e econômicas do período anterior foram largadas de lado em nome de um progresso e de uma integração nacional, que os governos militares nunca tiveram a competência de fazer e com a desclassificação na Copa a tristeza aumentou. Fiquei doente na ocasião, a vergonha foi tamanha, tive até de tomar injeção, acho que foram quatro dias na cama com um febrão alto depois daquele Brasil e Portugal do dia 19 de Julho de 1966, uma Terça Feira. Tres a Um para nossos colonizadores, com direito a show de Eusebio. Nos com um golzinho de Rildo, só pra não ficar no zero. O menino estava crescendo, virando homem, àquela magia inicial, nunca se perdeu, mas estava se transformando, estava mais amarga, sabia agora que o caminho do futebol e da vida não se fazem só com acertos e vitórias, mas também com erros e derrotas amargas e que são elas que nos ensinam a viver.



“O Brazil não merece o Brasil
O Brazil ta matando o Brasil
Gereba, saci, caandra
Desmunhas, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E marionaíma, ariraribóia,
Na aura das mãos do jobim açu
Oh, oh, oh
Gererê, sarará, cururu, olerê
Ratatá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil, SoS ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
O Jobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, cordovil, caxambi, olerê
Madureira, Olaria e Bangu, Olará
Cascadura, Água Santa, Pari, Olerê
Ipanema e Novo Iguaçu, Olará
Do Brasil SoS ao Brasil
Do Brasil SoS ao Brasil “
(As Querelas do Brasil – Aldir Blanc – Mauricio Tapajós)

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

"Cores"

-Olha pai, estou verde!
- Para com isso Luis! Sabe que é proibido.
- Mas pai, é tão legal mudar de cor. Quem proibiu?
- O governo, oras! Não estamos preparados!
- O governo é um chato! Como ele sabe?
- Luis, o governo é composto por homens sábios. Eles sabem o que é bom para nos.
- Como que alguém que não me conhece pode saber o que é bom para mim?
- Fica quieto, Luis, as paredes têm ouvidos!
- Olha pai, posso ser várias cores ao mesmo tempo.
- Para com isso Luis, você sabe muito bem que só pode ser cinza.
- Cinza, cinza, que chato! O cinza é uma cor muito chata!
- E depois dos 60 anos, podemos mudar para o branco.
- Cor sem vida!
- Quando algum parente ou amigo morre, podemos usar o negro por 30 dias em sinal de respeito, de luto.
- Pai, são três cores tristes. Quero ficar colorido. Quero ser alegre!
- Não pode!
- Por que não pode?
- Porque é a lei, o governo não quer! O governo não deixa!
- Que lei besta! Temos o dom de mudar de cor e não podemos.
- É assim que tem de ser!
- Por que pai?
- Houve um tempo, acho que por volta de 68, que podíamos mudar de cor, mas deu muita confusão, as pessoas acharam que podiam mudar o mundo, criar novos horizontes.
- E isso não é bom?
- Não foi, não, Luis. Houve muita revolta, muita contestação, gente fazendo o que não devia. Assim o governo achou por bem deixar todo mundo igual, cinza, acabar com tanta empolgação.
- Empolgação é bom, pai!
- Muita, não, as pessoas esquecem de seus deveres.
- Mas e seus direitos?
- Primeiro seus deveres. Cada qual cumpre seu dever. Cada qual faz seu trabalho. Apenas o governo pensa. Assim as coisas ficam mais calmas.
- O governo pode ser colorido.
- Eles sabem como fazer.
- E dar festas de arromba.
- Luis, não fale mal do governo!
- E ninguém se revoltou?
- Sim alguns. Lembra daquele professor nosso vizinho. Como era o nome dele?
- O professor Dum.
- Este mesmo.
- Gostava dele.
- Pois é! Começou a ensinar essas bobagens de vida colorida as crianças, falar de liberdade e logo o governo deu cabo dele, hoje anda por ai esquecido...
- Coitado!
- Coitado nada. Bem feito!
- Pai, não fala assim!
- Bem feito mesmo, não precisamos de gente a colocar bobagens nas suas cabeças, precisamos de gente que trabalhe sério e nos leve ao progresso.
- Isso é discurso do governo, não seu. Olha papai como é bom mudar de cor. Do vermelho, viro azul, depois, verde, agora sou amarelo e pronto sou uma mistura de todas elas.
- Luis para com isso.
- Tente pai é bom!
- Para Luis! Se eu tiver de usar o chicote, vou usar.
- Pai.
- Aqui nesta casa, respeitamos a lei. Tudo é cinza. Nada de cor. Daqui para frente uma simples demonstração sua vai ser entendida como ato de rebeldia e ser tratada pelo chicote. Estamos entendidos?
- Sim senhor!
- Luis entenda! É para seu bem, quero que seja um cidadão correto. De acordo com a lei.
- Se é assim.
- Não faço por mal, é para seu bem. Agora de um beijo no seu pai e vá dormir que amanhã é dia de aula e você tem muito que aprender sobre nosso modo de ser, sobre nossas leis.
O pai desceu as escadas rumo à sala e não percebeu o lindo arco-íris que se formou debaixo dos lençóis de Luis, enquanto ele dormia...

"Arrigo Barnabé"

Este eu gosto muito, Arrigo Barnabé , faz parte da Vanguarda Paulista, ouso até dizer que sem ele não existiria a tal Vanguarda Paulista. Tem como principal característica de composição o dodecafonismo. Nascido em Londrina há 14 de setembro de 1951.Compositor renomado, tem vários discos gravados.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Anarquia - Anarquista

Sébastien Faure
(em Enciclopédia Anarquista)
Não há, nem pode haver, um credo ou catequismo literário.
O que existe e que constitui o que se pode chamar de doutrina anarquista é um grupo de princípios gerais, conceitos fundamentais e aplicações práticas, segundo os quais foi estabelecido um consenso entre indivíduos cujo pensamento é contrário à Autoridade, e que lutam, coletiva e isoladamente, contra toda disciplina e repressão, sejam elas políticas, econômicas, intelectuais ou morais.
Ao mesmo tempo, pode haver, e realmente há, muitos tipos de anarquistas, mas todos têm uma característica comum e que distingüe do resto da humanidade. O ponto de união é a negação do princípio da Autoridade nas organizações sociais e o ódio a tudo que origina instituições baseadas neste princípio.
Portanto, quem nega a Autoridade e luta contra ela é um anarquista.



"Nada"

Graças ao blog My One Thousand Movies, assisti a esta graça de filme, "Nothing", o enredo gira em torno de dois amigos de infância que de repente se vem no meio de nada. Isso mesmo! No meio de nada! E tem de conviver com isso. Em meio a suas frustrações e fracassos. Grande vencedor da edição de 2005 do Fantasporto, este filme de Vincenzo Natali é mais uma pérola rara. Quem tiver a oportunidade vale a pena assistir.

"CONTRAPONTO"

Imagens soltas
Meninos
Pequenos seres
Pequenos Seres a Serem cuidados
protegidos

UM PONTO










Duas Imagens
e um ponto
contraponto
Tudo muda
Mudo, calado
Sujo, não importa
CONTRAPONTO
contra um ponto
contra tudo
marginal...
(DDA)

"Lembranças da Copa de 58"

Pelo que me lembro meu primeiro contato com o futebol foi na madrugada do dia 29 de Junho de 1958, um Domingo. Eu tinha 4 anos, pulei da cama, aquela que tinha grades, fui para o quarto ao lado e junto a cama da minha mãe e do meu pai comecei a perguntar:
- Ta na hora?
- Ta na hora?
A voz suave e dorminhoca da mãe, respondia:
- Não Dani (ela me chamava assim), volte a dormir...
E assim foi a noite inteira. Não sei como não levei uns cascudos. A carruagem sempre neste andar: filho perguntando, mãe respondendo e às vezes pai chiando... Também a culpa foi deles, porque foram falar que íamos acordar cedo para ouvir o jogo no radio lá na casa da minha vó, com direito a macarrão e tudo, não queria perder um só lance. Era o Brasil na final da Copa.
Para falar a verdade nem sabia direito o que era aquilo, mas era o Brasil, era futebol, então era importante.
Brasileiro é isso mesmo tem o Coração de Futebol, nem bem nasceu e a coisa já começa. Meninos, meninas, ainda do lado da mãe na maternidade e o pai já chega com a camisa do time preferido. Ah não tem jeito, não! Não sabe nem escolher, mas o bebezinho já é corintiano, são-paulino, palmeirense, santista, flamenguista, cruzeirense ou atleticano. E ele que diga não. Lembro do desapontamento de meu pai quando eu disse que era santista. E quantos tapinhas levei, quando Pelé fenomenal, fazia um gol no São Paulo. Pai de coração são-paulino, não se conformava com seu filho traidor santista. O filho, este ficava deslumbrado com o time que um dia foi o melhor do mundo e ouso dizer, nunca houve e nem haverá um time como aquele, que no começo de minha vida vi jogar. Passes perfeitos de pé em pé e na direção certa, para o gol.
O final da história da Copa todo mundo sabe, alegria, festa e cinco a dois na Suécia, dona da casa, o que vocês não sabem é que, depois de toda ansiedade da noite, nem ouvi o jogo, fiquei no quarto junto com meu irmão de seis anos brincando com meus primos e achando esquisito a comemoração dos mais velhos.
É GOOLL...

A Copa da Suécia foi a primeira a ser televisionada, Mais de setenta países acompanharam o evento, mas no Brasil só em 1970, 20 anos depois.

"Carlos Gonzaga"

Dos meus tempos de criança lembro de um cantor de voz discreta, clara e bonita, ele cantava versões de musicas jovens americanas em belo estilo. Fazia sucesso por aqui. Seu nome Carlos Gonzaga, nascido em Paraisópolis, MG, em 10 de fevereiro de 1926, seu maior sucesso foi a versão de Diana, gravada originalmente por Paul Anka. Fez shows por todo o país e é reconhecido internacionalmente, se apresentando nos principais palcos da América Latina. No cinema, atuou em Virou Bagunça. Em 2005 participou do programa Cidade Nota 10, da Rede Bandeirantes, representando Santo André. Em 2006 recebeu o título de "Cidadão Andreense".





Uma pequena homenagem ao Dr Gilmar - Médico e Amigo do Coração

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

“Estripulias” (com ajuda do Palavra Cantada)

Correr, xingar, quebrar, bater, brigar, brincar, chacoalhar, esconder, traquinar.
Estou aqui, meio que guardado, meio que encolhido, bem quietinho. Hoje o dia não foi fácil. Trabalhei pra chuchu. Muitos afazeres. Dona Cida que o diga, não dei um segundo para ela. Depois da escola, dei um trabalhão, não parei um só instante...
Na escola, Dona Silvia, primeiro veio suave, depois pediu, depois implorou, ai gritou, chamou a diretora, foi a gloria... Dona Gloria, me chamou para sua sala não adiantou. Pulei na poltrona, no sofá. Ninguém me segurava. Tava com o diabo no corpo. Jóquei lápis, giz apontador. Amarei o rabo do gato, chutei o cachorro, atormentei o papagaio. Sai pra lá menino. Tu levas umas pancadas. Que nada! Fujo de primeira! Corro, corro, até onde não der mais...
Esconderijo, avião, correria, tambor, gritaria, jardim, confusão, bater, brigar, bola, correr, xingar, quebrar, bater, brigar, brincar, chacoalhar, esconder traquinar. Criança não trabalha, criança dá trabalho...
Bilhete da escola, reclamação da Dona Cida.
Agora muita confusão.
Papai e mamãe estão chegando... e eu com meus olhões...

Tim Maia Danilinho e coisas a mais...








Este disco quem me deu foi o Danilinho, de aniversário, segundo seus pais foi ele que escolheu, demorei um tempão pá postar... Ele gosta do Tim Maia, também quem não gosta, ainda mais ao vivo. Estou ouvindo agora, eles ficaram dançando na sala no dia. Queria me dar um Monteiro Lobato, mas o Arnaldo não deixou, ficou triste depois que ficou sabendo que eu apareci na televisão para falar do proprio Monteiro. Viu pai ele gosta! Mas e daí, gosto do Tim também. O que importa não é o presente, mas a presença. Vera voltou da viagem, namoramos, brigamos, gritamos, beijamos...aquecemos no inverno...vida de casado, isso ai!faz parte. Hoje vou levando, acho que estou meio, meio...No fim tudo é o principio. O dente já nasceu. E a aula de circo já melhorou. Consigo fazer a cambalhota. Já estou gostando dos Beatles... A Naninha acordou hoje dizendo que está apaixonada...Ih menina sai prá lá que é muito cedo.


"Glauber e Buñuel Na Terra do Surreal Usando Fragmentos De Outros Tempos Passados"

Numa Terra em Transe, onde o Dragão da Maldade Batalha Contra o Santo Guerreiro, nossos dois heróis, Arthur e Thelio, andam pela Via Láctea, por entre Cabeças Cortadas e Heresias, procurando o Discreto Charme da Burguesia. O que nossos heróis não sabem é que o Charme Discreto se perdeu nas fezes de uma burguesia que não é mais a mesma, ela mesma se perdeu para uma outra que não é aquela. Esqueceram de falar que em Brasília existem duas torres também...
Tempos difíceis, tempos de ostentações, coronelismos daqui e dali. Num mar de sem fim...
Thelio olhou para frente andou pela Terra do Sol. Não viu nem Deus, nem Diabo. Conheceu o cangaceiro Corisco. Salvaram os passarinhos de frente. Soltaram da gaiola. Beijaram os beija-flores. Enquanto isso Arthur por entre os Sertões Veredas, numa zona estritamente modernizada, com ares de Refazenda encontrou-se com o Abacateiro que lhe ensinou a fazer renda, e a refazenda toda, por entre o espírito de São Thiago, no mesmo momento que a roubalheira corria solta no mercado da luxuria interna. Os Esquecidos caminhavam pelas ruas a procura de suas mães que trabalhavam em bordeis locais...
Por entre Mulheres e Luzes em Andaluz, Os Palhaços e Giulietta assistiam assustados a uma dança de Espíritos que pelas Estradas da Vida guardavam o Sétimo Selo de Histórias Extraordinárias, levadas a cargo por uma produção de senadores que só faziam questão de seus ganhos no fim do mês com a Belle de Jour, grande Subida ao Céu. Assim cansados de toda intriga palaciana nossos heróis se encontram outra vez na mesma Nave Que Va, e agora junto com Giovani Mariti, contavam histórias de seus Retalhos da Vida para pessoas menos cultas e para pessoas sem muitas experiência nestes assuntos mercadologicos de latrócinios.
No final das quantas, Nossa Vida Não Cabe Num Opala, A Mulher Continua Invisivel, Michael Jackson virou assunto de Globo Repórter, muito Além do Cidadão Kane, Há Poeira Nas Estrelas, O Caso Claudia não foi resolvido, A Terra É do Homem, Nem de Deus, Nem do Diabo e o Tempo Não Para...
Arthur num grito soberbo de contestação, GLAMOU A TODOS:

- VIVA CAZUZA!

... E Thelio?
Bom Thelio é outro problema. Saiu por entre as esquinas, El Bruto, atrás de sua Viridiana, carcomido pela intolerância dos seres e saudoso de um bom vinho com queijo e marmelada, como nos áureos tempos do El Gran Calavera em 1949...

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

"Raios – Uma Experiencia Escolar"

- Mãe, ainda tô com febre?
- Vem cá seu menino, que a mamãe mede sua temperatura.
- Mãe eu continuo molinho, molinho!
- Fica brincando na chuva.
- Não estava brincando, estava fazendo uma experiência.
- Para ver se a chuva molha!
- Para com isso mamãe!
- Depois do banho, a temperatura abaixou um pouquinho. Você ainda está com dor de garganta?
- O dr Carlos examinou minha garganta e não achou nada.
- Mas ela dói?
- Agora não mamãe! - Foi a chuva mesmo. Você vai se explicar com seu pai.
- Mamãe queria saber dos raios, se eles podem cair no mesmo lugar duas vezes.
- E por isso tomou uma chuva dananda!
- Experiência escolar!
- Chico para com isso, deixa de ser malandro! Quase morre de febre, devia te dar umas palmadas.
- E podem mamãe?
- Podem o que, menino?
- Os raios?
- Raios! Raio é você, menino sem vergonha!
- Mãe, não fique zangada, me fale sobre os raios.
- Vem aqui, seu trapalhão, deite na cama, que a mamãe te explica. Chico, os raios podem sim atingir o mesmo local duas vezes.
- É verdade!
- A chance dos raios atingirem duas vezes o mesmo lugar ao acaso é pequena, mas existe. É apenas uma questão de probabilidade. Como há vários locais onde os raios podem atingir, e isso depende de condições atmosféricas ideais, é muito pouco provável que dois raios sejam observados atingindo um mesmo local. Chico, um raio é uma descarga elétrica muito intensa, que ocorre em certos tipos de núvens e pode atingir o solo, causando prejuizos e ferindo pessoas. É consequência do rápido movimento de elétrons de um lugar para outro.
- Ah
- É difícil de acontecer, mas o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar.
- Mãe, mas o que é um elétron?
- Ih Chico ai a explicação é mais difícil! É um dos elementos de carga elétrica negativa que junto com outros, forma o Átomo.
- Mãe...
- Já sei, já sei! O que é um Átomo? Está vendo Chico! Isto é complicado para um menininho de 8 anos como você.
- Não é mamãe!
- Por enquanto vamos, dizer que Átomo é a menor partícula que ainda caracteriza um elemento, assim nossa nuvem é um elemento, formada por partes de energias negativas e positivas, quando elas se chocam formam os raios, quando caem na terra emitem um som que chamamos de trovão.
- Ai mãe! Tenho medo de trovão!
- Depois dessa explicação não precisa mais ter.
- É mesmo! Puxa mãe, como você sabe tudo isso?
- Você se esqueceu que eu sou a professora de Ciências da sua Escola e logo, logo vai ter aulas comigo.
- Ih mamãe é verdade. Não vou poder fazer bagunça!

"Émile Zola"

Émile Zola foi acima de tudo um lutador, sua vida o diz assim, criador e representante mais expressivo da escola literária naturalista além uma importante figura libertária da França do século XIX, foi presumivelmente assassinado por desconhecidos em 1902, quatro anos depois de ter publicado o famoso artigo J'accuse, em que acusa os responsáveis pelo processo fraudulento de que Alfred Dreyfus foi vítima. Escreveu o genial Germinal retratando o processo de gestação e maturação de movimentos grevistas e de uma atitude mais ofensiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão em relação à exploração de seus patrões. Em sua obra, Zola tentou empregar o método científico vigente em seu tempo, apresentando a influência da hereditariedade e do meio na formação da personalidade individual. Tal rigor científico aliado a sua habilidade de criar textos documentais, confere veracidade a seus romances.
Recomendo a leitura do Germinal, maravilhoso e do filme de 1993 ,dirigido por Claude Berri, baseado na obra.


"Piano ( Eu Tive Um Sonho)"

"Piano-Forte", possibilidade de dar diferentes intensidade aos sons, que vai do piano ao forte. Tais possiblidades de matizes sonoras acabou por orientar a preferência dos compositores face ao clavicembalo. O piano é um instrumento de corda percutida, definido modernamente como instrumento de percussão porque o som é produzido quando os batentes, cobertos por um material macio e designados martelos, e sendo ativados através de um teclado, tocam nas cordas esticadas e presas numa estrutura rígida de madeira ou metal. As cordas vibram e produzem o som. Como instrumento de cordas percutidas por mecanismo ativado por um teclado, o piano é semelhante ao clavicórdio e ao cravo. Os três instrumentos diferem no entanto no mecanismo de produção de som. Num cravo as cordas são beliscadas. Num clavicórdio as cordas são batidas por martelos que permanecem em contacto com a corda. No piano o martelo ressalta de imediato após tocar nas cordas e deixa a corda vibrar livremente.
Durante o dia, a criança das ruas se perde na grande massa dos meninos e meninas mais pobres que procuram comida. Ela vai tentar ganhar a sua vida.
- Mamãe você e o papai me tiraram da rua e hoje estou aqui..
- Sei lindinha, olha para platéia veja como ele está feliz!
- Não posso errar mamãe, muita coisa depende de mim!
- Não pense assim, Marilia, do erro tiramos as lições e acertamos de vez. É só seu primeiro concerto e você só tem 10 anos, começou a tocar no ano passado.
- Estou com medo!
- Entre lá e toque com o coração!
- Mamãe, tive um sonho.
- Que sonho amor?
Uma criança de rua não é uma criança que brinca na rua durante o dia. Uma criança de rua não tem a sorte de trabalhar. Uma criança mendiga não é necessariamente uma criança de rua ; como não o é uma delinquente ou uma criança pobre.Finalmente, a melhor definição de uma criança de rua é uma criança que é reconhecida como tal pelas outras crianças de rua.
- Sonhei que estava tocando para um montão de crianças abandonadas. E conforme eu tocava, elas iam ficando felizes, ganhavam uma nova esperança e pessoas boas vinham adotá-las, saiam das ruas, dos abrigos, até que todas as crianças foram levadas para um lar. Assim os abrigos deixaram de existir, no mundo inteiro e nenhuma criança ficou na rua abandonada.
- Que sonho lindo meu anjo! Agora vá lá e toque assim, como no sonho. Toque para as crianças, toque para que elas parem de ser vitimas das injustiças dos adultos.
A parte mais bonita dos seus sonhos é você sempre acreditar neles e nunca desistir deles, nunca desistir de lutar, nunca desistir de vencer, e assim é que tem de ser; nunca desista de nada em sua vida, tudo que você deseja é importante, tudo representa algo, assim você esta no caminho da vitória.

"Samba Meets Boogie Woogie"

CD lançado em Outubro de 2008, mas com pos- produção de quase dois anos. Vale a pena, a pesquisa do repertório ficou a cargo de Alfredo Del-Penho, que também se apresenta como um dos vocalistas no CD, os arranjos foram criados por Mario Adnet, jutaram-se a estes dois Maucha Adnet, Mônica Salmaso, Zé Renato e Roberta Sá e assim nasceu Samba Meets Boogie Woogie. Estes artistas trazem seus talentos para canções memoraveis dos anos 40 e 50, com o apoio instrumental de músicos tais como Cristóvão Bastos (piano), Jorge Helder (baixo), Vittor Santos (trombone), Andréa Ernst Dias (flautas), Jovino Santos Neto (piano), Marcos Nimrichter (acordeão), Hamilton de Holanda (bandolim) e outros tantos músicos de calibre semelhantes.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

"Pela Janela Afora"

Lá fora tudo se move. Tudo é tão bonito, colorido, parece que o sol brinca de esconde-esconde, com suas cores de passarinhos a voar, borboletas a pousar, carros e pessoas a passar. Cores que mudam constantemente, conforme a paisagem vai se renovando. Um mundo inteiro passado pela minha janela.
Olhando para as coisas passando em câmera lenta, coisas da minha esperança. Gente de minha esperança, gente sozinha, acompanhada, gente séria, alegre, triste. Gente graciosa, que passa afora, pela minha janela. Fazem-me sentir muita gente, embalado pela música, vivificado com o ritmo de seus andares. Fonte de onde consigo sentir muita vida.
Cimento armado, vida de concreto, magia de arranha céus, que estão longe do céu. Céu cinzento da metrópole, esperança cinzenta que não nos dá saídas possíveis de serem vistas, mas que deixa o sol nascer vermelho na lira, como musica a reaver o tom cinza dando esperança, num concreto, vencendo a disputa entre o bem e o mal.
Mundo exterior, paisagem da janela. Ansioso debruço. A vida ávida desfila pelas ruas, e eu o poeta fixo, canto por ela. O tempo chegando, a época das flores, o planeta sofrendo, necessita mudanças, amor, chega de horrores. Janela aberta, palavras viajam, vozes, gritos, monossílabos, livros, soneto, prosa, poesia, silêncio...

"Sobre Santos e São Paulo Na Visão de Dudu e Matheus"

(Dudu e Matheus são personagens do meu livro "Meu Amigo Que É Um Anjo"continuação do livro "Casa das Fadas", também de minha autoria, a ser lançado em agosto pela Editora Multifoco, não esqueçam.)
- Matheus presta a atenção!
- Tô prestando dona Marlene!
- Hum, você está muito avoado. E não atrapalha o Dudu.
- Não estou atrapalhando, só estou falando sobre a lição.
- Sei você não para de conversar.
- Dona Marlene é sobre a lição mesmo!
- Não mente Dudu! Senão os dois ficam de castigo.
Na hora do recreio.
- Viu seu santistazinho de meia pataca, seu time perdeu para o São Paulo ontem.
- Foi sem querer!
- Não foi não!
- Foi sim!
- Não foi não!
- Foi sim!
- Parem com isso vocês dois. Que coisa chata!
- Eu nem vi o jogo, Matheus.
- Viu sim.
- Vi não.
- Viu sim.
- Vi não.
- Ai, vou comer meu lanche em outro lugar.
- Não Celinha, a gente para. Vamos falar de outra coisa.
- Isso, preciso contar uma coisa para vocês.
- O que é Dudu?
- Sabe aquele meu amigo do abrigo, que morreu o Xande.
- Você já contou pra nós, Du. Fiquei com uma peninha dele.
- Não precisa ficar mais Celinha. Ele voltou como meu anjinho da guarda.
- Que legal Dudu!
- Não é Celinha!
- Que pena!
- Pena Matheus! Por que?
- Ora Celinha se o Dudu pedir, o Santos vai ganhar sempre do São Paulo.
- Não tinha pensado nisso. Boa Matheus!
- E eu não tenho anjinho pra pedir.
- Tem sim, meu anjinho falou que todo mundo tem.
- E como é que eu não o vejo.
- Meu pai falou que eu vejo meu anjinho porque quero o bem dos outros e tenho um coração puro.
- Ih Matheus então você nunca vai ver seu anjinho, só vive zoando os outros.
- Para Celinha, sou muito bonzinho.
- Gente, olhem a Elisa, vou conversar um pouquinho com ela.
- Vai Celinha diga que estou com saudades.
- Que situação chata Dudu, o pai dela nem te conhece, como pode proibir vocês de conversarem?
- Sai dessa Dudu! Vamos dar uma surra nele.
- Matheus para com isso!
- Celinha onde já se viu proibir a filha de falar com o Dudu, só porque ele é adotado. Meu pai falou que isso que isso dá um belo processo.
- O que?
- Coisa de advogado.
- Há tá bom!
- Vamos Du, vamos jogar bola!
- Legal, vamos!

Domingo, 5 de Julho de 2009

"Weekend À Francesa"

Não sou muito cá fã de Jean-Luc Godard, sei que faz um cinema vanguardista, polêmico de maneira ágil, original e quase sempre provocadora, e que é também um dos principais nomes da "Nouvelle Vague". Mas enche um pouco o meu saco. Isso não quer dizer que sou totalmente intolerante com ele, existem filmes que gosto, como no caso deste "Weekend À Francesa". O filme na minha opinião é hilário. Um casal que se destesta vai passar um fim de semana no campo, por entre bombas, terroristas, bandidos e guerra civil. Existem cenas antologicas, como do engarrafamento monstro e a maravilhosa cena final, que não contarei. Vale a pena rever pois continua atual e Godard apesar de Godard é sempre Godard.




Vinicius de Moraes - faz tempo que ele não aparecia...

O Velho E A Flor
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov

"Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor"

"Baita Sufoco"

Jogo ruim, mas nosso querido GANSO, o melhor do SANTOS, novamente, nos salva no fim.

A Violência das Leis

"Muitas constituição foram criadas - a começar pela inglesa e a estadunidense, terminando com a japonesa e a turca - de modo a fazer com que as pessoas acreditassem que todas as leis estabelecidas atendiam a desejos expressos pelo povo. Mas a verdade é que não só nos países autocráticos, como naqueles supostamente mais livres - como a Inglaterra, os EUA, a França e outros - as leis não foram feitas para atender a vontade da maioria, mas sim a vontade daqueles que detêm o poder. Portanto elas serão sempre, e em toda parte, aqueles que mas vantagens possam trazer à classe dominante e aos poderosos. Em toda a parte e sempre, as leis são impostas utilizando os únicos meios capazes de fazer com que algumas pessoas se submetam à vontade de outras, isto é, pancadas, perda da liberdade e assassinato. Não há outro meio.
Nem podeia ser de outro modo, já que as leis são uma forma de exigir que determinadas regras sejam cumpridas e de obrigar determinadas pessoas a cumpri-las (ou seja, fazer o que outras pessoas querem que elas façam) e isso só pode ser obtido com pancadas, com a perda da liberdade e com a morte. Se as leis existem, é necessário que haja uma força capaz de fazer com que alguns seres se submetam à vontade de outros e esta força é a violência. Não a violência simples, que alguns homens usam contra seus semelhantes em momento de paixão, mas uma violência organizada, usada por aqueles que têm o poder nas mãos para fazer com que os outros obedeçam à sua vontade.
Assim, a essência da Legislação não está no Sujeito, no Objeto, no Direito, na idéia do domínio da vontade coletiva do povo ou em qualquer outra condição tão confusa e indefinicda, mas sim no fato de que aqueles que controlam a violência organizada dispõe de poderes para forçar os outros a obedecê-los, fazendo aquilo que eles querem que seja feito.
Assim, uma definição exata e irrefutável para legislação, que pode ser entendida por todos, é esta: "As leis são regras feitas por pessoas que gevernam por meio da violência organizada que, quando não acatamos, podem fazer com que aqueles que se recusam a obedecê-las sofram pancadas, a perda da liberdade e até mesmo a morte".

Leon Tolstoi em A Escravidão de nosso tempo, 1900

"Armando Nogueira"

Armando Nogueira é um dos meus idolos do jornalismo esportivo, pioneiro do telejornalismo, foi responsável pela implantação do jornalismo na Rede Globo. Filho de cearenses que emigraram para o Acre, fugindo da seca, mudou-se para o Rio de Janeiro com apenas 17 anos de idade. Entrou para a Faculdade de Direito e conseguiu um emprego de ensacador, mas desde então pensava em ser jornalista. Armando Nogueira é dono de um estilo original e elegante, que foge dos lugares comuns que proliferam na crônica esportiva, dono de uma veia poética que usa demonstrar sua admiração pelo esporte e por seus ídolos.


Peladas
Armando Nogueira

"Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa: agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol, de bola, de sonho: "eu jogo na linha! eu sou o Lula!; no gol, eu não jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou aqui, já sabe." Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como está; o outro jogo sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, pára de estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, uma número cinco, cheia de carimbos ilustres: "Copa Rio-Oficial", "FIFA - Especial." Uma bola assim, toda de branco, coberta de condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!) jamais seria barrada em recepção do Itamarati.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança".

Sábado, 4 de Julho de 2009

"The Horseman"

Quem tiver a opotunidade, assista The Horseman, filme de 2009, estrelado por Denis Quaid e dirigido por Jonas Åkerlund. Quaid encabeça um elenco que mescla veteranos e jovens e bons atores num filme de suspense bom e denso. Relata a História de um detetive cuja esposa acaba de morrer e, ao investigar o caso, descobre uma ligação entre a morte dela e uma seita ligada aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Não é um filme de terror e suspense apenas, como pode parecer num primeiro momento, retrata vários problemas modernos, como: falta de tempo, relação pais e filhos, adoção, depressão, homossexualismo, tudo isso num pacote de crimes hediondos.




"Pais e Filhos/GisBranco"

Quando digo que um dos meus sonhos são esperadas mudanças nas relações entre pais e filhos. Não sou filosofo, muito menos teórico, mas começar pelo micro e atacar o macro, alguma coisa assim. Tá bem explico porque dá introdução. Há uns dias atrás postei o excelente disco de Egberto Gismonti em que faz um duo com o filho Alexandre, agora achei o disco de sua filha Bianca Gismonti que junto com Cláudia Castelo Branco formam o Duo de piano GisBranco. Apesar da pouca idade as duas trazem em sua trajetória uma afinidade e expressão musical rara, unindo o interesse por expressões musicais diversas, como os ritmos brasileiros, latinos e o jazz, com a solida formação em piano, que possibilita às duas a pesquisa e o desenvolvimento de um trabalho inovador. E assim vai pai maravilhoso e filhos seguindo o caminho. Será que há conversa entre eles? Olha o micro se desenvolvendo...

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

"Um Premio"

Acabei de receber o selo “Blog de Ouro”, do amigo, bloqueiro, comentador, palmeirense e cinéfilo, Hugo do Blog "Cinema - Filmes e Seriados" - http://cinema-filmeseseriados.blogspot.com/, que agradeço muito comovido. Deixando a modéstia de lado, adoro ganhar um prêmio, pois é um reconhecimento ao trabalho concebido. Devo esclarecer que este selo significa um termo de qualidade e incentivo ao trabalho realizado pelos cinéfilos nos seus blogs de cinema. O blog pouco de tudo não é especializado em cinema, fala de tudo, também de cinema. O cinema sempre foi uma atração para mim, desde pequeno ficava perplexo com a tela e o projetor. Acreditem ou não, eu tinha a mesma mania de François Truffaut, de roubar os cartazes, e fotografias dos filmes. De tanto fazer, meu pai passou a trazer para mim, pois tinha um aluno que trabalhava num cinema do centro de São Paulo. Bom chega de lembranças, quem recebe a indicação para o selo deve:

1) Exibir a imagem do selo;
2) Postar o link do blog que te indicou;
3) Indicar 4 blogs de sua preferência;
4) Avisar os seus indicados;
5) Publicar as regras;
6) Conferir se os blogs indicados repassaram o selo e as regras.

Meus blogs indicados são:

Educação e Filmes
http://edfisicabra.blogspot.com/

Cinema Cultura
http://cinemacultura.blogspot.com/

O Cara da Locadora
http://ocaradalocadora.com.br/

Turminha do Ramom
http://turminhadoramon.blogspot.com/

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

"Escondido"

Pronto, tomei uma decisão. Ninguém vai saber. Ninguém vem aqui. A casa é grande. Fico escondido e as pessoas se esquecem de mim. Quando todos saírem de manhã, vou até a cozinha e roubo umas comidinhas. Ninguém vai reparar. Espero a Sueli ir limpar os quartos e vou pra cozinha. Ninguém vai notar que estou aqui do lado, no terreno baldio. Quando chover fico debaixo do abacateiro e me protejo. Meu canto secreto. Tô cansado de pai, mãe irmão, irmã, empregada, filha da empregada, professoras, diretora, amigos, inimigos. Tô cansado de chateação. Quero ser livre, independente. Quero viver minha vida, sem ouvir bronca, ficar de castigo, receber ordens, fazer a cama, estudar, fazer lição, provas, dormir cedo, credo que chatice. Sem ser torturado pelas regras dos mais velhos.
Não quero viver com os outros, são muito chatos. Eles não procuram me entender. Gosto de brincar. Não tenho destino. Não quero ser nada quando crescer. Alias não quero crescer. Quero ficar como sou pelo resto da vida. Sou como o vento. Quero apenas aproveita a brisa e se der voar. É criar asas e voar por este céu imenso. Conhecer muitos lugares. Ver coisas que nunca vi. Não ficar indo a escola e fazer aquelas coisas inúteis que a professora pede. Sou como um prisioneiro dentro de casa. Quero viver aqui no terreno baldio, na mata. Sentir o cheiro dos bichos e viver como eles. Ser um garoto selvagem.
-Ah você está ai?
- Puxa Juca que susto!
- O que você está fazendo aí João?
- Eu fugi de casa!
- E veio pro terreno baldio, debaixo do abacateiro.
- Como você me achou aqui?
- Fazia o mesmo, brigava com a mamãe e fugia pra cá.
- Verdade?
- É! E a Bia também.
- A Beatriz também?
- É, e as vezes fugíamos juntos. Fizemos daqui o nosso cantinho secreto.
- É mesmo?
- É achávamos que ninguém ia nos achar aqui. Até que escurecia e ficávamos com medo. Ai voltávamos para casa, com o rabo entre as pernas.
- Eu não vou voltar.
- Sei, sei! O que aconteceu?
- A mamãe vive brigando comigo. Eu não fiz nada!
- João, você aprontou na escola. A professora mandou um bilhetinho. Mamãe te colocou te castigo.
-‘Foi só uma brincadeirinha com a Sonia, eu e o Carlinhos colocamos uma cobrinha na mochila dela.
- Brincadeirinha! Mas ela até desmaiou!
- Desmaiou porque é uma chata, a cobra nem de verdade era!
- AHAHAHAHAH!Tal seria!
- Não ria ë serio! Não precisava fazer todo escândalo.
- Não foi com você.
- Puxa Juca! Ta vendo, nem você que é meu irmão, me defende!
- João, é muito importante que reconheçamos nossos erros. Essa brincadeira foi de mal gosto, poderia acontecer algo pior.
- Algo pior?
- É, ele podia ter ido parar no Hospital.
- Só por causa disso!
- Pra você ver que não foi tão inocente assim. Mamãe tem razão de ficar brava. Afinal são os pais que nos ensinam os limites dessa vida.
- O que?
- Um dia você vai entender! Agora vamos pra casa.
- Será que a mamãe vai me querer de volta?
- Vai sim, ela está brava, mas os pais tudo perdoam.
- Ela falou que era melhor eu não ter nascido, que você e a Beatriz não davam tanto trabalho, que eu era filho da velhice e que ela e o papai não davam contam de mim.
- Bobagem! Ela estava nervosa.
- Acho que ela não me quer mais.
- Ela que me mandou procurá-lo. Está muito preocupada.
- Tem certeza?
-Tenho sim. Afinal você é o bebê dela!


"1968"

Planeta
Pegou Fogo
Época dos Jovens
Revolta
Reivindicam Mudança
Ordem Mundial
Fulgurante Presença
Vivência
Turbilhão
Sons
Imagens
Explosão
Adesões
Presença Física
Indignação
Comunicação de Massa
Reações

Definição e Significado da Anarquia

Ignácio Acosta Ruiz (Espanha) Extraído do jornal CNT# 236, Junho de 1998.


"A palavra anarquia vem do grego e é composta da partícula de negação “an” e de “arquia”, que quer dizer mando, poder, autoridade. Etimologicamente, pois, a palavra anarquia, que deveria ser escrita anarquia, significa estado de um povo, ou dito com mais exatidão, de um meio social sem governo.
Como ideal social e como realização efetiva, anarquia quer dizer uma maneira de viver na qual o indivíduo, desembaraçado de toda coação legal e coletiva que tenha a seu serviço uma forca pública, não terá outras obrigações do que as que sua própria consciência imponha. Possuirá, portanto, a faculdade de entregar-se às inspirações reflexivas de sua iniciativa pessoal; gozará do direito de tentar todas as experiências que lhe pareçam desejáveis ou fecundas; aceitará livremente todos os acordos que lhe liguem aos seus semelhantes, sempre de caráter revogável; e não querendo que ninguém sofra com sua autoridade, resistirá a sofrer a autoridade do outro, seja quem seja. Assim, dono soberano de si mesmo, da direção de sua vida, da utilização que faça das suas faculdades, de seus conhecimentos, de sua atividade produtora, de suas relações de simpatia, amizade e de amor, o indivíduo organizara sua existência como melhor lhe convier: desenvolvendo-se em todos os sentidos a sua maneira, sem mais limites que os assinalados pela liberdade, plena e inteira, dos demais indivíduos.
Essa maneira do viver implica um regime social no qual está desterrada toda a idéia do salário e assalariado, do capitalista e proletário, do amo e servo, de governante e governado.
Explica-se que, definida assim a palavra anarquia, esta tenha sido com o tempo insidiosamente desviado de sua significação exata, que tinha sido tomada no sentido de “desordem”, e que na maioria dos dicionários e enciclopédias só ajam citações com essa acepção: desordem, caos, transtorno, confusão, etc. Excetuando-se os anarquistas, todos os filósofos, moralistas e sociólogos, inclusive os teóricos da democracia e os doutrinários do socialismo, afirmam que sem governo, sem legislação, sem uma força repressiva que assegure o respeito à lei e castigue toda infração dessa, não possa haver mais que desordem e criminalidade.
Agora, será que não se dão conta, moralistas e filósofos, estadistas e sociólogos, da espantosa desordem que, apesar da autoridade que governa e da lei que reprime, reina em todas as partes? Tão imbuídos estão de sentido crítico e de espírito observador que não percebem que, quanto mais se aumenta a regulamentação, mais se estreitam as malhas da legislação, e mais se estende o campo da repressão, em maior grau se multiplicam a imoralidade, a abjeção, os delitos e os crimes?
É impossível que estes teóricos da “ordem” e esses professores de “moral” confundam séria e honradamente os que eles chamam de “ordem” com as atrocidades, os horrores e as monstruosidades cujo indigno espetáculo ocorre diariamente ante nossos olhos. E maior é ainda a impossibilidade de que esses sábios doutores acudam à virtude da autoridade e a força da lei para atenuar e fazer desaparecer a força todas aquelas infâmias. Semelhante pretensão seria pura demência.
A lei tem um só objetivo: justificar primeiro e sancionar depois todas as usurpações ou iniqüidade sobre as quais se assenta o que os beneficiários destas iniqüidades e usurpações chamam “ordem social”. Os detentores da riqueza cristalizaram na lei a legitimidade original de suas fortun
as; Os detentores do poder levaram a categoria de imutável e sagrado o respeito devido pelas multidões aos privilegiados, ao poder e a majestade com que se aureolam. Pode-se examinar até o fundo o conjunto desses monumentos de hipocrisia e de violência que são os códigos, todos os códigos. Não se encontrará uma só disposição que não esteja a favor destes dois aspectos de ordem histórico e circunstancial, que se pretende converter em aspectos de ordem natural e fatal: a propriedade e a autoridade.
Cedo aos hipócritas oficiais e aos profissionais do charlatanismo burguês tudo o que na legislação se refere à “moral”, já que esta não é, nem pode ser, em um estado social baseado na autoridade e na propriedade, mais que a humilde servidora e a desavergonhada cúmplice daquela e desta".

"Crianças e Livros"

Não é preciso explicar nada a uma criança, é preciso maravilhá-la, dentro de um livro existem maravilhas. Os livros nos dão conselhos, nos mostram como é a vida, assim as crianças deveriam morar neles. O mundo é um belo livro, assim devemos ensinar todas as crianças a ler, para que elas possam compreende-lo e modificá-lo. O livro é uma extensão da memória e da imaginação, uma criança que lê é uma criança com imaginação, memória e que saberá modificar sua história. Sábios conselheiros para as crianças, os livros são silenciosos, amigos e os mais pacientes professores. Os livros recordam que todas as grandes personagens foram crianças um dia. A criança é por natureza, um ser do encantamento, um ser que experimenta a leveza, o livro é por natureza um instrumento que desabrocha esse encantamento e desperta a vontade do experimento e da leveza. Criança e livro, complemento um do outro...

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Saudações Egberto,Alexandre e Camerata Romeu...

Lindo o último CD de Egberto Gismonti, acho que não saiu ainda no Brasil. Depois de 14 anos sem gravar ele vem com um albúm duplo. O primeiro CD, descrevendo a paisagem a cultura e a História do Brasil através de uma viagem musical, literária e cinematográfica, orquestrada pela Camerata Romeu de Cuba sob a regência de Zenaida Romeu. O segundo, emocionante, um duelo musical de violões, entre o autor e seu filho Alexandre, sobre suas obras favoritas, como: Dança dos Escravos; Lundu e Palhaço, entre outras.



"Guilhotina"

Hoje resolvi escrever sobre a guilhotina, instrumento de corte francês que servia para decepar cabeças. Sempre tive profunda admiração por estes instrumentos. Primeiro por acha-los extremamente chiques e elegantes, uma forma civilizada de matar os outros. Ora vejamos na Inglaterra usavam aqueles indivíduos troncudos com um capuz negro na cabeça e com um machado do tamanho de um bonde nas mãos, convenhamos, algo bárbaro e profundamente deselegante, assustava qualquer um o condenado, logo defecava nas próprias calças. E em segundo lugar, pelo conforto dado ao condenado que ficava numa posição vertical, bem tranquilo, não tendo maiores problemas. A guilhotina foi inventado por Joseph Ignace Guillotin, médico francês envolvido na causa revolucionária francesa. Por isso ele é lembrando como um político cientista. Guillotin queria apagar todos os rastros da tortura e sofrimento deixado pelo poder absoluto do Império, por isso que a guilhotina proporcionava uma morte ligeira e indolor ao sentenciado à morte. Apesar da crença popular, o médico Joseph Ignace Guillotin não morreu guilhotinado, mas sim de causas naturais. A associação com a Guilhotina embaraçou tanto a família do Dr. Guillotin que eles peticionaram ao governo francês a mudança do nome do instrumento; quando o governo recusou, eles então mudaram o nome da família. Logicamente que estou brincando, está era uma exposição que fazia em aula para os alunos, para deixá-la mais movimentada e fascinante. Sou um Humanista e contra a pena de morte.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sobre Glaucoma e outras coisas...

Hoje finalizei os exames da vista, realmente tenho glaucoma, mas a doutora disse que não me preocupasse, está no começo e estamos iniciando o tratamento a base de colírios. É para toda a vida, tudo bem, existem coisas na vida, que são para toda vida e a gente não reclama. Algumas prazerosas outras chatas, a gente vai levando e cumprindo. De resto tocando minha vidinha, procurando trabalho: alguém conhece alguém que precise de um escritor desempregado? Estou no mercado, escrevo um pouco de tudo, faço até ficha bibliográfica, ahahahahah!!!. Sou bom mesmo. Estou também preparando o lançamento do meu “Casa das Fadas”, para Agosto, espero fazer uma festa bonita. Hoje é aniversário da Naninha nossa afilhada, compramos um bolo, assamos o Filé Mignone, tinha brigadeiro e cantamos parabéns a você. Ela gostou. Com direito a presentes também. Amanhã Vera viaja com uma amiga para descansar um pouco e dar um descanso ao maridão que vai estudar um pouco e continuar a procurar emprego.
E assim a vida passa e vamos tocando...


Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

"Sonhos e História"

Ontem ralaram comigo: Você não publica nada sobre o Sarney e fica perdendo tempo com clarinhas, meninos e vôs dentro de um trem que nem existe mais. Pura perda de tempo. O país passando por momentos importantes e você um professor de História, perdendo o trem da Historia. Depois da critica, me dei a pensar. Com o passar dos anos aprendi a não discutir, você faz cara de bife, dá uma risadinha com o canto da boca e sai pelos cantos, até se desculpa: é não pensei nisso; para depois refletir.
Fico cá matutando com meus botões: por que escrever e dar tanta importância a Sarney, ou a Renan ou até mesmo ao Senado? O que adianta mostrar aqui todas as sujeiras e desmandos que assolam este país. Para isso existem os Jornais e Revistas. Essas coisas são históricas sim, e acontecem desde antes de eu nascer. Coisas pelas quais eu fui contra quando jovem. Coisas que lutei, fui preso, até levei uns tapinhas da policia, nada de mais serio, não se preocupem, nunca fui toturado. Coisas que um dia sonhei modificar, transformar. Ora, fico me perguntando: de que adiantou? Esse país de governantes, que ainda não tiraram à faixa de rei, que vivem como ele, não importando a classe social de sua origem. Governantes que dormem envoltos em renda francesa e que não querem saber dos problemas do povo. Ainda estão na celebre frase atribuída a Rainha: “Não tem pão, que comam brioche”, e ela nem disse tamanha asneira. Esse país viciado em má conduta, onde transgredir a lei é o normal.
Hoje na maturidade prefiro ficar no sonho. No sonho do menino Daniel, que não quer nada, só uma família para amá-lo. No sonho do menino que vê as nuvens se mover e mudarem de forma, enquanto passeia de trem com seu avô. No sonho do Bruno de montar as coisas e não só de desmontá-las. No sonho do menino que abraça o pai depois de uma traquinagem e tem sua compreensão e afeto. No sonho do menino Tuhu, surrealista e musical por entre bachianas, índios, africanos e choros. No sonho de Clarisse em fazer as pazes com o namorado. Nos sonhos do menino escondido molhado, com sua rosinha, na frente da casa da sua amada. Nos sonhos do violão do Zé Paulo Becker. Nos sonhos das vozes do Marcio Lott e do Marcos Sacramento. Nos sonhos orquestrais urbanos neuropolis de Livio Tratemberg. Nos sonhos de DRUMMOND. Nos sonhos infinitos de Clarinha. Isso para mim é mais importante que falar de gente que não tem a mínima consideração pelos seus semelhantes, apenas são avídos pelo poder político e econômico, ficando cada vez mais mesquinhos e longe da realidade em que vivem. Minhas pessoas irreais, são mais reais que eles, são pessoas que necessitam de um código moral, ético e sentimental para viverem. São pessoas que precisam conviver e olhar para os outros todos os dias, todas as horas e por isso necessitam ter normas de conduta. Quando escrevo sobre elas, escrevo sobre esses meus sonhos. Escrevo sobre minha forma de transformar o MUNDO. Sobre isso...

Gostaria que nas próximas eleições ninguém saísse de casa para votar, toda população permanecesse em seus lares em atitude de protesto e negação a estes políticos viciados que estão aí...

Este é o sonho dourado, infinito do menino Danilo...

Domingo, 28 de Junho de 2009

Foi um sufoco...



Mas GANHAMOS!!!!!!!!!!!!!!!

"Livio/Neuropolis"

Não é Ong de música, não é um trabalho social, não vim para tirar ninguém da rua. Como diz o próprio maestro Livio Tratemberg. Depois de anos estudando o trabalho dos musicos anonimos da cidade de São Paulo, o maestro resolveu montar uma orquestra com eles, nascia o Neuropolis. Eles são tratados como profissionais, tem seus direitos, deveres e ganham seus cachês. O Neuropolis já está colhendo frutos, teve dois desdobramentos: o Som do Meio Fio (versão reduzida do grupo, com sete integrantes) e a Blind Sound Orchestra. "O artista cego é uma tradição das ruas", justifica, sobre a Blind Sound. São três músicos - dois sanfoneiros e um violonista - que atuam com Livio em trilhas sonoras de filmes mudos.
Livio abandonou os estudos formais no segundo ano do ensino médio. Seu autodidatismo foi herdado do pai, o sociólogo Maurício Tragtenberg (morto em 1998), que foi mordaz crítico do ensino convencional e autor de obras como A Delinquência Acadêmica e Burocracia e Ideologia, uma das grandes cabeças pensantes deste país, que foi meu professor.




Sábado, 27 de Junho de 2009

"Menino e Vô"

- Vô esse trem não chega!
- Se acalme.
- Que demora!
- Beto você já andou pela estação toda, senta um pouco e fique quieto.
- Por que não fomos de carro?
- Seu pai não podia nos levar. Tinha muito trabalho.
- E de avião?
- Não passa por lá.
- E de ônibus.
- Beto senta! Senão te dou uma bengalada.
- No meu traseiro?
- É!
- Não vô! Dói.
- E deixa marca, vou mostrar para todo mundo.
- No meu traseiro, não!
- Vem cá, moleque, senta perto do seu avô.
- Vô, é verdade que seu pai te batia com vara de marmelo?
- É já te contei.
- E você batia no meu pai com a vara também?
- Não menino! Isso é coisa das antigas!
- Ah que pena!
- Ué você queria que seu pai apanhasse com vara? Sabe o quanto dói?
- Não.
- Então por quê? Pelo que eu saiba seu pai nunca lhe bateu.
- É, mas já me colocou de castigo.
- Também você não para quieto.
- Vô, onde tamos indo?
- Visitar a Tia Jurema, minha irmã, ela ainda mora em São João do Rio Claro, na casa que eu nasci.
- Nossa isso é longe! Olha vô o trem chegou!Tá com as passagens?
- Estou sim, não se preocupe.
- Vô o trem mexe muito.
- É assim mesmo até você se acostumar.
- As poltronas são muito grandes.
- Não é! São muito gostosas. Você se perde nelas.
- Olha vô, quantas nuvens.
- É mesmo, agora fica quieto um pouco, apreciando a paisagem.
Passado um tempo.
- Vô!
- O que menino! Eu estava tirando um cochilo.
- E roncando...
- Tá bom’, tá bom, o que você quer?
- Por que as nuvens mudam de forma?
- Por causa do vento, assim elas mudam de forma e posição. O vento é que as muda, podem tomar varias formas, olha aquela ali parece um gatinho.
- É, e aquela parece uma galinha.
- É mesmo. Beto, elas mudam de forma e posição, mas são sempre nuvens no céu, devemos ser assim, devemos crescer mudar nossa forma de pensar, porém, devemos ser leais aos nossos sentimentos, aos nossos sonhos, lembre-se, tudo se desmancha no ar, menos nossa conduta, nossa maneira de ser.
- Puxa vô, não entendi direito, mas devemos ser como nuvens?
- Devemos crescer, nos atualizar, mas sempre com dignidade.
- Ah...
Mais um instante de silencio.
- Vô por que o céu é azul?
- Oh Beto, você tem cada uma. O céu é azul porque o ar tem essa cor e afinal, há apenas ar no céu.
- Ah vô, não mente!
- É verdade Beto! Quando a luz do Sol chega a Terra, ela esbarra com a atmosfera, assim a luz azul é a que mais se espalha em todas as direções. Por isso, vemos o céu azul!
- Mas vô, o céu muda de cor.
- Sim, no final da tarde a cor vermelha é a que mais se espalha e a noite, não há sol, por isso o céu é preto.
- Puxa vô, como você sabe tudo isso?
- Estudando, Beto, estudando.
- Ih vô, estudar é tão chato!
- Não é, não, Beto. Estudando é que compreendemos as coisas e como caminha o mundo.
- Eu não gosto de ir a escola.
- Porque você acha chato estudar, mas tente ver de forma diferente. Tudo que você me perguntou hoje é estudo.
- Até da vara de marmelo?
- É, até da vara, era uma forma da sociedade tratar as crianças numa época, isso é História. Sobre o céu e as nuvens, ciências, e assim por diante.
- Mas assim é gostoso de estudar.
- Se você encarar a escola assim, talvez, ela se torne gostosa.
- Não sei vô, mas vamos continuar nossa conversa. Por que os bois pastam? ...
Lá vai o trem com um menino, lá vai a vida a rodar...


DRUMMOND/ANARQUIA

EU ETIQUETA

(CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE)

"Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,

Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)

E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente".


"Maria Clara"

Era uma menina fofinha, linda, a gatinha do papai, primeira neta e princesa do vovô e da vovó, cheia de carinho e mimos. Clarinha, faces rosadas e sempre rindo. E fazia coisas de menina: brincava de boneca; de casinha; fazia bolinhos imaginários. Ultrapassava as barreiras da realidade, seguia a imaginação, almejava o infinito. Fazia o que não devia também: rolava na lama; derrubava as coisas; mexia nos enfeites de cristal; brigava com seu irmão caçula, o Bruno. E como brigava; esperneava, gritava; chutava... Pra tudo era briga; ele me olhou, falou comigo, me irritou... Não que Bruno fosse bonzinho, era um capeta vestido de menino e atormentava todo mundo. Os dois juntos formavam uma bela dupla. Selma, a mãe, é que sabia.
Um dia a briga foi feia, Bruno tinha mania de pegar os brinquedos e desmontá-los, não por maldade, menino curioso, queria saber como eram feitos, lógico que depois não sabia montá-los de novo, no auge de seus cinco anos. Fez isso com uma boneca de Clarinha, uma que estava no armário há muito tempo, bem guardada e não fazia mais parte das brincadeiras, aquela que nem um olho mais tinha, e de repente se tornou a boneca mais importante do mundo, a preferida a que eu durmo todo dia com ela.
Selma tentou acalmar os ânimos, pegou a filha pelas mãos e disse:
- Vem filhinha, vem comigo, pega a boneca e vamos consertar, o deixa para lá.
Não adiantou, no auge da raiva Clarinha largou das mãos carinhosas da mãe, foi para o irmão e forças. A surra foi tanta que o coitado só fazia chorar, nem se defender ele pode. Que dó! Selma conseguiu afastar a filha e lhe deu uma palmadinha, de tão assustada.
- Você me bateu! Toda indignada. Não moro mais aqui! Não gosto mais de você e no arrebatamento dos seus seis anos e meio foi fazer sua mala, decidida.
Selma pegou Bruno pelas mãos e foi atrás.
- Maria Clara para onde você vai minha filha, é tarde?
- Pra casa da minha vó, ela não me bate!
- Para com isso filha, foi só uma palmadinha e você merecia mais.
- Ta vendo, você só defende ele!
- Não senhora!
- Defendo os dois! Os dois são meus filhos. Você se esqueceu da briga com o Paulinho, quem te defendeu de tomar uma surra e ainda levei um tapa daquele menino.
- E mesmo!
- É lembra! Para com isso, não vá incomodar sua vó, ela só vai ter o trabalho de te trazer para cá de novo.
- Ta bom mãe, mas fala pra esse menino não mexer nas minhas coisas.
- Esse menino, é seu irmão, fala você mesmo. Com jeitinho!
- Olha, vamos até a sala montamos a boneca com o Bruno, assim ensinamos a ele como montar as coisas que ele desmonta.
- Será que este burro vai aprender?
- Não sou burro, sua chata! Burra é você!
- Não, não! Não vamos começar tudo de novo. Gostaram da idéia ou não.
- Vamos então mamãe!
- E Você Clara?
- Pra mim tudo bem, vamos tentar né!
E foram os três...
(História com os futuros irmãos do Dudu, Clara e Bruno, para comemorar o lançamento do Casa das Fadas, em Agosto, pela Editora Multifoco)




"Brasil X Estados Unidos"

Por incrível que pareça a final da Copa das Confederações, que em 2009, esta sendo jogada na África do Sul, país de Mandela e do Regime do Apartheid no qual ele foi contra e conseguiu com outras vozes silenciosas acabar, vai ser entre Brasil e Estados Unidos. Incrível porque todos esperavam o Brasil, mas não o país do Norte, onde se joga Basquete, Beisebol e Futebol Americano, foi uma surpresa, ninguém achava que passaria da primeira fase. Surpresa! Grande surpresa que sempre nos dá um suadouro daqueles. Acredito que o Brasil joga todos seus complexos de inferioridade contra os americanos. Sempre quisermos ser como eles, desde a Inconfidência Mineira quando estudantes foram buscar apoio da nova nação, depois na Independência, lembram dos Estados Unidos do Brasil, quando da Proclamação da Republica copiamos seu modo de ser e assim por diante. O que devemos fazer amanhã e o que fizemos na primeira fase do torneio, ou seja, esquecer da inferioridade, a Histöria e lembrar de NOVOS TEMPOS, passar um ROLO COMPRESSOR neles, os Deuses do Futebol sempre estiveram por estas bandas e nunca ligaram para o Norte e o Norte nunca ligou para eles. Conosco é diferente sempre fomos abençoados, neste esporte somos únicos e continuamos únicos.