quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Encontrados
Obrigado a todos que ajudaram.
domingo, 15 de novembro de 2009
Filipe e Gustavo - Desaparecidos
O Gustavo e o Filipe são irmãos, os dois estavam no lançamento do "Casa das Fadas", são meninos bons e inteligentes. O Gustavo fez algumas ilustrações para o livro.
É Necessário sua ajuda,
Abraços,
Dan


Essas duas crianças estão desaparecidas desde sábado à noite (dia 07/novembro). Seus nomes: Filipe (13 anos) e Gustavo (9 anos). Passem essa mensagem a todos que puderem. Por favor publiquem em seus blogs.
Henrique VIII e Marquês de Pombal - Uma Comparação

No reinado de seu filho Henrique VIII o Absolutismo inglês começa a se consolidar. Utilizando de um problema pessoal, seu divorcio, Henrique VIII aproveitou para aumentar seu poder pessoal.O rei era casado, com Catarina de Aragão, sobrinha do imperador do Sacro Império, Carlos V, como não tinham filhos homens, apenas uma mulher, Maria Tudor, e a rainha era mais velha que ele, Henrique VIII, pediu seu divorcio, para casar com uma jovem cortesã inglesa, Ana Bolena.
Como o imperador Carlos V era aliado do papa na luta contra Lutero, este não quis entrar em choque com ele, inconformado Henrique VIII, com ajuda do Parlamento inglês, rompeu com o papa em 1534, através do Ato de Sucessão. Este documento dava ao rei a chefia da Igreja na Inglaterra. O rei confiscou os bens da Igreja Católica, passado – os para o Estado. Logo depois se casou com Ana Bolena. Estava sendo realizada a Reforma Religiosa na Inglaterra, a nova Igreja vai se chamar Anglicana, esta obra reformista só vai ser completada no reinado Elizabeth I filha de Henrique VIII. Junto com a Reforma Religiosa o rei aproveita para aumentar seu poder pessoal.
Portugal foi o primeiro Estado Absolutista a ser constituído na Europa, unido sobre a dinastia de Borgonha em 1139, mas só em 1383 com a subida ao trono da dinastia de Avis é que o absolutismo se consolida.
O Marques do Pombal governa Portugal no século XVIII, enquanto Henrique VIII governa a Inglaterra no século XVI. São momentos históricos diferentes. Henrique VIII tratou de aumentar seu poder pessoal dando as bases do Absolutismo inglês, enquanto o Marques como primeiro ministro do rei D. José, tratou de manter o regime e de melhorá-lo já que no século XVIII o absolutismo passou a ser questionado.
Marquês de Pombal é o nome com que ficou conhecido Sebastião José de Carvalho e Melo, político e verdadeiro dirigente de Portugal durante o reinado de José I, o Reformador. Nasceu em Lisboa no dia 13 de maio de 1699. Estudou na Universidade de Coimbra. Em 1738, foi nomeado embaixador em Londres e, cinco anos depois, embaixador em Viena, cargo que exerceu até 1748. Em 1750, o rei José nomeou-o secretário de Estado (ministro) para Assuntos Exteriores.Quando um terremoto devastador destruiu Lisboa em 1755, Pombal organizou as forças de auxílio e planejou a reconstrução da cidade. Foi nomeado primeiro-ministro nesse mesmo ano. A partir de 1756, seu poder foi quase absoluto e realizou um programa político de acordo com os princípios do Século das Luzes ou Iluminismo. Aboliu a escravidão, reorganizou o sistema educacional, elaborou um novo código penal, introduziu novos colonos nos domínios coloniais portugueses e fundou a Companhia das Índias Orientais. Além de reorganizar o Exército e fortalecer a Marinha portuguesa, desenvolveu a agricultura, o comércio e as finanças, com base nos princípios do mercantilismo. No entanto, suas reformas suscitaram grande oposição, em particular dos jesuítas e da aristocracia.
Quando ocorreu o atentado contra a vida do rei em 1758, conseguiu implicar os jesuítas, expulsos em 1759, e os nobres; alguns destes foram torturados até morrer. Em 1770, o rei lhe concedeu o título de marquês. Depois da morte do rei José I, foi condenado por abuso de poder. Expulso da Corte, retirou-se para sua propriedade rural em Pombal, onde faleceu no dia 8 de maio de 1782.
sábado, 14 de novembro de 2009
Adoção
- Você acha Pato? Queria tanto!
- Claro Dudu!
- Ter uma caminha gostosa, uns colinhos fofinhos, ganhar um monte de beijinhos. Alguém que me chame de filho. Preciso de uns pais, ser filho de alguém. Não seria bom?

Crianças precisam viver na harmonia, sentir-se amadas. Não importa a idade. Pense: em algum abrigo existe alguma criança que precisa de você. Alguma criança com olhinhos singelos, que vai te seduzir.
- Dudu, não se zangue comigo, mas posso perguntar uma coisa?
- Pode Matheus?
- Como é ser órfão?
- Ah Matheus é muito triste, você não tem ninguém e fica imaginando como séria ter um papai uma mamãe, um quarto seu. Eu imaginava um quarto azul, que vi uma vez numa revista. A gente fica muito sozinho, sem amor, às vezes perde até a esperança. Pensa que ninguém te quer.
- Puxa Du!
- O pior Matheus, são os feriados, os sábados, os domingos. Você fica na porta do abrigo vendo varias crianças passeando com seus pais e você lá abandonado.
- Meu amigo não queria fazer você chorar!
- Não tem importância Matheus, meu pai acha que eu não posso esconder meu passado e que nós estamos construindo uma relação de confiança.
- Dudu eu gosto muito de ser seu amigo!
"Casuarina"

Passeando pela FNAC no sábado passado, achei esta jóia rara que vale a pena para todos que gostam de MPB e de um bom samba.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
"Sementinha"

- Como é boa a hora do recreio!
- Como são boas as férias, Celinha! Falta só essa semana e depois farra!
- Ih Ricardo! Quer saber? Não vejo a hora das aulas começarem de novo!
- Sonia deixa de ser chata! As aulas nem acabaram ainda e você quer que elas comecem de novo! Vou aprontar com você!
- Não Ricardo!
- Então não fala besteira!
- É que vou sentir saudades de vocês.
- Ah, mas nós podemos nos encontrar nas férias. Eu não vou viajar. Meu pai e minha mãe estão com muito serviço.
- Que pena Ricardo!
- Não é não Sonia fico com minha mãe. Você vai viajar?
- Vou prá Ribeirão Preto, minha terra, visitar a família.
- O mês todo?
- Duas semanas.
- Que bom! Vamos poder nos encontrar! Você vai viajar Elisa?
- Vou pra Minas com meus pais, só por uma semana!
- Eu só visitar meu avô, em Taubaté e volto logo, Ricardo.
- Oba Celinha, vamos estar todos aqui.
- E o JJ, Ricardo?
- Acho que não vai viajar! Não sei direito!
- Por falar nisso, onde ele está?
- Ih, não sei Elisa, esse menino está meio avoado ultimamente! Só fala do Beatles.
- Olha ele lá, vem vindo para cá! Oi JJ onde você estava?
- Na classe, Celinha, pensando um pouco!
- Não falei, ele tá avoado!
- Pensando no que?
- Nas minhas notas, na musica dos Beatles e no Sementinha, Celinha.
- Quem é o Sementinha?
- Meu irmãozinho, que ainda ta na barriga da minha mãe.
- Seus pais vão ter outro filho, JJ?- Vão sim Elisa!
- Por isso você tá avoado! Uma criança nova perturba a vida da gente.
- Ricardo, não fala assim!
- Falo sim Elisa, irmão mais novo só serve pra atrapalhar!
- Também acho! Não estou gostando nem um pouco desta idéia!
- Dá logo uma surra nele JJ, para saber quem manda!
- Ricardo que conselho louco!
- Não é não Sonia! Ter um irmão é uma porcaria. Eu sei o que passei quando a Clarissa nasceu. E até hoje, aquela chata vive me enchendo.
- Ricardo não posso fazer isso! Conversei muito com meus pais e prometi a eles que ia ajudá-los a cuidar do Sementinha e que não ia ter ciúmes. Eles falaram que vão me tratar do mesmo jeito e que nada vai mudar.
- Você está procurando responsabilidade!
- Isso eu já tenho Ricardo; arrumar o quarto, fazer as lições, estudar. Isso todo nós temos.
- É verdade JJ, nós dois somos meninos responsáveis.
- Você vai ver JJ, vai adorar seu Sementinha e vai ajudá-lo muito.
- Espero Sonia. Gostaria que ele fosse uma criança legal.
- Então você não vai viajar nas férias?
- Não Elisa, vamos ficar por aqui!
- Que bom JJ, podemos nos encontrar nas férias.
- Legal Celinha!
- Olha o sinal gente, vamos entrar para classe...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Absolutismo

A Idade Média, segundo os historiadores, ocorreu se entre os séculos V e XIV, onde predominou na Europa Ocidental o Feudalismo. Entre os séculos XI e XIV este momento histórico, começa a se transformar, houve um grande aumento da população e ocorreu o renascimento do comércio e das cidades.
O século XIV, na Europa foi o caos: muitas guerras, muitas revoltas, para não contar com a peste negra, aonde pessoas morriam da noite para o dia, famílias inteiras eram aniquiladas, foi um momento negro na História do Ocidente, que desestruturou a Idade Média de vez, inaugurando uma nova época na vida dos povos europeus.
O século XV é um século de mudanças, inaugurou um novo período histórico na Europa ocidental: a terra tão importante na Idade Média, perde parte de seu valor, as relações de dominação e exploração vão mudando. Esta sendo inaugurado um novo momento na História, que se denominou chamar de Idade Moderna ou Modernidade.
Como todo período histórico, a modernidade possui uma série de características e momentos importantes.
O mundo moderno em vários aspectos constituiu uma negação ao mundo medieval, culminando em seu oposto, embora ainda conservando algumas de suas características. O processo histórico é lento e gradual, as transformações não acontecem por completo da noite para o dia. Assim podemos chamar a Idade Moderna de um período de transição. Foi o momento de consolidação dos ideais de progresso e desenvolvimento, que reforçou o pensamento racionalista e individualista.
Na Idade Média o rei não tinha muito poder, este estava nas mãos dos senhores feudais que mandavam em seus feudos, sendo, nestes locais mais poderosos do que o rei. É o que chamamos de poder local. A partir do Renascimento do Comércio, apareceu na Europa uma nova classe social, a burguesia, Ligada a atividade mercantil, logo passou a reivindicar algumas mudanças: era necessário unificar o reino.
A partir do século XV, os reis tornam – se absolutista, isto é, centralizam o poder em suas mãos Com ajuda dos nobres e dos burgueses, eles formam os Estados Nacionais, que tem as seguintes características: centralização e unificação administrativas; formação de uma burocracia, isto é um grupo de pessoas especializadas nos negócios administrativos; formação de um exercito nacional; unificação monetária e dos impostos e justiça real. Os reis passam a exercer a autoridade máxima perante a nação.
O rei passa a possuir muito poder, mas esse poder não é ilimitado, ninguém governa sozinho, eram ajudados por seus ministros, homens de confiança. Por outro lado, o Estado absolutista, dependia dos impostos e dos recursos gerados pelo comércio, sendo o progresso e o desenvolvimento das atividades mercantis fatores para sua preponderância e opulência. Assim os cargos do governo eram mantidos por representantes da burguesia em conjunto com os tradicionais elementos da nobreza. Nenhum dos Estados absolutos pôde jamais dispor segundo o livre arbítrio da liberdade e das propriedades fundiárias da nobreza e da burguesia, nem conseguir tão pouco levar a cabo a centralização administrativa ou a unificação política. De fato a monarquia absoluta no Ocidente foi, portanto, sempre duplamente limitada: pela persistência de corpos políticos tradicionais colocados abaixo dela e pela presença de uma lei moral situada acima. Por outras palavras, a dominação do absolutismo exerceu se, no fim de contas, necessariamente nos limites das classes cujos interesses ele preservava.

Para justificar este poder muitos teóricos da época preocuparam – se em mostrar que o poder real era legitimo. Homens como Jean Bodin, Jacques Bossuet, Thomaz Hobbes e Nicolau Maquiavel, mostraram em suas obras, o direito divino e social do rei em governar.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Muro de Berlim
Adeus Vergonha!!
A queda do socialismo na União Soviética, vai mudar toda a face do leste europeu, ele foi implantado à força sob a orientação da URSS. Com a crise soviética, os movimentos contrários a esse socialismo ganharam força, países como a Polônia, Hungria e Bulgária, foram palcos de muitos movimentos, que levaram à transformação do regime, tirando os Partidos Comunistas, sob orientação soviética do poder, estabelecendo nos anos de 1989 e 1990, eleições livres.
A Alemanha era um país dividido em dois, a parte capitalista chamada de Alemanha Ocidental ( RFA )e a parte socialista, chamada de Alemanha Oriental ( RDA ), separadas pelo Muro de Berlim.Com as reformas de Gorbatchov o povo da RDA saiu às ruas, reivindicando liberdade democráticas e um padrão de vida igual ao da RFA, que foi conseguido através da abertura política permitida pela URSS, assim o povo derrubou o Muro de Berlim, em 1989. Em 1990 as duas Alemanhas se uniram reunificando novamente o país.
sábado, 7 de novembro de 2009
Palma/Anselmo/Promessas
Minha homenagem a Anselmo Duarte, Salto, 21 de abril de 1920 - São Paulo, 7 de novembro de 2009.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Por Que Me Chamo João?
- Que é mãe!
- O
lha essa foto.- O menino sou eu, mas esse nenê feio não sei quem é!
- Oh João! Até que o nenê é bonitinho!
- Cara de cotovelo!
- Tá bom! Você tem razão ele é muito feio mesmo.
- Mãe não me lembro desta foto! Nem desse cara de cotovelo.
- Foi tirada há muito tempo.
- Não mãe eu tenho o mesmo tamanho na foto.
- Não tem não, veja direito!
- Mãe esse menino não sou eu! É parecido, mas não sou eu!
- Não seu bobo! É o Paulo, com sua idade, 11 anos.
- Quer dizer então...
- Que o cara de cotovelo é você.
- Oh mãe até que eu era bonitinho!
- Foi você que falou.
- Quantos anos eu tinha?
- Dois anos, essa foto foi tirada no dia de seu aniversário.
- Eu nem sabia!
- São meus dois filhos. E os dois lindinhos.
- Hum, não gosto muito de eu nenê. Prefiro assim.
- Eu gosto de qualquer jeito.
- Para mãe! Para de me beijar.
- E cócegas posso fazer?
- Não, mãe para! Que graça tem?
- Antes você gostava!
- Gostava não! É que eu não reclamava.
- Hum tá bom! Eu acredito.
- Mama, por que me chamo João?
- Ih filho, é uma longa história.
- Conta para mim!
- Sabe, quando o Paulo tinha dois anos, eu e seu pai achamos que estava na hora de ter um outro filho.
- Eu!
- Ainda não era você. Nós tentamos, tentamos, mas nada aconteceu. Eu não engravidava de novo.
- Puxa e eu não nascia!
- É! Fomos consultar especialistas, mas nenhum de nós tinha problemas. E a coisa foi indo e você não nascia.
- Sou preguiçoso!
- Aí tiramos da cabeça.
- Puxa esqueceram de mim!
- Não, só deixamos de pensar.
- Eu fiquei pra escanteio!
- Depois de muito tempo, o Paulo já tinha 8 anos, comecei a passar mal, sentia uns enjôos, mas fiquei quieta e não falei nada pro papai.
- E aí eu nasci!
- Espera tem mais!
- Puxa mãe, está história tá muito comprida!
- Espera pra nascer, safado! Não falei para ninguém e assim foi por uma semana, os enjôos iam e viam.
- Puxa mãe! Você aquentou todo esse tempo?
- Eu não sabia que você estava na minha barriga, achava que não teria mais um outro filho. Assim tomava uns remedinhos e melhorava.
- Hum!
- Aí numa segunda feira, que era feriado, papai saiu com o Paulo para ir num parquinho perto da casa onde morávamos, eu estava muito enjoada, não fui. Quando chegaram, seu pai ainda fez um churrasco e não aquentei. Fui pro quarto.
- Nossa mãe, não dava mais para mentir!
- Seu pai cuidou do Paulo e veio me ver.
- Aí você contou!
- Não João, eu também não sabia, apenas desconfiava. Pedi para ele me comprar um remédio e quando estava saindo pedi um teste de gravidez, só para tirar a duvida. Papai ficou assustado com o pedido, mas foi e falou pro Paulo tomar conta de mim.
- E ele tomou?
- Tomou sim! Ficou deitadinho do meu lado, me olhando com aqueles olhos grandões, com ar de preocupado.
- Ele nem sabia que era eu.
- Isso! Para acalmá-lo, falei que não era nada, só uma indisposição e que talvez estivesse esperando outro filho, um nenê.
- E ele?
- Ficou contente, fazia um tempo que ele nós enchia para ter um irmãozinho. Seu ar de preocupação foi embora. Aí me perguntou se podia escolher o nome.
- Hum, ele que escolheu meu nome?
- Foi!
- E por que João?

- Ele me disse: se for menina quero Beatriz.
-Beatriz?
-É! Ele tinha uma amiguinha na escola com esse nome e gostava muito dela.
- O Paulo sempre galinhando!
- E se fosse menino queria João, porque ele adorava um livro, que seu pai tinha dado para ele, acho que se chamava “João Que Soltava Pum” e ele achava engraçado.
- Ganhei o nome por causa do pum?
- Não João, por causa do livro.
- Hum, tá bom!
- Seu pai chegou e foi um “Deus Nos Acuda”, o Paulo não me largava queria fazer o teste comigo. Aí ficamos todos esperando o resultado. E deu positivo, você ia nascer! Fizemos uma festinha particular...
- Eu o gostosão...
Guy Fawes/ Conspiração da Pólvora
Os conspiradores, católicos insatisfeitos liderados por Robert Catesby, também planejaram sequestrar uma criança da realeza, não presente no Parlamento, e incitar uma revolta nas Midlands. Esta conspiração foi uma de uma série de tentativas mal-sucedidas de assassinato contra Jaime I, seguida à Conspiração principal e à Conpiração do adeus, de 1603. Muito crêem que a Conspiração da pólvora foi parte da Contra – Reforma.
Como os conspiradores notaram que o ato poderia levar a morte de diversos inocentes e defensores da causa católica, enviaram avisos para que alguns deles mantivessem distância do parlamento no dia do ataque. Para infelicidade dos conspiradores um dos avisos chegou aos ouvidos do rei, o qual ordenou uma revista no prédio do parlamento. Assim acabaram encontrando Guy Fawkes guardando a pólvora. Ele foi preso e torturado, revelando o nome dos outros conspiradores. Todos foram condenados a morte.
Guy Fawkes nasceu na cidade de Iorque, e se converteu ao Catolicismo aos dezesseis anos. Como soldado era especialista em explosivos. Por ser s
impatizante dos espanhóis católicos, adotou também a versão espanhola de seu nome francês: Guido.Uma boa sugestão de leitura é o livro “A conspiração da pólvora Terror e Fé Na Revolução Inglesa”de Antonia Fraser, O episódio foi tão marcante que no Parlamento inglês há um quadro pendurado na sala de votação, onde se lê inscrições do Diário da Câmara dos Comuns, que remetem ao dia 5 de novembro de 1605: "Nesta última noite, a Câmara superior do Parlamento foi inspecionada por Sir Thomas Knevett, e ali foi capturado um certo Johnson, empregado do senhor Thomas Percy, que pusera 36 barris de pólvora na galeria arqueada debaixo da Câmara com o propósito de explodir o rei e toda a sua comitiva, quando ali reunidos. Depois, descobriu-se que vários outros cavalheiros faziam parte da conspiração."
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
"O Cinto"
- Para colocar na calça, senão ela cai.
- Ah que bom!
- Bom o que meu filho?
- Achei que ia bater em mim.

- Que besteira!
- Sei não! A gente nunca sabe o que se passa na cabeça dos adultos e eu aprontei hoje na escola e aqui em casa.
- Nunca vou fazer isso! Os pais de verdade procuram conversar com os filhos, mostrar seus erros, para que eles não os cometam mais.
- Dar uma “boa surra” não resolve?
- Surra não pode ser boa, então não existe “boa surra” e não resolve, não! Você só iria ficar com medo de mim, e iria esconder as coisas que acontecem. O importante é conversar sobre seus problemas comigo e sua mãe para que possamos resolvê-los juntos. Isso é que une pais e filhos. E depois pelas bagunças, você já está de castigo.
- Na escola a culpa foi do Ricardo.
- Filho é assim que se resolve um problema? Colocando a culpa nos outros? O Ricardo pode ter dado a ideia, mas você gostou e agiu junto, então tem a mesma culpa dele. Agora conta, o que vocês aprontaram?
- Na hora do recreio, colocamos umas aranhas de plástico nas mochilas das meninas, quando elas foram abrir para pegar os cadernos foi um "Deus nos Acuda", berros por todos os lados.
- E vocês dois ficaram rindo!
- Foi gozado!
- Foi feio! Foi uma coisa que não se deve fazer. Deram um susto nas meninas e atrapalharam a aula.
- É fomos parar na diretoria.
- Sua mãe queria te esganar!
- Eu sei! E aqui em casa quebrei umas coisas, mas foi sem querer e ainda bati no Beto e na Isabel.
- Hoje foi o dia!
- Se não tivesse aprontado, não teria medo.
- É, mas é tão bom!
- Filho você precisa melhorar esse comportamento! Tem de ser esperto, mas não pode ir aprontando com todo mundo.
- É errado não gostar de algumas pessoas?
- Errado é não dar chance das pessoas se mostrarem como elas são. Errado é fazer maldade com elas, como você fez hoje.
- Sabe pai, quando você conversa assim comigo, fico meio pensativo, com um friozinho na barriga, arrependido do que fiz, acho que funciona mais do que uma surra!
- É mais difícil, porque estou te mostrando o seu erro.
- É você tem razão!
- Filho você precisa se dar melhor com seus irmãos. É o mais velho, tem de ajudar o papai e a mamãe, nós trabalhamos muito. Não gosto de deixá-los sozinhos, mas queremos dar uma vida digna há vocês. Um boa escola, lazer e um bom lar, onde não falte nada.
- Puxa pai, nunca pensei assim!
- Queremos também dar amor, é difícil, mas nos momentos em que estamos juntos, é necessário compreensão, não brigas. Você precisa parar com estas brincadeiras na escola e de implicar com seus irmãos.
- Vou pedir desculpas à professora, amanhã.
- Vai mesmo?
- Vou! E pedir desculpas a mamãe e aos meus irmãos.
- Será que vamos ter um novo menino?
- Prometo que vou fazer o possível. Procurar não fazer mais coisas que fiz hoje.
- Espero!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
"Crescer, Pra Que?"

- Oi Paulo!
-Que cara é essa João? Brigou com a Clarinha?
- Não, com o papai e com a mamãe.
- O que houve?
- Ah nada! Os dois não me entendem!
- Eles eram chatos com você também, Paulo?
- Hum não sei! Em que sentido?
- Hoje teve reunião de pais na escola...
- Ah tô começando a entender, irmãozinho.
- Pois é! As notas estão boas, mas meu comportamento não está legal. Os professores disseram faço umas brincadeiras infantis, que não estão de acordo com minha idade.
- É João! Eu o papai e a mamãe já tínhamos conversado sobre isso. Você parece muito menininho, para quem tem 11 anos. Gosta de fazer coisas muito infantis e não gosta de outras coisas próprias de sua idade.
- Como assim?
- Veja quando tinha sua idade, eu ficava todo assanhado pra sair, pra ir a festinhas, já começava a notar umas menininhas, enchia a paciência da mamãe pra comprar roupas novas e na moda, tinha festa quase toda a semana.
- Paulo não sou como você, não sou popular e bonito.
- Se é meu irmão, bonito tem de ser!
- Não brinca! É verdade! Tenho outros gostos.
- Mas precisa crescer deixar de algumas infantilidades! Ser mais menino, menos nenê. Você me entende?
- Paulo, não quero crescer! Tá bom do jeito que está!
- João, todo mundo cresce.
- Crescer, pra que?
- Não foi bom ficar com a Clarinha? Dar uns beijinhos, você não se sentiu bem?
- Senti! Gostei muito!
- Então está na hora de pensar mais nisto e menos em brincadeirinhas. Em começar a ter alguns pensamentos mais adultos. Não é para largar a infância de vez, mas de ter algumas responsabilidades.
- Pra que?
- Você não vai ter sempre a mamãe pra te arrumar e o papai pra te sustentar a vida toda. Eles vão ficando velhinhos.
- E morrem.
- É! Mas não estou falando nem disto. Estou falando de agora. Quando tinha sua idade, não precisava a mamãe me atazanar para arrumar meu quarto, eu fazia, fazia a lição, acordava na hora. E a mamãe e o papai também precisam ficar sozinhos, os dois. Colocar a conversa em dia, sem ter os pentelhinhos dos filhos atrapalhando.
- Papai nunca fez a lição com você?
- Fazia sim! Da mesma forma que faz com você, mas eu já adiantava algumas coisas. Deixava meu material sempre em ordem. É lógico que fazia bagunça e que tinha minhas vontades, mas começava a criar algumas responsabilidades.
- Responsabilidade! É isso que eu não quero!
- Quer sempre ser o filhinho da mamãe?
- E não é gostoso!
- É muito bom, mas tem horas que a gente tem de crescer, melhor ir devagarzinho, queimando as etapas do que tudo de uma vez.
- É, mas...
- João, a mamãe e o papai não reclamam que de uns tempos para cá você tem derrubado muitas coisas na mesa?
- É tem!
- Sabe por quê?
- Não.
- Porque mesmo sem querer você está crescendo. Seus braços estão aumentando, você deixa cair às coisas porque não tem consciência disto.
- Também não sou nenhum débil-mental!
- Não, mas é desengonçado como todo mundo da sua idade.
-Você não era assim!
- Era sim! Um dia levei uma surra do vovô por causa disso.
- Verdade!
- É deixei cair uma mesa inteira, com copos de cristais e tudo, por não saber do meu tamanho. A gente cresce e não percebe.
- E o papai não te defendeu?
- Quando ele chegou já tinha acontecido. Brigou com o vovô, foi um fuzuê.
- Verdade?
- Verdade! Ficaram um tempo sem se falar. E eu me achando o culpado.
- Nossa Paulo! Pensei que pra você as coisas foram bem mais fáceis!
- Não foi não João! Crescer não é fácil!
- Por isso que não quero!

- Imagine se o papai e a mamãe pensassem como você!
-Eles seriam crianças até hoje, não é legal!
- Hum! E não seriam nossos pais.
- Por quê?
- João criança não tem filho! Nem os quer!
- É verdade! Por isso papai ficou bravo comigo, porque eu falei que não queria crescer.
- É! E ele vai sempre cuidar de você? É isso que você quer?
- Não! Às vezes gosto de ficar sozinho, ou só com o Fabio ou mesmo com a Clarinha, sem ter pai e mãe por perto.
-Tá vendo!
-Puxa Paulo! Acho que você tem razão.
- Pense bem no que falamos e veja por si mesmo. O que você tem é medo! Medo do que pode acontecer, e vão acontecer coisas más, mas te garanto que as coisas boas, são muito boas e valem à pena.
- Nunca tinha pensado assim. Vou conversar com o papai e a mamãe sobre isso.
- Isso vai, eles vão ficar contentes!
sábado, 31 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
Parada Obrigatória
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
"Obama"
Na minha pesquisa ao lado a maioria achou que ele não devia ganhar, mas foi por pouco. Pesquisas assim sem caráter cientifico, às vezes dão resultados inesperados.
"Beijo"
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
"A Bola"

A bola levou um chute, tomou um efeito radical, voou por todo o jardim e defenestrou pela janela da sala de estar.
De repente a cara do pai:
- Nando entra!
E agora, levar uma bronca, levar umas palmadas, ficar de castigo. Que vergonha! Na frente do Willy, seu melhor amigo, que tinha vindo passar com ele o fim de semana no sitio.
- Estou indo pai!
- Nando diz que fui eu!
- Não Willy, a culpa foi minha.
- É, mas comigo seu pai não vai brigar.
- Será? E se ele lhe der umas palmadas?
- Ah eu aquento!
- Apanhar por minha causa! Não! De jeito nenhum!
- Vamos os dois, os dois tem culpa.
- Mas os dois não podem chutar a bola ao mesmo tempo!
- Foi uma dividida!
Esse amor pela bola, que faz a ilusão. Bola, que encanta, redonda, gordinha e bonita. Que faz o jogo elegante quando vai para o gol. Os meninos brigam por ela, querem-na de todo jeito e, quando a possuem, dão-lhe um chute. Chute firme e forte. Chute que atravessa a janela.
- Willy vamos treinar está história direito, senão não vai dar certo!
- Nando entra!
- Tô indo pai!
A vida é como a bola e a bola tem vida. Ela é que comanda as ações. Personagem secundário que vira a principal. A luta pela sua posse. Se for jogada com força, com força agirá. Por isso cuidado! Nunca jogue a bola por sua vida, a bola nós dá o que recebe.
- Oi pai!
- Oi nada! O que é isto?
- Acho que uma bola.
- Acha?
- É tio! É redondinha, parece uma bola.
- E como que isso, que parece uma bola veio parar na sala.
- Pai posso ver? Me dê ela!
- Está aqui!
- Ah é minha bola! Aquela que você me deu. Ta vendo! Tem até o distintivo do Santos.
- É uma bola oficial tio!
- Por falar nisso pai, o Santos joga hoje com o São Paulo.
- Nando não muda de assunto, como essa bola veio parar na sala?
- É que o Willy é são-paulino e...
- Nando, não me tire do sério! Responde o que eu te perguntei!
- Sabe pai, na verdade não sei, acho que está semiviva.
- NANDO!!!!!
- É tio, ela tem reações próprias como bicho, às vezes é difícil controlá-la.
- Pelo menos vocês são criativos, mas pela mentira...
- Pai não estamos mentido. Eu chutei, mas ela tomou suas próprias decisões. Criou um efeito que eu não queria.
- Ah agora estamos chegando a um acordo!
- Espera aí tio, ela tomou um efeito diferente, porque eu dividi a bola com ele.
- E ela quebrou a janela.
- Isso aí!
- Devia por os dois de castigo.
- Tá bom pai!
- Viemos ao sitio para ficarem de castigo?
- Quebramos a janela.
A vida é um eterno jogar bola. Sem ela a vida não tem razão de ser. Lugares – comuns e frases feitas, mas é ela que dá felicidade aos meninos. E essa felicidade os adultos não devem tirar. Como não brincar com a bola?
- Vamos fazer o seguinte, vocês me ajudam a lavar o carro, dar comida para os animais e depois do almoço ajudam a mamãe a lavar os pratos e talheres. Assim pagam pela janela quebrada e estão livres de qualquer castigo.
- Puxa pai, sabia que você era legal!
- Mas vão jogar bola longe de qualquer janela, senão...
- Pode deixar papai.
Ah!Poesia de bola com menino
Ele a chuta ela vai
Ele a ama
E ela o compensa na hora do gol
Ele lhe faz embaixadinhas
E ela lhe dá a felicidade
A cada dia
Ele não cansa
E ela o adora
A bola que corre
O menino que ri
Eterna lembrança
Tempo Feliz
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
"Sobre Adoção e Casa das Fadas" (Ter Uma Criança Dentro de Casa)
O que temos que ter em mente é que uma criança de abrigo, por mais bem cuidada que possa ser, perde sua individualidade, vive no coletivo e é tratada como as outras por funcionários, que em sua maioria não são treinados para isso, ou pior ainda, não tem paciência. Por isso não descobrem seu verdadeiro eu. São tratadas somente como mais um.
Sei de pessoas que trabalham em abrigos e não gostam de crianças. Os próprios abrigos em sua maioria, não estão preparados para receber crianças, não possuem um planejamento, nem programação para cuidar das crianças e manter sua individualidade. Não conheço muitos abrigos, mas daqueles que conheço, apenas um, localizado em São Paulo tem esse planejamento e programação, por isso as crianças estão melhores, tem certa auto–estima sendo melhor preparadas para o que lhes espera no futuro. Assim uma adoção tardia, não pode ser um ato, piegas com ilusões românticas, os pais adotivos devem estar preparados para uma batalha, tendo sempre em vista o amor que possam dar.
s, daí a necessidade de conhecer e analisar o mundo em que vivemos.Crianças que viveram na escuridão, foram maltratadas, são revoltadas e testam os adultos constantemente, neste sentido os pais adotivos, precisam ter conhecimento destes problemas e serem capazes de se comprometer com a criança que estão adotando, respeitando sua vivência, sua história, seu mundo, suas frustrações.
Quando escrevi o livro “A Casa das Fadas”, minha intenção era começar a mostrar esse problema. Como é um livro para crianças, enfocá-lo de forma simples para haver uma discussão, uma conversa, entre pais e filhos. Posteriormente, após sua publicação, pretendo analisar o problema de forma mais abrangente.
"De Rascunhos Ainda Dispersos Que Se Chamam Viagem Para Codisburgo"
Ocley conquistava a todos com seus olhos castanhos, espertos e grandes. Olhava com amor e as pessoas ficavam hipnotizadas. Utilizava do seu charme para conquistar as coisas que queria. Isso era desde sua mãe, dona Eulália, costureira do bairro, viúva, até a professora, dona Irene, brava e rigorosa, mas com ele toda meiga. Foi o primeiro dos três a namorar, mas o último a se casar.
Juca das Cores, como diz o nome apelido, era colorido, brilhava e seduzia. Sabia até onde podia chegar. Inteligente e transformista, mudava de cor como um camaleão, um individuo de grande ebulição, sempre estudando e se transformando. Sofreu muito com suas namoradas, mas encontrou em Alga a companheira ideal.
Eu era o menos interessante dos três, acho que hoje não me sinto assim, mas naquela época de traquinagens e aprendizado era certamente o mais lento. Gostava de ler e elaborar histórias perdia horas de meus dias inventando novas histórias. Acho que é por isso que me coloquei nesta viagem absurda pelos caminhos do Grande Sertão Veredas, levando a tira-colo, meu filho de 10 anos.
Junior é o único, que me traz a realidade de volta. Quando me sento embaixo de uma árvore, com meu cachimbo, ele vêem e me conta o que fez no dia. Alguns momentos comuns, de pai e filho, alguns momentos de lucidez. Ele chega, fala, fala, é preciso sofrer depois ter
sofrido, amar, amar e mais amar, depois de ter amado. Ele me conta sobre o que fez, o bicho que viu, as pessoas que conheceu. Imortal é o que é do sofrido; tudo abaixo daí, é póstumo.Lembro que gostava de cantar, me diferenciava dos dois, pelo canto, alcançava altas notas. Ficava sozinho no lugar escondido da casa e cantava. Deixava tudo de lado e cantava. Ninguém age sozinho, todos fazem parte de um grupo. Com Junior no meu lado, diante da amplidão de todos esses acontecimentos, lembro de meus tempos de menino: Nosso primeiro concerto, Seu Siqueira, veio nos chamar, éramos treze, digo, quatorze. Atordoados, fomos. Pela primeira vez íamos cantar para um grande publico...
domingo, 18 de outubro de 2009
"Beatles"

- MÃE!
- Estou aqui JJ, não precisa gritar! Você chega e põe fogo na casa!
- Desculpe mãe, é que preciso ver meu pai. Onde ele está?
- Ih, hoje seu pai está difícil.
- Por que mãe? Preciso dele. Só ele sabe consertar meu carrinho e tem uma corrida agora na casa do Paulinho.
- JJ deixa seu pai em paz, ele está ouvindo as músicas dele no escritório. Não vá atrapalhar com bobagens.
- Não é bobagem mãe! É a corrida. Não tenho culpa que esta merda de carrinho parou de funcionar.
- JJ olha a boca, menino!
- Mas é uma merda mesmo! E só meu pai consegue consertar.
- Está bom, vai lá, mas se ele correr com você, não diga que não avisei!
- PAI!
- Psiu, JJ, sem gritar!
- Não é pai!É que esta mer...
- Quieto, fica quietinho JJ. Vem aqui com o papai.
- Mas pai...
- Que bom que você chegou!
- Mas p...
- Fica aqui pertinho do papai e escuta essa música.
- Mas pai...
- Nada de mas! Fica aqui e ouve.
- É bacana pai! Mas...
- Psiu, ouve.
Alguns minutos de silêncio e só a música no ar.
- Puxa pai, que música linda!
- Viu, não valeu a pena escutar?

- Valeu pai! Quem está cantando?
- Ih JJ! É um conjunto antigo da minha época. Cresci ouvindo isso.
- É pai?
- É filho! Acho que tinha sua idade, quando comecei a ouvi-los.
- Oito anos?
- É JJ, é isso mesmo! E sempre me acompanharam. Nos bailinhos que eu ia. Com as primeiras namoradas...
- Malandro!
- Quando conheci tua mãe.
- Verdade papai?
- Até no casamento, na igreja, tocaram uma música deles.
- É mesmo papai?
- É! Quer ouvir?
- Quero sim!
- Chama-se Julia.
- O nome da mamãe!
- É! Você gosta?
- Puxa! Gosto sim!
- Quando você nasceu e eu estava indo para a maternidade para ver a mamãe, toquei uma música deles no carro e chorei.
- Qual música?
- Chama-se Here Comes The Sun. Para mim tornou-se sua música.
- Minha música!
- Ouça.
- Que de mais, essa minha música!
- Não é? Sabe JJ, eles sempre me acompanharam e fazia muito tempo que não os escutava, mas hoje me deu uma saudade. Escondi-me aqui e comecei a relembrar das músicas e dos momentos que passei ouvindo-as.
- Qual o nome deles, papai?
- Beatles, JJ, são de Liverpol, na Inglaterra.
- Voce já foi pra lá, não foi?
- Fui sim, uma vez com a mamãe.
- E viu eles?
- Nao JJ. Quando fui, o conjunto não existia mais. Cada um tinha sua carreira separada. E não moravam mais lá.
- Ah! Que pena!
- Era formado por 4 rapazes: Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. Eram conhecidos como “os garotos de Liverpool", ou "Fab Four".
- Fab Four?
- Isso Fab Four, que quer dixer "Quarteto Fantástico", obtiveram fama, popularidade e notoriedade até hoje inéditas para uma banda musical, e se tornaram a banda de maior sucesso de todos os tempos. Agora mesmo está sendo lançada uma caixa com todos os seus albúns.
- Puxa! Eram bons mesmo!
- Sao bons até hoje. Sabe JJ, dois já morreram, John Lennon, assassinado e...
- Assassinado, pai?
- É JJ, quando chegava em sua casa, por um fã meio pirado.
- Pirado inteiro!
- E George Harrison, de câncer.
- Coitado!
- JJ, em 2008 uma revista americana, a Billboard, divulgou uma lista dos 100 artistas mais vendidos para celebrar seu quinquagésimo aniversário, listando os Beatles no topo da hierarquia. Os Beatles também foram incluídos na lista de 100 pessoas mais importantes do século XX, da resvista Time.
- Papai posso ouvir mais?
- Pode sim, JJ!
- Então vou pegar um suco e um salgadinho e ficar quietinho aqui com você. Você me conta mais sobre eles?
- Conto sim JJ, vai pegar os salgadinhos.
O menino foi e pelo caminho encontrou a mãe...
- E aí JJ, papai consertou o carrinho?
- Carrinho?
- É JJ! O carrinho?
- Que carrinho mãe? Tá louca! Tô ouvindo os Beatles, com meu pai...
Gostar dos BEATLES, Não É Gostar; É Um Privilégio Que Devemos Passar Para As Novas Gerações.
sábado, 17 de outubro de 2009
"Janis"
Ato
Canto
Profundas Ilusoes
para sempre
Suave Explosão
Garganta Leve
Maldito coração
Cantante
Cantando
Janis ...
COM VOCÊS JANIS JOPLIN

"Poesia Futebol Musica"
Carlos Drummond de Andrade
E o FUTEBOL
"Futebol se joga estádio não?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma uma volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
OU NO árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
Desenhos feéricos, Bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
O jogador, gravado no ar
-Afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade ".
O Conteúdo lírico para dentro do campo, erupção de emoções, fazendo poesia com o improviso. Criar os espaços no vazio, triangular, dar passes não lineares, cometer pecados de estética, enaltecer os portas-luzes, driblar com pernas tortas. O futebol tem linguagem própria, são tantas palavras: filo; firula; pedalada; chute, gorduchinha, parafusar, folha seca, paralela; contrapé, e o cotidiano as acompanham. Ser brasileiro, jogador e torcedor poeta, assim ser singular. O que importa é estar perto da bola. É ela que encanta, redonda, gordinha e bonita. A bola, que faz o jogo elegante quando vai para o gol. Assim dentro desse lirismo se encaixa a musica, que da som a poesia.
A Musica Popular Brasileira, é uma manifestação estética que traduz a multiplicidade, a ginga e o swingue do brasileiro. Poesia, aliada a musica para enaltecer o futebol . A arte se junta à vida para contar histórias de paixões, de meninos que saem de casa para os clubes em direção ao futuro, aqui ou no exterior. Tantos manés que viraram esquecidinhos, com poucos pelés... Coração de futebol, de todas as classes, de todos os lugares, de alegrias, mas de muitos mais choros e tristezas. De primeironas, de amargas segundonas e jogar, jogar bola. Tanto faz aqui ou ali. Histórias de finais felizes e infelizes, histórias que fazem parte do próprio cotidiano do brasileiro. A musica se apropria da história, da linguagem, e canta para todas as gerações a magia do futebol...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009
“Don Juan Envergonhado”

Encho-me de coragem e vou.
Que nada! Volto para trás!
Clara está tão bonita. Apenas bonita, vestindo uma camiseta curtinha, com o umbigo aparecendo, uma saia bem justa de um pano novo que está na moda. Nunca a tinha visto assim, sempre de uniforme. Agora que dei em mim, sou apaixonado por ela já fazem tantos anos e nunca a tinha visto fora da escola. Nunca a tinha visto assim, sem uniforme e pintada. Está linda!
Minhas pernas tremem. Será que também é sua primeira festinha? Não, bonita como é, deve ter sido convidada para várias. Eu é que não sou popular, não sou convidado para nada. Só estou aqui porque o Fabio é meu melhor amigo. Depois ela vai ser convidada para as outras festas da classe e eu nem vou passar perto. Sou gordinho, bobo e infantil. Gosto de andar de bicicleta, jogar bola, de brincar com meus bonecos. E ela já é uma moça feita. Linda, uma artista de cinema no meio da fumaça, das pessoas e do barulho desta festa.
Se eu não dançar com ninguém, Paulo vai me gozar pro resto da vida. É duro ter um irmão mais velho, mais maduro, mais inteligente, mais popular e mais bonito. Acha que tudo é fácil! Por que o papai não chega logo e me leva daqui? Eu nem queria vir! Preferia ficar em casa, comendo pizza e assistindo a um filme de aventuras. Mamãe é que insistiu e me arrumou, comprou até um presente pro Fabio. Fui obrigado.
Oh droga! Tô aqui sozinho e ela bem na minha frente, sozinha também, não custa ir até lá. Na classe sempre ficamos juntos. Sempre fazemos os trabalhos de grupo juntos. Já foi na minha casa, já fui à casa dela, conhece meus pais, conheço seus pais.
Encho-me de coragem e vou.
Que nada! Ai, que dor de barriga.
E se ela estiver esperando alguém? Existem meninos mais bonitos, mais bem vestidos, sou um desengonçado. Melhor ir sentar num lugar vago, ficar quietinho e esperar o papai chegar.
Filme, Paulo, pizza, gozação, Fabio, presente, papai, cadeira, mamãe e Clara. Tudo isso passando pela minha cabeça. Estou aqui. Essa menina que eu gosto já faz muitos anos está na minha frente, toda linda, até pintada e está sozinha já faz um tempo, não espera por ninguém, vou até lá e pronto! Encho-me de coragem e vou.
u!Encho-me de coragem e vou...
Fui!
- Oi João, tudo bem?
- Oi Clara, tudo e você?
- Tudo.
- Está gostando da festa?
- Ah, tá bem legal! Mas está um pouco quente. Você não quer me pegar um guaraná?
- Claro, Clara, já vou!
Vou, pego o guaraná e volto.
- Obrigada João.
- Quer dançar um pouco, Clarinha?
- Não gosto muito de dançar, mas como é com você, só um pouquinho.
Não acredito! Eu na pista de dança, dançando com Clarinha, minha paixão escondida, por muitos anos. E já, na minha primeira festa! Acho que ela está gostando, pois fica na minha frente rindo. Será que estou bancando o bobo? Com esta minha roupa de primeira festa. Rebolando feito um idiota.
- João, cansei! Está muito quente aqui. Vamos tomar um ar lá fora.
Saímos e eu desengonçado que sou, tropecei em alguma coisa. Clara
riu e se preocupou.– Cuidado João, não vai cair!
Aproveitou e me deu um beijo nas bochechas.
- Toma cuidado!
Andamos um pouco pelo jardim.
Olha João, duas cadeiras vazias. Vamos sentar?
E eu que não queria ir! Ficamos conversando muito tempo. Clara me contou que não queria vir a festa. Só veio porque era do Fabio, seu amigo de longa data e porque ia me encontrar, sabendo que sou seu melhor amigo. Preferia mesmo ficar em casa com os pais, comendo uma pizza e assistindo a um filme de aventuras.
- Você gosta de filme de aventura?
- Adoro!
Pai, mãe, pizza, Fabio, presente, Paulo, vergonha, bobo, filme, gozação e festa. Tudo isso saiu da minha cabeça. Agora só tinha Clarinha. Ficamos sentados ali por muito tempo, falamos da escola, dos medos, dos gostos, de meninos, de meninas. Clara me disse que gostava mesmo de andar de bicicleta, jogar vôlei e brincar com suas bonecas. Que foi sua irmã mais velha que insistiu para ela vir. Foi sua mãe meio que na marra que a arrumou e a pintou.
E por fim um beijo.
Não qualquer beijo! Um gostoso. Na boca. De língua. É! Acho que de língua. Meu primeiro beijo. E justamente na menina mais bonita da classe. Justamente na menina que amo há muitos anos. Desde que entrei na escola.
Papai demore mais um pouco. Está tão bom!
Você já reparou que quando nos divertimos o tempo passa mais depressa? Meu pai não chegou, mas o pai dela sim.
- Me liga amanhã?
- Ligo sim, Clarinha.
- Vamos ver se nos encontramos no Ibirapuera para um passeio de bicicleta.
- Legal,vamos sim!
Quando vi ,era o fim da festa. Fabio veio ter comigo, com uma sacola nos ombros.
- Oi malandro, traçou a Clarinha. Ficou a noite inteira com ela!
- Mais respeito Fabio, gosto dela.
- Vamos, telefona pro seu pai.
- Por que essa sacola nos ombros?
- Oi Don Juan, acorda! Lembra que combinamos de eu ir dormir na sua casa?
- Puxa Fabio, esqueci!
- O que não faz uma Clarinha...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
"Professores (+ uma com Miúdo)"
- O que é isso Miúdo? O que é tanta droga?
- Nada mãe, ele está bravo com a Marizilda.
- Marizilda, Miúdo? Você ainda vai se casar com ela!
- Vira está boca pra lá, mãe!
- Ah meu filho! Você tem um ódio tão grande por esta menina, que só pode ser amor!
- Mãe você não sabe nada! Dirige por favor, e vamos logo para casa.
- Está bom filhinho, mas me conte o que aconteceu.
- Primeiro a Belinha fica se metendo...
- Uê foi você que contou pra mim, não estou me metendo em nada!
- Ta bom, ta bom, eu contei, mas não precisa ficar me enchendo.
- Você esta muito nervoso filho. Não vou receber nenhum bilhetinho, vou?
- Não mã, não vai não! Não aprontei nada, nem bati na Marizilda.
- Ah que bom! Mas conte o que aconteceu?

- Bom à dona Ernestina, minha professora, gostou tanto do teatrinho do Sete de Setembro, que resolveu montar outro.
- Que legal filho! E você esta nele?
- Papel principal, sou o galã da escola!
- Que bom Miúdo! E por que este bico?
- Bom, vamos contar a História de uma professora e seu aluno, para comemorar o “Dia do Professor”. Eu vou ser o aluno, que adora sua professora, porque ela é inteligente e ensina as coisas para ele.
- Até ai tudo bem!
- Tudo bem nada! Sabe quem vai ser a professora?
Mãe e filha respondem juntas.
- A Marizilda.
- Ta vendo mãe! Como pode, gostar da Marizilda?
- É só uma peça Miúdo, um teatrinho.
- Não gosto da Marizilda nem de mentirinha!
- Ih mãe ele vai casar com ela, mesmo!
- Para Belinha, te dou uma muqueta!
- Pode vir que te dou umas palmadas no traseiro, garoto.
- Parem vocês dois.
- Pare de me encher, Belinha!
- E vocês fizeram algumas pesquisas, sobre o “Dia do Professor”?
- Ainda não mãe! Vamos começar hoje.
- Sabe Miúdo, no dia 15 de outubro de 1827, dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila, D. Pedro I, Imperador do Brasil...
- Eu mesmo...
- É miúdo você fez o papel dele no outro teatrinho. Mas continuando: ele baixou o Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil.
- Antes não tinha mãe?
- Não Belinha, só estudavam os filhos dos ricos. Se bem que a maioria da população era formada de escravos.
- Esse D. Pedro, podia ter libertado os escravos!
- Podia mesmo Miúdo, concordo com você.
- Se fosse eu Belinha, tinha feito isso!
- Crianças, por favor, esta é uma outra questão. Vamos voltar aos professores.
- Isso mãe me explica.
- Sabe Miúdo, a lei de D. Pedro era inovadora e revolucionária.
- Que legal, mãe!
- É, mas como tudo neste país, a lei não foi cumprida.
- Verdade mãe?
- É Miúdo, assim somente 120 anos após decreto, que ocorreu a primeira comemoração de um dia dedicado ao Professor. E assim mesmo foi por acaso.
- Como foi mamãe, agora você me deixou interessada.
- Eu também! Eu também!
- Bom, começou em São Paulo, numa escola estadual que fez História por aqui, o Caetano de Campos.
- Mamãe as escolas estaduais não são ruins?
- Nem todas Belinha, mas naquela época eram as melhores, e o Caetano se destacava, pela inteligência e profissionalismo de seus mestres.
- Puxa mãe!
- Uma pena não Miúdo, que esses governos, tanto municipal, como o estadual e o federal, faz pouco caso com a Educação Publica. Bom, estamos em 1947, naquela época o segundo semestre letivo era muito comprido, ia de primeiro de junho a 15 de dezembro, com somente 10 dias de férias.
- Só?
- Só Miúdo!
- Que droga, adoro férias!
- Assim quatro professores tiveram a idéia de organizar um dia de parada para se evitar a estafa e também para fazer uma união entre professores e alunos. Foi o professor Salomão Becker que sugeriu o encontro para o dia 15 de outubro, data em que, na sua cidade natal, professores e alunos traziam doces de casa para uma pequena confraternização. Com os professores Alfredo Gomes, Antônio Pereira e Claudino Busko, a idéia estava lançada, para depois crescer e se implantar-se por todo o Brasil.
- Ah mãe foi assim?
- É filho foi assim!
- Puxa você me ajuda na pesquisa?
- Lógico, hoje a tarde mesmo. E sabe Miúdo, a celebração, se mostrou um sucesso, espalhando-se pela cidade e pelo país nos anos seguintes, até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963. O Decreto definia a essência e razão do feriado: Para comemorar dignamente o “Dia do Professor”, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias.
- Nossa mamãe, como você sabe tudo isso?
- Belinha, antes de ser sua mãe, sou uma professora também!
- É mesmo, sempre me esqueço!

Este texto é minha contribuição para a blogagem coletiva “Professores do Brasil”.
Feliz Dia do Professor!!!
PS: Leia outro texto meu sobre o Dia dos Professores no blog "Duelos Literários
Final de estoque...
Consegui mais alguns livros na Editora e tenho um finalzinho de estoque do Dudu, lembre-se vem com disco de brinde.
Eis alguns itens da trilha sonora:

Moleque - As Chicas
Dudu é um menino de 5 anos. Gosta de brincar e correr, mas é muito triste, mora num abrigo, seu maior sonho é ter um papai e uma mamãe, e encontrar uma família.
Linha do Horizonte - Azimuth
- "Brum brum brum brum brum". Olha o viao um lugarzão, percorre, vai aterrozizar na casa do meu papai e da minha mamãe ...
Criança Não Trabalha - Palavra Cantada
- Legal mesmo Xande! Foi uma boa idéia de dona Ofélia, vir conosco neste parquinho para brincar ...
Sorri - Djavam
- Olha o viao, os levantou e Bracinhos Brum ", Brum, br ...", foi uma queda só, se espatifou na grama e começou a chorar ...
Here Comes The Sun - Yo Yo Ma & James Taylor
- Xande nós vamos embora! Eu vou ser adotado e você vai comigo, pra minha nova casa. Não somos mais meninos abandonados!
Não perca essa oferta, Quem leu adorou.
Leve um Dudu para a casa e transforme em uma "Casa das Fadas".
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
"Maurício Tragtenberg"
Acima de tudo Maurício Tragtenberg foi um intelectual independente e crítico em relação à burocracia acadêmica, que desprezava. Faleceu em 17 de novembro de 1998, deixando saudades em todos que o conheciam e principalmente aos que o admiravam.
"Serenata"

Uma vez fiz uma serenata para a Vera e quase ganhei um balde d’áqua na cabeça. O violão do meu amigo Laranjeira tocava sem parar e eu com minha linda voz, nem um pouco desafinada, cantava músicas antigas aprendidas com meu pai, embalado pela tontura da cana. Depois ela entendeu e nos serviu um cafezinho. Laranjeira dormiu no sofá e eu no meu cantinho junto a ela. Todos alegres e felizes.
Oh Serenata! Coisa mais linda, um homem que canta por sua amada. Segundo alguns especialistas a serenata apareceu no final da Idade Média, foi chamada de “serenada” pelos espanhóis e “serenata” pelos portugueses. Logo, é fácil concluir que o hábito de se fazer serenatas chegou ao Brasil através da colonização. O primeiro registro literário de ocorrência dessa forma de manifestação musical no Brasil, data de 1717, e foi feito pelo viajante francês M. de la Barbinais le Gentil. Consistindo numa manifestação de arte popular urbana, a serenata vai se expandir e viver seu apogeu na segunda metade do século XIX, com o aparecimento dos artistas de rua, personificados como cantores de serenatas.
Depois da experiência relatada, eu e Vera participamos de uma bela serenata, nas ruas da cidade de Conservatória, no Rio de Janeiro, conhecida como a Capital Mundial da Seresta e Serenata, aí sem o Laranjeira e seu violão. Conservatória cheira a poesia e amor. Um cheiro que contamina de prazer a quem aspira aos seus versos.
Quem faz uma serenata gostosinha é o Grupo Trovadores Urbanos, que seguindo a tradição dos antigos cantores de rua realizam autênticos sarais na casa dos homenageados. Já os vi e ouvi na casa de uma tia e na da amiga Cândida. Muito bonito mesmo.
Pena que esse romantismo está acabando, eu sinto falta de ouvir falar de amor e de se ter o amor no ar. É tão bonito mostrar a quem se ama, o seu amor...
terça-feira, 13 de outubro de 2009
"Edu da Gaita"
Meu querido tio João, citado por mim no post "Fantasmas", quando vivo adorava tocar gaita e para quem nunca aprendeu música, tocava muito bem. Seu ídolo no instrumento era um gaúcho de Jaguarão, nascido em 1916, chamado Eduardo Nadruz, que tinha como nome artístico Edu da Gaita. Com 9 anos Edu, disputou junto com 300 meninos um concurso de harmônicas e se tornou vencedor. Começava aí sua carreira. Na década de 1930 mudou-se para São Paulo, onde chegou a ser cantor de tango. Tocou no Hotel Copacabana Palace (Rio de Janeiro), em cassinos e foi solista de orquestra sinfônica. Participou de muitas gravações acompanhando outros músicos. Em 1957 gravou o Moto Perpetuo de Paganini, originalmente escrito para violino e transcrito para a harmônica pelo próprio Edu. Além de gravar como solista, também tocou como o Sexteto de Radamés Gnattali e apresentou-se pela Europa e América do Sul.Nelson Rodrigues
Senão vejamos:
"Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola""Deus me livre de ser inteligente"
"O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade"
"O adulto não existe. O homem é o menino perene."
"O Brasil é muito impopular no Brasil"
"Há três ou quatro semanas que o Menezes falava num novo amor imortal. Contava, para os companheiros embasbacados: — "Mulher de um pediatra, mas olha: — um colosso! ". Queriam saber: — "Topa ou não topa?". Esfregava as mãos, radiante:— Estou dando em cima, salivando. Está indo.
Todas as manhãs, quando o Menezes pisava no escritório, os companheiros o recebiam com a pergunta: — "E a cara?". Tirando o paletó, feliz da vida, respondia:
— Está quase. Ontem, falamos no telefone quatro horas! Os colegas pasmavam para esse desperdício: - "Isso não é mais cantada, é ...E o vento levou". Meireles sustentava o princípio que nem a Ava Gardner, nem a Cleópatra justificam quatro horas de telefone. Menezes protestava:
— Essa vale! Vale, sim senhor! Perfeitamente, vale! E, além disso, nunca fez isso! É de uma fidelidade mórbida! Compreendeu? Doentia!
E ele, que tinha filhos naturais em vários bairros do Rio de Janeiro, abandonara todos os outros casos e dava plena e total exclusividade à esposa do pediatra. Abria o coração no escritório:
— Sempre tive a tara da mulher séria! Só acho graça em mulher séria!
Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula. Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: — "Custou, puxa vida! Nunca uma mulher me resistiu tanto!". E, súbito, o Menezes bate na testa:
— É mesmo! Está faltando um detalhe! O apartamento! Agarra o Meireles pelo braço: — "Tu emprestas o teu?". O outro tem um repelão pânico:
— Você é besta, rapaz! Minha mãe mora lá! Sossega o periquito!
Mas o Menezes era teimoso. Argumenta:
— Escuta, escuta! Deixa eu falar. A moça é séria. Séria pra burro. Nunca vi tanta virtude na minha vida. E eu não posso levar para uma baiúca. Tem que ser,olha: — apartamento residencial e familiar. É um favor de mãe pra filho caçula.
O outro reagia: — "E minha mãe? Mora lá, rapaz!". Durante umas duas horas, pediu por tudo:
— Só essa vez. Faz o seguinte: — manda a tua mãe dar uma volta. Eu passo lá duas horas no máximo!
Tanto insistiu que, finalmente, o amigo bufa:
— Vá lá! Mas escuta: — pela primeira e última vez! Aperta a mão do companheiro:
— És uma mãe!" (O AMOR IMORTAL, texto extraído do livro "A vida como ela é...", Companhia das Letras- São Paulo, 1992.)
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Dia da Criança (ser?criança)
Apenas alguns sentimentos...
Para uma criança a vida não tem fim! Vejo pela Naninha, minha afilhadinha, que sempre está comigo. Ela brinca, pula, se diverte. Criança é a alma de nossa vida. Escapa por todos os limites. Sonha e realiza. As crianças nos rejuvenescem. Nos ensinam que a aventura nunca acaba. O bom da vida é viver e ser feliz. Acredita em Papai Noel, coelhinho da páscoa, super-heróis, ou seja, em tudo q
ue é bom e vale a pena. Acredita que a vida é eterna.
Só que muitas não chegam a experimentar essa eternidade. Muitas morrem muito cedo, vitimas da pobreza, do descaso e do mau trato, algumas morrem até pelas mãos dos pais. Oh mundo insensato. Quem devia cuidar, não cuida. Vitimas da incompreensão e da ignorância. Vitimas de um mundo que não tem tempo para elas. Vitimas da modernidade e da pós – modernidade. Vitimas do medo.
Ah como eu queria um mundo diferente, como eu queria não vê-las mais num farol. Não vê-las num abrigo. Ah como eu queria ver a lágrima acabar e não sair mais de seus olhinhos ingênuos. Como não queria vê-las sofrer. São abandonadas e prostituídas. Moram nas ruas e não tem escola, nem brinquedos. São drogadas e humilhadas. São usadas por gente inescrupulosa. Perdem a infância. Não vêm a beleza da vida.
Dia das crianças para quê? Mais um dia comercial? Tiram toda a beleza da infantilidade. Há o que comemorar? Crianças deletadas pelo comércio, pela revolução tecnológica, pelo desprezo dos pais. Outro dia ouvi a fras
e: “mãe que terceiriza a maternidade”, já deu brinquedo, e vai com a babá...
Dia da criança é todo dia, mas da criança real, aquela que convive conosco e não de uma imaginada pelos desvarios de alguma produção cinematográfica. Certinha, bonitinha, o galã da mamãe, como no comercial, essa não existe. Existe sim choro, bagunça, brinquedos jogados pela casa e um corre atrás enorme. Aquela que dorme como um anjo é dá preocupação. Aquela com olhinhos grandes que nós olham profundamente, quando estamos doentes. Aquela que pensa e nos faz uma surpresa todo dia. Aquela que é nossa.
Crianças de um mundo que não é mais delas. Infância roubada. Queria estar errado, mas minha razão adulta não acredita, sufoca meus sentimentos. Como podemos terceirizar a maternidade, a paternidade, em nome de realizações e trabalho? Isso não existe! Há de se ter tempo para tudo, ou não faça.
Queria um mundo melhor, só de sonhos infantis. Só de Mágicos e Cinderelas. Um mundo onde as crianças não morressem precocemente. Não sentissem a dor do abandono, não sentissem medo e por fim não sentissem aflição.
Correrias, piratas, princesas, guloseimas, homens aranhas e PROTEÇÃO. Um mundo em que fosse dado a elas alguma chance de serem crianças...
domingo, 11 de outubro de 2009
Outubro...
...ao zé..
mão
Ri
ãom
i
r
m
ã
o
irmão
con
tra
mão
ir na contramão
tantas historias
correria juntos
jogar bola
ser teu irmão
não é fácil não!
Brigas
Sentimentos
Magoas
Morte
irmão Dor Bastarda que varia do amor ao ódio
sábado, 10 de outubro de 2009
"Historinha de Sábado"
- Vamos Billy, todos estão esperando!
- Calma, mãe, tem tempo!
- Pai o Billy é um folgado!
- Não fique nervosa Duda, ele já vem!
- Esse menino! Toda vez que vamos sair ele emperra!

- Vou falar com ele.
- Não adianta Paulo, ou é deixá-lo de lado ou esperar.
- Marisa não me dê a idéia!
- Não Paulo, não vamos fazer maldade.
- Assim ele aprenderia, mamãe.
- Mas é muita maldade.
- Coração de mãe!
- Paulo não me goza! Billy vamos!
- Pronto mãe, to pronto.
- Quanta demora.
- Oh Duda, tava fazendo cocô!
- Você demorou muito, mas não precisa anunciar o que estava fazendo.
- Desculpa pai, mas vocês são uma família de apressadinhos.
- Apressadinhos, dá próxima vez te deixo aqui!
- Não mãe!
- Estamos em cima da hora, tio Pedro está nós esperando e ainda temos de pegar a vovó.
- Ta bom, ta bom, vamos embora.
- Ih Paulo temos de passar na livraria, eu encomendei o presente do Pedro lá.
- Mais essa...
- E temos de pegar o livro que a professora mandou eu ler.
- Como chama Billy.
- “A Casa das Fadas” é um livro sobre um menino órfão.
- Deve ser bonito, depois quero ler.
- Eu te empresto Duda.
- Dá próxima vez que você demorar, quem vai ficar órfão é você.
- Por que papai?
- Porque te deixo num orfanato.
- Paulo não fala assim com o menino!
- É pai depois eu fico complexado.
- Complexado e folgado.
- Mas sou o xodozinho da mamãe.
Dicas para sábado...ou Sábado eu vou...
Não é por isso que você vai ficar em casa Acabrunhado, existem belos passeios a se fazer nesta Sampa meio nublada de sábado. Uma visita ao Museu do Ipiranga, depois vá a rua Bom Pastor, 1659, comer famosos Hambúrgueres do Seu Oswaldo, Sem placa na porta, cardápio e nem sequer um telefone, faz um sanduíche super gostoso, feito sempre capricho no. Ir andar pelo Parque do Ibirapuera, que delicia! Visitar a Livraria Cultura e fazer uma fussação. Caminhar pelo centro, para uma boquinha recomendo o Ponto Chic, no Largo do Paissandu, com seu famoso Bauru. Se você tem dinheiro vá comer uma feijoada no Rubaiyat, magnifica, vale também para as entradas no piano - bar. Uma boa massa vá ao António, ambiente familiar e o dono é uma simpatia, faz questão de bem servir. Comida árabe vá ao Bambi. Só não vale ficar em casa. Para terminar um cineminha, recomendo "Bastardos Inglórios" do Tarantino e "Distrito 9" de Neill Blomkamp. Ta vendo tem muita coisa para fazer.
Stop - Dia Mundial Contra A Pena de Morte
A data de hoje, 10 de outubro, é o Dia Mundial contra a Pena de Morte, violação do direito fundamental à vida que ainda faz parte das leis criminais de muitas nações. Em países como o Brasil, o Código Penal não prevê esse tipo de sanção, mas diariamente se repetem chacinas e outros tipos de execuções extrajudiciais cometidas por policiais ou por grupos de extermínio, que receberam recentemente o nome de milícias.
...Hoje Sábado...
Sábado Em Copacabana
Dorival Caymmi
Depois de trabalhar toda semana
Meu sabado nao vou disperdiçar
Já fiz o meu programa pra essa noite
E já sei por onde começar
Um bom lugar pra se encontrar Copacabana
Pra passear a beira mar Copacabana
Depois um bar a meia luz Copacabana
Eu esperei por essa noite uma semana
Um bom jantar depois dançar Copacabana
Pra se amar um só lugar Copacabana
A noite passa tão depressa
Mais vou voltar lá pra semana
Se eu encontrar um novo amor Copacabana
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Tristeza...
DoresEnsinamentos
Incerteza
Saudade
Carinho
Grandes ensinamentos
Caminhos da incerteza
Morrer de saudade
A busca por um carinho
Sofrer tanta maldade
Acordar de arrependimento
Sempre amando sozinho
Escolher a estrada mais turva
Viver dizendo adeus
Essa tristeza que não se vê, mas eu sei o quanto tenho...
(DDA)
Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Mário Quintana
Derrota após derrota até a vitória final...
42 anos da sua morte
Morto a tiros nos fundões da Bolívia no dia 9 de outubro de 1967, o argentino Ernesto "Che" Guevara tombou como um mártir da causa da revolução latino-americana.

Lutam melhor os que têm belos sonhos.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ricos e Pobres (Com Gênio, Dada e Mãe)
- Raios, droga, meninos, merda, meninas, crianças, maltrato, droga, rico, pobre...- Que tanto você resmunga aí Dada?
- Coisas da escola mãe!
- Na escola agora ensinam palavrão?
- Merda não é palavrão, mãe!
- Sei, sei, mas aqui em casa é! Eu não gosto que fale isso!
- Desculpe mãe! Esse trabalho me deixa nervoso.
- Isso de merda é trabalho de escola Dada?
- Gênio, olha essa sua boca! Já disse que não quero!
- Desculpe mãe, mas que é engraçado é!
- Oh Dada que trabalho é esse?
- Mãe a professora falou sobre as crianças.
- Hum, sobre as crianças?
- É mãe, que muitas são maltratadas, às vezes até pela família.
- Bom isso é verdade!
- Aí o Juquinha falou que só as muito pobres. E a professora disse que não, que muitas crianças de famílias ricas sofrem maus - tratos.
- Isso é verdade. Eu já vi.
- É mãe, onde?
- Numa casa em que trabalhei Gênio. O pai, dono de uma empresa, espancava as crianças. Às vezes até a esposa.
- Nossa!
- Verdade Dada!
- E em você mãe, ele nunca bateu?
- Ele que tentasse! Não sou a mulher dele. Daria queixa.
- Puxa mãe, eu que pensei que todos os ricos fossem felizes.
- Pra vocês verem, Dada, somos pobres, mas eu nunca maltratei vocês.
- Mais ou menos mãe! Às vezes o chinelo canta por aqui.
- Nada parecido com o que aquele homem fazia. Às vezes dou umas chineladas por mal - criação ou alguma arte, né seu Gênio?
- Oh mãe, são minhas experiências!
- E quase põe fogo na casa!
- Aquilo foi um acidente.
- Sei, sei, mas Dada o que é para fazer?
- Um cartaz mostrando que não se devem maltratar as crianças.
- Você tem cola e revistas para cortar, filho?
- Tenho sim, mãe. Muitas revistas e cola da produção do Gênio.
- Então toma cuidado, que quem fica colado é você.
- Oh mãe, não me goza. Um dia vou ser rico com minhas experiências e vou cuidar de você.
- Não precisa filho, nós já somos ricos!
- Ricos mãe? Morando nessa palhoça!
- Não faça pouco caso do que tem Gênio, ainda bem que temos um teto e não moramos na rua. Vocês dois estão na escola. Com meu trabalho e o dinheiro que seu avô manda, não est
amos passando fome.- É mãe, concordo, mas daí sermos ricos!
- Somos sim, Gênio, amamos um ao outro. Somos ricos de amor! E você me ajuda a cuidar do Dada. Isso que é bonito. Seu carinho pelo seu irmão.
- Amor não enche a barriga de ninguém!
- Mas dá força pra gente seguir em frente!
- Mãe você tem resposta pra tudo!
- Sou mais vivida que você Gênio, sei mais das coisas da vida.
- Por que não vamos morar com o vovô e a vovó?
- Você gostaria Dada?
- Gostaria sim!
- Mais gente pra mandar na gente!
- E para cuidar de vocês com carinho, Gênio.
- É isso aí mamãe!
- Tenho pensado muito sobre isso. Vovô quer que eu vá. Para ajudá-lo no restaurante.
- O vovô é rico mãe?
- Não Dada, ele lutou muito e tem alguma coisinha. Dá para repartir um pouco conosco. Lá vocês iam ter um quarto só para vocês e a vovó, cuidaria dos dois, enquanto eu trabalho com o vovô.
- Ia ser legal!
- Estou achando que vamos nos mudar para o interior, Dada.
- Vamos sim mamãe!
- Vou pensar, mas acho que será bom para nos três.
- Se você quiser mãe eu topo.
- Topa mesmo Gênio?
- Sim.
- Mamãe descobri como fazer meu cartaz.
- Como filho?
- Com uma foto de uma família, todos rindo. Com as palavras: riqueza, pobreza, não importa. O bom mesmo é amor.
- Isso mesmo filho, vai ficar lindo!
- Está nascendo o Gênio dois!
"Roda Viva"

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...(4x)
(Chico Buarque)
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
"Pensamentos"

Da propriedade — como se alguém
apto a possuir coisas não pudesse
entrar na posse delas à vontade
e incorporá-las, a ele ou a ela;
da vista — pressupõe um olhar para trás,
atravessando o caos em formação
a imaginar a evolução, a plenitude, a vida
a que se chega na jornada agora
(eu porém vejo a estrada continuando,
e a jornada sempre a continuar);
do que uma vez faltava sobre a terra
e que a seu tempo foi propiciado
— e do que ainda está por ser propiciado,
pois tudo o que eu vejo e sei
creio ter seu sentido mais profundo
no que ainda está por ser propiciado.
Walt Whitman, in "Leaves of Grass"
Walt Whitman(1819-1892), foi um poeta norte-americano, descendente de ingleses e neerlandeses, nascido em West Hills, Long Island.
"Silêncio e Voz"
Um exemplo da dupla silêncio e musica é o magnifico álbum de João Gilberto "Voz e Violão". A voz do cantor se confunde com o silêncio e a delicia de ouvi-lo. João é o melhor cantor do mundo, o tio Sinatra, o grande "the voice", que me desculpe, o amo de paixão, mas João está muito na frente, ele é o "Artista Completo", em postura e técnica. João é tão bom que a gente desculpa seus atrasos e suas manias. E olha que ele tem muitas: pavor de ruídos; aversão a aparições em público; mau humor e muitas outras. Conta-se que só atende as pessoas pelo interfone de seu apartamento, ninguém sobe, só alguns privilegiados. Ouça o disco e veja senão vale a pena aturar!!!terça-feira, 6 de outubro de 2009
O Que Vê...

O mundo cheio de mentiras, gente sem imaginação.
Um mundo agitado às vezes paralisado de tanta maldade.
O que vê o olho colorido da criança?
Vê só morte ou destruição? Ou vê coisa melhor?
Consegue perceber que deve participar de uma Revolução?
Revolução não das antigas, mas uma de recriação. Mudar o mundo.
O que vê os olhos coloridos de uma Criança?
Novos tempos, nova vida. Caminhar em frente e evolucionar.
Parar de estagnação. Mudar completamente e amar.
Mundo em ebulição. Realidade fantástica, quase uma ficção.
Ver e aprender. Ler e observar. Conquistar seu espaço e transformar.
Os olhos coloridos de uma criança...
Mingus
Mingus possuía uma personalidade complexa, contraditória e até mesmo agressiva. Tendo experimentado diversas interrupções na produção musical por conta de sua instabilidade emocional, recuperava-se a seguir para continuar tocando magistralmente. Sentia com intensidade o drama do preconceito racial, usando diversas vezes a música como veículo de protesto, como por exemplo, na composição “Fables of Faubus”, endereçada a um governador do estado de Arkansas. Criou, ao longo de seus 56 anos, uma obra profunda, que tem servido de inspiração para gerações de músicos. Depois de sua morte em 1979, sua viuva, criou a Mingus Dinasty, composta por músicos que atuaram com ele, eternizando suas composições. Atualmente, existem três grupos que tococam seu repertório: Mingus Dynasty; Mingus Big Band ea Orquestra de Mingus.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Menino no Varal – Duas possibilidades

Primeira possibilidade
Menino quietinho.
Passa tempo mais um tempo.
Pensativo e sozinho.
Todas as artes. Bagunças que aprontou.
Passa gente e mais gente.
Olhando pro menino ali quietinho.
Pensando na vida, quanta traquinagem. Foi pego pelo papai e pela mamãe.
E agora esta ali.
E se não fizesse. Se apenas obedecesse. Se fosse um menino bom.
Será que ficaria de castigo?
O tempo passa e passam as horas.
Já berrou. Já gritou.
Mas dali não saiu.
Passa mais gente e outras mais gentes.
E o menino não sai. Quieto pensativo.
De castigo, presinho.
Oh papai me tira daqui!
Mamãe vou ser obediente!
Não apronto mais na escola.
Não vou mais brigar com a irmãzinha.
Não vou pular, correr, bater.
Desobedecer.
Mas não tem jeito, fica ali olhando para a rua e para o chão.
Sem nada poder fazer.
Passa hora e outra hora.
Passa mais gente e outras gentes.
Passa tempo, mais outro tempo.
E ele não sai não!
Menino pendurado no varal.
Segunda possibilidade
- Arnaldo, Arnaldo!
- Que é mulher?
- Arnaldo seu louco! Pendurou o menino no varal.
- Hoje já deu! Ele me encheu muito.
- Arnaldo os vizinhos vão ver!
- E daí? O que tem?
- Vão chamar a policia. Vai ser um fuzoê!
- Vão não mulher. Daqui a pouco ele se acostuma e para de gritar.
- Menino no varal, Arnaldo, não pode!
- Não pode bater, não pode xingar, não pode maltratar. Então o deixe no varal!
- Arnaldo é maluquice!
- Isaltina, esse menino pulou, bateu na irmãzinha, correu atrás do gato, chutou meu tornozelo, berrou com você e ainda brigou na rua. Tava com o diabo no corpo. Deixa ele no varal pra se acalmar.
- Deixo não Arnaldo, isso é maldade, maior do que tudo que ele aprontou. Ele tem vitalidade e precisa se soltar.
- É, mas se você soltá-lo do varal, vou lhe dar uma coça daquelas.
- Não vai não, Arnaldo! Vai brincar com ele, que ele se acalma.
- Isaltina! Tem cabimento! O menino apronta e não pode levar um castigo?
- Castigo pode Arnaldo! O que não pode é pendurá-lo no varal.
- Ta bom, ta bom! Tira ele de lá e manda pro quarto.
A mãe tirou o menino do varal e antes que ela pudesse mandá-lo para o quarto, pulou, bateu, correu, brigou, e fez o diabo.
- Arnaldo dá um jeito nesse menino!
- Ta bom Isaltina! Varal de novo!
E lá vai o menino debaixo dos braços do pai, novamente pro varal.
- Varal não pode Arnaldo...















